quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Lado Negativo da Medicina

Matéria publicada na Superinteressante que fala sobre a ineficácia do sistema operacional dos hospitais, da falta de empatia e de integridade dos médicos com seus pacientes, e sobre tratamentos médicos convencionais que só usam medicamentos como única solução de diagnóstico. 

Medicina faz mal à saúde

O médico Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam do que curam, e que é preciso ser muito saudável para sobreviver a um deles.

 

por Sérgio Gwercman


Um selo colado na testa advertindo sobre os perigos que podem causar à saúde. Se dependesse do inglês Vernon Coleman, esse seria o uniforme ideal dos médicos. Dono de um diploma em medicina e um doutorado em ciências, Coleman abandonou a carreira após dez anos de trabalho para ganhar a vida escrevendo livros com títulos sugestivos do tipo Como Impedir o seu Médico de o Matar.

Autor de 95 livros, o inglês é um auto-intitulado defensor dos direitos dos pacientes. Em seus textos, publicados nos principais jornais do Reino Unido, costuma atacar a indústria farmacêutica – para ele, a grande financiadora da decadência – e, principalmente, os médicos que recusam tratamentos que excluam a utilização de remédios e cirurgias. 

Dono de opiniões polêmicas, Coleman ainda afirma que 90% das doenças poderiam ser curadas sem a ajuda de qualquer droga e que quanto mais a tecnologia se desenvolve, pior fica a qualidade dos diagnósticos.

Como um médico deve se comportar para oferecer o melhor tratamento possível a seu paciente?

Os médicos deveriam ver seus pacientes como membros da família. Infelizmente, isso não acontece. Eles olham os pacientes e pensam o quão rápido podem se livrar deles, ou como fazer mais dinheiro com aquele caso. Prescrevem remédios desnecessários e fazem cirurgias dispensáveis. Ao lado do câncer e dos problemas de coração, os médicos estão entre os três maiores causadores de mortes atualmente. Os pacientes deveriam aprender a ser céticos com essa profissão. E os governos, obrigá-los a usar um selo na testa dizendo “Atenção: este médico pode fazer mal para sua saúde”.

Qual a instrução que pacientes recebem sobre os riscos dos tratamentos?

A maior parte das pessoas desconhece a existência de efeitos colaterais. E grande parte dos médicos não conhece os problemas que os remédios podem causar. Desde os anos 70 eu venho defendendo a introdução de um sistema internacional de monitoramento de medicamentos, para que os médicos sejam informados quando seus companheiros de outros países detectarem problemas. Espantosamente, esse sistema não existe. Se você imagina que, quando uma droga é retirada do mercado em um país, outros tomam ações parecidas, está errado. Um remédio que foi proibido nos Estados Unidos e na França demorou mais de cinco anos para sair de circulação no Reino Unido. Somente quando os pacientes souberem do lado ruim dos remédios é que poderão tomar decisões racionais sobre utilizá-los ou não em seus tratamentos.

Você considera que os médicos são bem informados a respeito dos remédios que receitam a seus pacientes?

A maior parte das informações que eles recebem vem da companhia que vende o produto, que obviamente está interessada em promover virtudes e esconder defeitos. Como resultado dessa ignorância, quatro de cada dez pacientes que recebem uma receita sofrem efeitos colaterais sensíveis, severos ou até letais. Creio que uma das principais razões para a epidemia internacional de doenças induzidas por remédios é a ganância das grandes empresas farmacêuticas. Elas fazem fortunas fabricando e vendendo remédios, com margens de lucro que deixam a indústria bélica internacional parecendo caridade de igreja.

E o que os pacientes deveriam fazer? Enfrentar doenças sem tomar remédios?

É perfeitamente possível vencer problemas de saúde sem utilizar remédios. Cerca de 90% das doenças melhoram sem tratamento, apenas por meio do processo natural de autocura do corpo. Problemas no coração podem ser tratados (não apenas prevenidos) com uma combinação de dieta, exercícios e controle do estresse. São técnicas que precisam do acompanhamento de um médico. Mas não de remédios.

Receber remédios não é o que os pacientes querem quando vão ao médico?

É verdade que muitos pacientes esperam receber medicamentos. Isso acontece porque eles têm falsas idéias sobre a eficiência e a segurança das drogas. É muito mais fácil terminar uma consulta entregando uma receita, mas isso não quer dizer que é a coisa certa a ser feita. Os médicos deveriam educar os pacientes e prescrever medicamentos apenas quando eles são essenciais, úteis e capazes de fazer mais bem do que mal.

Que problemas os remédios causam?

Sonolência, enjôos, dores de cabeça, problemas de pele, indigestão, confusão, alucinações, tremores, desmaios, depressão, chiados no ouvido e disfunções sexuais como frigidez e impotência.

Em um artigo, você cita 3 greves de médicos (em Israel, em 1973, e na Colômbia e em Los Angeles, em 1976) e diz que elas causaram redução na taxa de mortalidade. Como a ausência de médicos pode diminuir o risco à vida?

Hospitais não são bons lugares para os pacientes. É preciso estar muito saudável para sobreviver a um deles. Se os médicos não matarem o doente com remédios e cirurgias desnecessárias, uma infecção o fará. Sempre que os médicos entram em greve as taxas de mortalidade caem. Isso diz tudo.

Muitas pessoas optam por terapias alternativas. Esse é um bom caminho?

Em diversas partes do mundo, cada vez mais gente procura práticas alternativas em vez de médicos ortodoxos. De certa maneira, isso quer dizer que a medicina alternativa está se tornando a nova ortodoxia. O problema é que, por causa da recusa das autoridades em cooperar com essas técnicas, muitas vezes é possível trabalhar como terapeuta complementar sem ter o treinamento adequado. Medicina alternativa não é necessariamente melhor ou pior que a medicina ortodoxa. O melhor remédio é aquele que funciona para o paciente.

Em um de seus livros, você afirma que a tecnologia piorou a qualidade dos diagnósticos. A lógica não diz que deveria ter acontecido o contrário?

Testes são freqüentemente incorretos, mas os médicos aprenderam a acreditar nas máquinas. Quando eu era um jovem doutor, na década de 70, os médicos mais velhos apostavam na própria intuição. Conheci alguns que não sabiam nada sobre exames laboratoriais ou aparelhos de raio X e mesmo assim faziam diagnósticos perfeitos. Hoje, os médicos se baseiam em máquinas e testes sofisticados e cometem muito mais erros que antigamente.

Você faz ferrenha oposição aos testes médicos realizados com animais em laboratórios. De que outra maneira novas drogas poderiam ser desenvolvidas?

Faz muito mais sentido testar novas drogas em pedaços de tecidos humanos que num rato. Os resultados são mais confiáveis. Mas a indústria não gosta desses testes porque muitos medicamentos potencialmente perigosos para o homem seriam jogados fora e nunca poderiam ser comercializados. Qual o sentido de testar em animais? Existe uma lista de produtos que causam câncer nos bichos, mas são vendidos normalmente para o uso humano. Só as empresas farmacêuticas ganham com um sistema como esse.

O que você faz para cuidar da saúde?

Eu raramente tomo remédios. Para me manter saudável, evito comer carne, não fumo, tento não ficar acima do peso e faço exercícios físicos leves. Para proteger minha pressão, desligo a televisão quando médicos aparecem na tela apresentando uma nova e maravilhosa droga contra depressão, câncer ou artrite que tem cura garantida, é absolutamente segura e não tem efeitos colaterais.


Vernon Coleman

• Tem 65 anos
• Gosta de escrever livros de ficção e já publicou 12 romances
• Divide seu tempo entre o interior da Inglaterra e uma cobertura no centro de Paris
• Sofre de “cotovelo de tenista” nos dois braços por causa da má-postura ao digitar

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Persiste

Se você é capaz de manter sua calma quando todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa; se você conseguir acreditar em si mesmo quando todos estão duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa

Se você é capaz de esperar sem se desesperar ou, enganado, não mentir ao mentiroso; ou sendo odiado, sempre ao ódio se esquivar, e não parecer bom demais, e nem pretensioso

Se você é capaz de pensar sem se iludir, e de sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores; e se você, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguir tratar da mesma forma a esses 2 impostores

Se você é capaz de, entre a plebe, não te corromper, e entre reis, não perder a naturalidade; e defender seus amigos, sejam bons ou maus, se a todos puder ser de alguma utilidade

E, se você é capaz de arriscar, numa única aposta, tudo o que já ganhou em toda a sua vida; e mesmo se perder, sem nunca dizer nada, de cabeça erguida tornar ao ponto de partida

Então, você deveria ter orgulho disso! 

Vivendo ao máximo, forçando todos os seus membros, coração, nervos, músculos, tudo!

Seja o que for, sempre dar toda sua força que ainda existe, e seja o que aconteça, você continuar, mesmo exausto e, contudo, irá restar a vontade que ainda te ordena: Persiste!!

Se você é capaz de dar, no minuto fatal, segundo por segundo, todo seu valor e brilho

Então persiste, busca o melhor do teu orgulho!!

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Texto baseado no poema "If", de Rudyard Kipling

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Arte Obscura

“O mundo não é separado entre os cegos e os não cegos. A fotografia não é exclusividade de quem pode enxergar. Nós também construímos imagens interiores”. 

Quem afirma isso é Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta. Nascido na Eslovênia, Bavcar ficou cego aos 12 anos de idade em dois acidentes. Ele perdeu a visão do olho esquerdo quando foi perfurado por um galho de árvore. O olho direito foi afetado durante a explosão de um detonador de minas com o qual ele brincava. 

Em 8 meses, ele havia perdido a visão completamente. 

Por volta dos 17 anos, Bavcar conheceu a fotografia através de sua irmã, que lhe emprestou uma câmera fotográfica para que ele fotografasse uma menina do colégio por quem era apaixonado. 

Desde então, ele afirma ter descoberto uma forma de exteriorizar suas imagens interiores e comunicar-se com os outros. Sem precisar enxergar.

Bavcar vive em Paris e viaja o mundo, mostrando às pessoas que a imagem não precisa ser explicitamente visual. 

Ele afirma: “O teu horizonte é ate onde você pode ver. Se você vê com as mãos, logo o teu horizonte é até onde você pode tocar”.

Sempre causando polêmica por onde passa, Bavcar não se intimida diante daqueles que não admitem que um cego possa fotografar. Para a execução das suas fotos, ele conta com a ajuda de sua irmã, e usa técnicas desenvolvidas ao longo de anos. 

Entre algumas características do seu trabalho, destaca-se a composição da luz em contraste com ambientes totalmente escuros.

A visão é tida como um sentido necessário para que a imagem seja captada e avaliada tanto na antecedência como na conseqüência do ato fotográfico.

Mas a arte fotográfica de Evgen Bavcar é atravessada pela cegueira física do fotógrafo. Suas fotografias rompem um padrão de “visualidade concreta” relacionada à imagem. 


Em suas obras, existe outro tipo de visibilidade: uma que é ligada a seus desejos (a garota pela qual se apaixonou, por exemplo).

A fotografia, em seu surgimento, posicionava o fotógrafo como um observador agudo e isento, como se fosse um escrivão, não um poeta. 


No entanto, logo tornou-se claro que não existia apenas uma atividade simples e unitária denominada “ver” (registrada e auxiliada pelas câmeras), e sim uma “ visão fotográfica”, constituída além do sentido puro da observação.

Em suas fotografias, Bavcar reitera um papel de fantasia criada por sua imaginação. Sua cegueira não o impede de possuir uma estrutura representativa nem de sentir o ambiente em todas as suas dimensões, e o permite criar suas obras sem se fiar a concretização de uma técnica especializada. A ausência do sentido da visão física não retirou do fotógrafo o lugar da visão “ficcional” e nem devorou seu olhar.

Em Janela da Alma (2002), Bavcar afirma que não devemos falar a língua dos outros e nem utilizar o olhar dos outros, porque nesse caso existimos através do outro. É preciso tentar existir por si mesmo.



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Segue abaixo algumas de suas obras:



 
 
 

 



 





sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Qual a Diferença Entre Ateus e Agnósticos?

Ateus e agnósticos. 

Ainda existe muita confusão em torno desses dois termos, justamente pelo fato desses conceitos serem discutidos sob perspectivas diferentes, o que acaba gerando diversas dúvidas e incertezas sobre o assunto.

Existem alguns requisitos pra se chegar a uma resposta satisfatória sobre o que seria ateísmo ou agnosticismo. A pergunta cuja resposta implica em ateísmo se refere a crenças, enquanto a pergunta cuja resposta implica em agnosticismo se refere a conhecimento.

Uma pessoa não pode ter um conhecimento através de uma crença (pois uma crença não é um conhecimento verdadeiramente justificado). 

Então, é natural que existam interpretações conflitantes para cada termo.

O ateísmo se refere a uma questão teológica (uma relação subjetiva com uma divindade superior); ao passo que o agnosticismo é pautado por uma questão epistemológica (sobre a possibilidade ou impossibilidade de se provar a existência de Deus através do conhecimento).

Um ateu afirma que não acredita em Deus, mas não se preocupa em descobrir qual a probabilidade de se haver ou não um ser superior, ou seja, ele apenas discorda da afirmação: “Deus existe”.

Embora existam relatos de povos primitivos que não acreditavam em nenhum Deus, a expressão ateísmo (que significa, em grego, a negação de Deus) foi cunhada no final do século XII, na época da Inquisição.

"Pode-se afirmar que o ateísmo é subproduto da Inquisição. Quando a Igreja Católica quis suprimir toda e qualquer dissidência, seus métodos inquisitoriais levaram à formação de um judaísmo clandestino e às primeiras declarações de ateísmo na Europa", afirma Armando Araújo Silvestre, cientista da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ateus não precisam necessariamente declarar que Deus não existe, eles apenas não tem crença na sua existência. 

O senso comum diz que o agnóstico é uma pessoa que não acredita nem desacredita na existência de Deus, ao passo que ateu é quem desacredita. Isso faz com que o agnosticismo pareça um posicionamento mais razoável que o ateísmo. 

A Enciclopédia Britânica descreve que o agnosticismo "é a doutrina que afirma que não podemos conhecer nada além dos fenômenos da experiência, incluindo Deus.

Resumindo: enquanto o agnóstico sente falta de provas que validem uma existência divina, o ateu nega a existência de Deus sem dispor de nenhuma comprovação.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Inércia Política

O conformismo é uma atitude que todos temos, sejamos gestores, executivos, bancários, marketeiros, açougueiros, policiais, advogados ou vendedores de cachorro-quente. Mas na política brasileira, todos se conformam com a inércia.


O conformismo político é lei no Brasil, sem exceção à regra.

Ações contra a política brasileira como manifestações sociais, greves sindicais, protestos e ameaças de morte; elas têm um efeito inútil. 

Essas ações duram o tempo de apenas criar um alardezinho na sociedade, pra depois serem encobertas e manipuladas pela mídia. 

O que for conveniente fica. O resto vai pra debaixo do tapete, caindo em esquecimento. 

Durante suas campanhas pedindo votos na TV, deputados usam fantasias e perucas em vídeos (e enquanto isso eles falam e gesticulam com bonecas e fantoches, como num show de mágica infantil). Outros políticos sem nenhuma noção discursam em campanhas auto-promocionais levantando peso e usando uma gravata bizarra.

É ridículo.

Império da Burocracia


Pra se aprovar uma lei no Brasil, por exemplo, é necessário se passar por 16 fases, todas elas podendo durar meses, anos ou até mesmo décadas (veja aqui: http://goo.gl/zQIbkf). 

No reino da política nacional, a burocracia triunfa.

Políticos brasileiros não lutam pelo conforto e bem-estar dos cidadãos. Eles acreditam que, com sua moral, podem fazer a diferença na sociedade, apenas por terem o poder suficiente pra fazerem isso. Mas eles não fazem diferença alguma. 

Os políticos brasileiros, quase generalizando, não sabem o que é empatia, muito menos ética.

Então, que tipo de moral esses "profissionais" têm? 

Não estou dizendo que toda e qualquer pessoa que ocupe um cargo político seja ladrão, desonesto ou antiético. Estou dizendo que eles não fazem questão de se importar com isso. 

Eles mostram se importar com o povo apenas até chegar onde querem (no alto escalão do poder), e depois conservam essa autoridade com ações que não fazem nenhuma diferença concreta na sociedade; mas essas mesmas ações inúteis os mantém em seus cargos, com suas confortáveis regalias. 

O trabalho político não é feito, é apenas conveniado. Não há um sacrifício pelo povo. 

Minha percepção é que as ações do governo atrasam, em vez de transformarem a vida das pessoas e melhorar a qualidade de vida. 

Se existem políticos honestos (aqueles que trabalham tranquilos, de cabeça erguida, que batalham em prol dos direitos humanos)...... ninguém mais sabe quem eles são. 

O povo nada em pequenas braçadas num mar político onde as ondas são mentiras e a maré é a corrupção. 

Políticos que se doam pelo povo. Esses ninguém mais sabe quem são. 

E uma hora, nós vamos nos conformar que eles não existem mesmo. 

Não existem no Brasil. 


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ansioso

Faltava pouco, faltava tão pouco pra hora chegar!!
Mas pro ansioso esse tempo não vinha, parecia uma infinidade, um pesar 

O ansioso já não vê a hora
O ansioso aguarda, ele anseia pela chegada do controle que anestesia a ansiedade
Essa espera é uma constante, o incomoda de verdade

Agora falta bem pouco pra hora chegar
Falta tão pouco, e a cabeça do ansioso parece que vai explodir, se desintegrar 

A ansiedade aciona o pino da granada 
Na mente ansiosa, uma explosão está para ser acionada 

Boom!

Aquela ansiedade de louco, torturante e resistente
Gostoso mesmo é quando a hora chega e a satisfação se faz sentir, finalmente

Vem uma calma, e ela acostuma na mente
Mas pro ansioso, essa tranquilidade não rende

O ansioso não gosta de esperar
Ele odeia aquele inesperado que incomoda 

O ansioso fica tentando prever o imprevisível, o amanhã tão distante
Ele fica tentando ter um conhecimento de um futuro ignorante



Inúmeras precipitações causadoras de preocupações que residem em mentes inquietas
Ansioso tenta esperar por um ideal de perfeição que não existe, é ilusão

Pro ansioso, existe apenas a espera que torna o futuro menos claro e mais distante
Bem distante, lá longe até onde o ansioso deseja ver, mas não consegue enxergar

Ás vezes, o tempo para o ansioso parece uma eternidade de preocupações e expectativas 
Ás vezes, existe o desejo de prever o amanhã, um futuro que confunde as perspectivas

Ás vezes, é melhor não desejar que o amanhã se torne realidade
Melhor não esperar tanto das coisas, isso alivia a ansiedade 

Pro ansioso, uma dose de pessimismo e outra de desapego pode ser saudável, conveniente 

Uma dose que seja:

1/2 dose de pessimismo com o efeito colateral da crua realidade
1/2 dose de desapego com o efeito de transformar desejo em saciedade

Ás vezes é melhor se preparar para o pior
Muitas vezes é melhor não esperar tanto das coisas

Ansioso, isso alivia a ansiedade

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Logística Assassina

O jornal Estadão publicou uma matéria tempos atrás, que dizia: "No Brasil, acidentes de trânsito mataram mais de 980 mil pessoas em 31 anos".

De acordo com dados do Observatório Nacional de Segurança Viária, acidentes de trânsito superam os números de homicídio no Brasil. Quase 1 milhão de mortes nas estradas, entre 1980 e 2011.

Como controlar esse genocídio nas estradas??


A Carga da Negligência  


O número de vítimas nas estradas brasileiras é o maior do mundo, e existe um personagem que atua constantemente nas cenas da morte: os caminhoneiros.

Motoristas de carga espalhados por todo Brasil se sacrificam diariamente em um serviço extremamente árduo e maçante.

Para compensar todo sacrifício que significa seu trabalho, muitos desses motoristas acabam apelando para vícios e compulsões que eles usam como válvulas de escape para filtrar suas insatisfações de ofício.

E, infelizmente, um vício em comum entre esses profissionais é o uso de drogas.

Uma pesquisa sobre o perfil de caminhoneiros indicou que cerca de 40% desses motoristas consomem bebida alcoólica, 15,2% tomam o rebite (droga que aumenta o nível de atenção no cérebro), e 8% usam outras drogas.

Esses caminhoneiros, ao fazer uso de tais entorpecentes, põem em risco não só sua própria vida, mas a de inúmeras outras. Os prejudicados pelo uso dessas drogas são essas milhares de vítimas dos acidentes intermináveis nas ruas e estradas desse país.

De acordo com o professor do Departamento de Psicobiologia da Unifesp e chefe da disciplina de Medicina e Biologia do Sono, Marco Túlio de Mello, entre 27% e 32% dos acidentes de trânsito são provocados por motoristas que dormem na direção, responsáveis também por 19% das mortes no asfalto.

Se os caminhoneiros estão comprometendo sua própria saúde e a vida de pessoas inocentes, por que eles não se adaptam ao expediente de trabalho cansativo e evitam o uso dessas drogas?

A desculpa está na demanda do mercado logístico. 

Alguns dos motivos que levam o motorista a apelar para o uso de drogas sintéticas e anfetaminas é: a pressão por entregas no prazo, o aumento da receita fiscal nas estradas e o longo percurso de exploração por parte das transportadoras. 

As empresas de transporte logístico atiram uma carga de serviço que na maioria das vezes exige que o trabalhador exceda sua jornada de trabalho, causando um considerável desgaste físico e mental. Até aí, tudo bem. Afinal, quem nunca fez hora extra e acabou tendo que ficar umas horinhas a mais no trabalho??

Mas, somando essas 'horas extras' à jornada de serviço imposta pelas empresas logísticas, temos uma tortura. 

Esses caminhoneiros acabam tendo que apelar em serviço.

Apesar do gosto pelo trabalho, os caminhoneiros de fato assumem uma vida social limitada: passam a maior parte do dia sozinhos. Isso impede que eles construam relacionamentos consistentes e duradouros, o que reduz seu grau de sociabilidade.

Caminhoneiros passam literalmente mais tempo com a bunda no encosto do caminhão (prestando atenção na movimentação do trânsito, cheirando asfalto, ouvindo barulho de motores engasgados), do que pensando e cuidando de suas próprias vidas. 

Todo esse trabalho incessante e cansativo, enquanto podiam estar junto de suas famílias.


Para os caminhoneiros, os pontos de parada são sempre os mesmos: o posto de gasolina, o hotel, o restaurante barato de estrada, a estação de entrega de carga.

Em confissão, um caminhoneiro chamado L. G. S. (nome abreviado por escolha de não identificação), afirma: “No meu caso, trabalho com carga perecível e preciso cumprir horário para não perder a mercadoria”.

Álvaro Scapini, seu colega de trabalho, diz: “Estou na estrada há 22 anos, e no começo também usava rebite e outras drogas, mas com a maturidade, descobri que minha vida é mais importante do que cumprir horários”.

Esse tal rebite aí é uma substância chamada anfetamina, que age como estimulante do sistema nervoso central e faz com que o cérebro trabalhe mais depressa e a pessoa sinta menos sonoperda de apetite e aumento da capacidade física e mental.

Mas então, qual seria uma possível solução pra estimular esses motoristas a não ingerirem entorpecentes?

Aqui no Brasil, já foi promulgada uma lei que reduz o número máximo de horas trabalhadas por motoristas de veículos pesados e de passageiros, visando garantir mais segurança aos profissionais das estradas. 

A partir dessa lei, o tempo máximo ao volante é de 10 horas diárias, sendo que a cada 4 horas dirigidas, é obrigatória uma parada de 30 minutos. No total, são 11 horas de repouso por dia. Com essa lei, cada caminhão tem 30% de redução de quilômetros rodados durante o mês, e, no tempo parado em fiscalizações e terminais de carga e descarga, o caminhoneiro deverá ser remunerado.

Silvani Silva deu seu feedback sobre essa lei: “Para nós, que somos motoristas de frotas de empresas, o horário é ótimo. Realmente estávamos necessitando deste intervalo de descanso. Acho que o fator principal desse excesso de acidentes e mortes nas estradas está relacionado diretamente com o fator do cansaço”.

É uma pena que uma lei construtiva como essa tenha demorado tanto tempo para ser implantada (é claro, estamos no Brasil). 

Somente essa lei ainda não impede o excessivo nível de stress sofrido todos os dias por caminhoneiros de todo o país. Eles ainda são explorados sim, e como. 

Link da matéria do jornal Estadão: http://goo.gl/GZru20

sábado, 15 de setembro de 2012

A Influência da Imagem no Marketing Pessoal

A primeira impressão sempre teve um impacto muito grande nas pessoas, e isso é inevitável. É uma tendência natural avaliarmos qualquer nova situação com base na força da imagem, portanto, é verdade que “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

Há mais de 2500 anos atrás, o filósofo Platão nos mostrou em sua alegoria da caverna que a nossa visão dos fatos está muito ligada à aparência das coisas. 

Julgamos aquilo que vemos, e é tudo muito rápido. A expressão no rosto, a roupa, a higiene pessoal, os gestos. É uma combinação de estímulos visuais que faz com que em poucos segundos façamos julgamentos sobre a posição social e até sobre o caráter de uma pessoa.

Segundo estudos na área de comportamento humano, a primeira impressão que uma pessoa tem da outra se baseia 55% em sua aparência e ações, 38% em seu tom de voz e 7% na propriedade intelectual, ou seja, no que é falado. Isso demonstra que os seres humanos são extremamente visuais e julgam uns aos outros previamente pela aparência.

O mais surpreendente é que este julgamento é feito aproximadamente nos primeiros 10 segundos de convivência, ou seja, quando conhecemos alguém, antes mesmo de abrirmos a boca para nos apresentar, já estamos sendo avaliados quanto à classe social, situação financeira, estilo de vida, personalidade, histórico e nível de sucesso. 

Mas as aparências, elas enganam. 

Esta avaliação de imagem que fazemos ou recebemos de alguém pode ser positiva ou negativa, e pode ou não refletir o que somos e a mensagem que queremos passar. 

Exemplos não faltam para demonstrar que os arquétipos físicos são ponto de partida para interpretações de valor.

E aí, entra a questão do bom senso: se você comparecer a uma entrevista formal de emprego vestido de regata e chinelo, não precisará nem se identificar na recepção, pois provavelmente o seu perfil já será rejeitado pela secretária da agência que não possui aptidão suficiente para recrutar e selecionar funcionários, mas conhece a reputação da empresa e sabe que você não irá conseguir o emprego.

Quando você está andando pela rua e vê uma pessoa qualquer, você imediatamente terá formado e também recebido um feedback sobre características como a beleza, classe social, nível de renda, estilo de vida, entre outras. Mas esses feedbacks podem estar errados, como acontece na maioria das vezes. 

Marketing Pessoal


O Marketing Pessoal pode ser definido como um conjunto de ações estratégicas, atitudes e comportamentos que conduzem a trajetória pessoal e profissional para um feliz sucesso por meio de qualidades e habilidades inatas ou adquiridas do indivíduo que, aperfeiçoadas, promoverão comportamentos favoráveis à realização dos seus próprios objetivos. 

Max Gehringer cita 10 “mandamentos” do Marketing Pessoal. Esses mandamentos estão em forma de atributos individuais, que são: 

1º-Liderança 
2º-Confiança 
3º-Visão 
4º-Espírito de Equipe 
5º-Maturidade 
6º-Integridade 
7º-Visibilidade 
8º-Empatia 
9º-Otimismo 
10º-Paciência 

É bastante difícil conciliar todos esses atributos, diria impossível. Mas se bem trabalhados, essas características podem gerar uma enorme vantagem competitiva: seja em casa, no trabalho, no colégio ou na faculdade. 

Outro exemplo bem claro da mudança de significados de uma imagem é a do presidente norte-americano Barack Obama, o primeiro negro a ocupar tal cargo, e também sua esposa, Michelle Obama, hoje referência na área da moda. Veja uma foto deles 2 meses antes das eleições que elegeram Obama à presidência em 2008:




Com esta imagem, Obama não inspira a ideia de um político capaz de governar uma nação.

Devemos lembrar: diferente do Brasil, onde o voto é obrigatório e as pessoas votam no Tiririca, no Romário ou no Kiko do KLB; nos EUA o voto é facultativo, ou seja, as pessoas votam se quiserem. 

Obama certamente sabia do poder do marketing pessoal e utilizou-se disso de diversas formas. E o homem que vimos na campanha, depois, como presidente dos Estados Unidos é este:





E Michelle, atualmente:




Não foram só as roupas que mudaram. A atitude mudou. Vejam a postura e o olhar de ambos na primeira imagem e a postura e olhar deles nas fotos posteriores. Mudou! A combinação bombástica da mudança nas roupas, nos cabelos, na maquiagem e na postura, aliado á imagem de carisma e presença, foi um dos fatores que levou Obama à vitória. 

Deve existir coerência entre imagem e conteúdo para que haja consistência em seus julgamentos de aparência.

Imagem vai muito além do seu rosto e das suas roupas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ninho de Vespas

Morar em São Paulo faz com que muitas pessoas prefiram abrir mão do conforto de usar um carro para utilizar outro meio de locomoção que seja mais barato e mais rápido do que o transporte público.

E o que temos disponível como alternativa ao carro e metrô? Bicicleta?? Acho bem difícil uma pessoa que precise atravessar a cidade diariamente para trabalhar estar disposta a fazer esse percurso pedalando.

Se você fosse pegar táxi todo dia, ida e volta, só a bandeira de todas as corridas já daria uma conta milionária no final do mês.

Helicóptero. Inviável. A não ser que você tenha muito dinheiro e queira rir de todos que estão presos no trânsito lá embaixo.  

Veículos híbridos e elétricos ainda não são realidade, e sua tecnologia demanda muito mais aprimoramentos antes de serem comercializados em massa.

Sobra o quê? Metrô e ônibus.

1) Demanda latente por transporte público; 2) Insuficiência de serviço e estrutura nas estações e pontos de metro e ônibus; 3) Barulho e atordoamento; 4) Caos e desorganização diários.  

Em São Paulo, vive-se num verdadeiro ninho de vespas.

Paulistanos têm ficado mais tempo em casa para evitar os congestionamentos, aponta vários levantamentos. Ou seja, as pessoas consideram que muitas vezes é mais sensato permanecer em suas casas do que dividir o mesmo tempo e espaço com outros cidadãos, e esse comportamento, em uma metrópole, é extremamente antissocial. 

As pessoas precisam ir trabalhar, e todas elas acabam compartilhando um inferno em suas viagens.

Esse conformismo da população com condições ridículas de trânsito é ruim pelo fato de retardar mudanças que melhorem o tráfego, o que acaba resultando em nervosismo e atitudes agressivas nas ruas.

Presa no congestionamento, a pessoa se sente impotente, o que aumenta a sua ansiedade e gera estresse. 

A pessoa fica com raiva diante da impossibilidade de fazer algo para mudar a situação.

Esse estresse estimula as pessoas a improvisarem enquanto estão presas dentro do carro. Uma pesquisa de opinião sobre o trânsito da cidade revelou casos interessantes e curiosos. Um dos entrevistados disse que, durante o tempo que passa dentro do carro, fez o ensino médio quase inteiro: ouvia as aulas do telecurso no rádio e depois fazia as provas. Outros ouvem música, trabalham pelo celular e até leêm livros, revistas e se informam pelo jornal diário. 

O que se esperar além de investimentos que demandam anos a fio pra aumentar apenas alguns míseros quilômetros de linhas de metrô? 

Em uma cidade que não foi planejada e nem preparada geograficamente, aliada à ineficiência do governo em agilizar obras de expansão e infraestrutura, só nos resta aguardar soluções futurísticas, como teletransporte, carros voadores, ou (seria mais divertido) ainda, um Jet Pack.