quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal Animal

Você ganhou presentes de Natal nesse ano?

Esses animais tiveram esse privilégio. Veja o que eles ganharam:


Lêmures recebem morangos e presentes em zoológico no Japão



          Um lêmure pareceu 'um pouco' mais faminto e começou a comer os morangos dos colegas. 



Ainda no Japão, tratadora 'mamãe noel' presenteia elefante com prato de frutas e vegetais. 


Suricata ganha decoração de natal e presentes com comida em sua jaula


 Foca ganhou cubos de gelo em formas de símbolos natalinos com peixes dentro


 Pelo visto, o diabo também ganha presentes. Esse diabo-da-tasmânia come ratos pendurados em sua 'árvore de natal'


Ursos marrons dão uma olhada num pacote de guloseimas, antes de destruí-lo



Urso polar se refresca enquanto aproveita seu presente de natal



Não demorou muito pra que esse gorila sentisse o cheiro de seu presente e começasse a destroçá-lo.



Macacos-esquilo compartilham guloseimas de dentro de enfeite em um zoo de Londres


Aqui, um pinguim avalia a 'decoração' de sua árvore de natal, no caso um peixe suculento. E parece que dentro das caixas têm mais


Esses dois aí decidem qual vai ser o presente de cada um


Leoa sonolenta se prepara pra abrir seu presente


Urso negro concentrado em seu doce natalino. Simples bolinho





Esse lindo leão branco abre lentamente seu pacote, recheado de frango. 



Felino carrega seu presente


Urso-malaio brinca com seu presente, parecendo não ligar pra foto


Tigre com seu bolo de natal. Fissurado


E esse não tava nem aí pra presente. Era só fome mesmo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

[Brain Waves] Lago de Ideias

Esse é o post de origem da nova série 'Brain Waves', onde vou investigar sobre temas subjetivos, experimentais, relacionados à psicologia, sociologia e filosofia, através de observações de referências dessas áreas. 

Com uma abordagem de temas mais fácil e simples, a série vai explorar a fundo a mente e seus jogos cerebrais.


- - - - -

Johann Herbart foi um filósofo alemão que se dedicou a explorar como funciona a administração de ideias e conceitos. Se cada um de nós tem um número extraordinário de ideias durante a vida, porque agente não acaba ficando cada vez mais confusos? Pra onde vão essas ideias?

Para Herbart, a mente precisava usar algum tipo de sistema pra diferenciar e guardar essas infinitas ideias que nos surgem diariamente. O alemão também se questionava: Mesmo que as ideias continuem surgindo indefinidamente, porque algumas existiam fora do alcance da nossa percepção? 

Porque um monte de ideias só nos vêm a mente depois de serem associadas a outras ideias? Por exemplo: temos a ideia de pegar o carro e ir até o posto de gasolina, pra encher o tanque. Chegando no posto, abastecendo o carro, nos lembramos que ontem o pará-brisas estava falhando, e então, chamamos o frentista pra arrumar. Ou seja, no meio da ação da ideia de ir ao posto pra abastecer o carro, surgiu uma associação com a necessidade de se arrumar o pará-brisas que estava falhando. 

Ideias Similares e Ideias Conflitantes


De acordo com Herbart, as ideias formam-se pela combinação das informações provenientes dos sentidos, que englobam pensamentos, imagens mentais e estados emocionais. Esses elementos compõem todo o conteúdo da mente, e Herbart não os via como elementos estáticos, mas sim, dinâmicos, capazes de se transformar e interagir entre si.

Ideias , dizia ele, podem atrair e associar-se a outras ideias e sentimentos, ou repeli-los, como ímãs. 

Ideias similares, como cores e tons, atraem-se e misturam-se, dando origem a uma terceira ideia, mais complexa, como por exemplo, a ideia da cor vermelha com a amarela, gerando a ideia da cor laranja. Ou também a ideia de um peixe em um recipiente de vidro, gerando a ideia de um aquário.

Contudo, duas ideias que não são parecidas podem continuar a existir, mesmo que não sejam associadas a outras ideias. Isso faz com que enfraqueçam com o tempo, até serem finalmente subjugadas ao "limiar da consciência". Se duas ideias contradizem de maneira direta, "ocorre uma resistência", um conflito de ideias. 

Quando dois conceitos resistem um ao outro, geram uma tensão, e essa tensão cria uma força com tamanha energia que um dos conceitos acaba sendo expulso pra fora da consciência. Pra um lugar que Herbart chama de um "estado de tendência", o que hoje se conhece como inconsciente.

Herbart via o inconsciente como um depósito para ideias fracas e subjugadas, que foram expulsas. Ao propor uma consciência que organiza conceitos, o alemão buscava encontrar uma solução do melhor gerenciamento de dados e informações em uma mente saudável. E no ritmo de vida aceleradíssimo de hoje, isso se mostra necessário.

O gerenciamento de ideias se mostraria muito mais complexo do que Herbart descobriu.

Essa administração mental mostrou que algumas ideias são relacionadas a outras, e podem se combinar pra gerar outras ideias; enquanto que algumas ideias não possuem nenhuma relação com outras, e por isso acabam sendo subjugadas, mas nunca esquecidas, para além da nossa consciência, para um ambiente melhor analisado pela psicanálise.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Capitalismo Brutal

Capital, brilho lúcido que ofusca a sociedade. Alguns são cegados e acabam por ceder ao impulso da cobiça maníaca; outros abrem a visão ao alcance necessário para refrear suas compulsões insaciáveis por ostentação e riqueza.

No vazio entre a queda e o renascimento do dinheiro, a opressão do capital força um reinado, onde o capitalismo é o senhor; e o homem, dependente da servidão, que corre pelo dinheiro, é seu fiel vassalo.

O homem é um animal que faz barganhas. A busca por interesses o guia em meio ao turbilhão de ofertas. Sua fome encontra a saciedade e uma se segue a outra, viciosamente. A justiça de um não é a justiça do outro, e a vontade individual prevalece na arte da negociação conveniente. O interesse comum é o capital. 

"Dirige-se não a humanidade, ao outro; mas ao amor-próprio, a si".

Enquanto o ser urbano tenta escoar seus pensamentos, o ser manipulador e dissidente vai criando, sorrateiramente, maneiras de persuadir aquele ser que o evita, nas capitais, mero cidadão. A criatura faminta prepara o bote, e abocanha o ímpeto do ser urbano agora ludibriado pela fartura, cidadão capitalista.

Satisfazendo o escárnio, o capital devora e se alimenta da ambição humana do próprio interesse. Moedas e cédulas fazem parte da arte suprema da estratégia de barganha que povoa as mentes. 

É uma dedicação psicopata, desregrada e violenta, manipulada sem discrição. 

Com o bom senso em confusão, o homem dependente corre atrás de anistia, desejando o que o torna submisso. O capitalismo primitivo provoca vertigem em uma sociedade que, bêbada, tenta se levantar, sacrificando muito mais do que o valor do dinheiro que carrega nas costas.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Inexorable Change

The times are changing so fast as usual
The clock is ticking, the time is running out
I'm waiting until the moment when the clock stops
Then, I will wait for the eternity

Flashes of thunder among the dark clouds illuminate the storm that is approaching
An apocalyptic storm with the power to move mountains and cause cataclysms
That powerful light in the sky tell me things

Feeling the night time growing nearer
From amidst the darkness I see the stars shining clearer
Shooting stars that make believe we can make a wish
Poky stars that give the impression that tomorrow  sun will shine hotly
These bright constellations also tell me things

The furious seas make plans
To shatter and devour everything and everyone who succumb in treacherous waters
These diabolical seas also tell me things

Cause the impossibility to stop the clock is a prelude to change
Cause the forces of the nature reigns over mankind

The power flashes from the apocalyptic storm are a prelude to change
That shining stars in the sky annunciate a prelude to change
The furious seas also manifest changes

And inside these changes, we're just chess pieces

The times are changing so fast as usual
We can't control these forces
Forces of the inexorable time

No one can ever catch these winds
No one can avoid those storm lights, the beauty stars and the seas, anyway

No one can control the destiny, nor avoid it
The only certainty of destiny is changes
Only changes

Uncontrollable changes, inexorable fact

Life or death, we can't control the destiny, nor changes

We are chess pieces
Pieces on a chessboard that is not played for us

Cause this game is disputed by the change, and by destiny
Not for us


Baseado nas músicas:

- Inexorable Light (Kaledon, Legend Of The Forgotten Reign - Chapter III; 2004)
- Destiny (Stratovarius, Destiny; 1998)
- Falling Star (Stratovarius, Polaris; 2009)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Geração Y - O Preço da Ambição [Parte II]

Depois de ler o 1º post sobre a Geração Y e os tais Yuppies que a representam (http://frameinsights.blogspot.com.br/2013/11/geracao-y-parte-i-quem-sao-os-yuppies.html, você já estará por dentro de:

a) onde surgiu o termo Yuppie;
b) quando a Geração Y foi iniciada;
c) quais as características, valores, traços comportamentais e o perfil em geral que os integrantes dessa geração compartilham entre si.

Agora, falarei sobre duas consequências inevitáveis de se seguir as tendências Yuppies e fazer parte dessa geração: a questão do condicionamento externo, ou, a influência que outras pessoas podem causar nos Yuppies. Em especial, a influência familiar negativa; e o dilema da ambição, que comentarei melhor.

Seja por bem ou por mal, em se tratando de suas carreiras profissionais e estilos de vida, os membros da Geração Y sofrem um considerável preconceito de outras pessoas, principalmente de seus próprios familiares, que muitas vezes abominam o modo de vida "arriscado e arrogante" que seus Yuppies adotam. 

Como os próprios Yuppies respondem a esse preconceito??

- - - - -

PS 1: Yuppie = Membro da Geração Y

PS: A influência negativa da família na carreira profissional ou na vida pessoal de um Yuppie ocorre na maioria das vezes, mas não semprepor fatores inevitáveis que se seguirão nesse post. Isso não quer dizer que um membro da Geração Y não possa sofrer preconceito nenhum, pois isso não acontece nem com um Yuppie nem com qualquer um.

Bom.....vamos lá.

O Preço da Ambição


Os que fazem parte ou pelo menos se identificam com alguma das características dos Yuppies podem acabar compartilhando uma consequência comum de fazer parte dessa geração Y: a frustração e a infelicidade iminentes.

A publicação original em inglês (http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.htmlexplica essa questão da insatisfação dos membros da geração Y conforme o tempo através de uma personagem, que foi apelidada de Lucy.

Nesse post não abordarei a questão dessa forma, mas tratarei de exemplificar da melhor forma possível esse fato consumado: por mais que os membros da geração Y afirmem ser totalmente autênticos e seguros de si mesmo, são eles os que correm mais perigo de serem influenciados, positiva ou negativamente, por terceiros. Especialmente por seus familiares.

Afinal, a convicção é companheira da dúvida.

Pode parecer paradoxal que um Yuppie, tão seguro de si e tão desejoso de obter sucesso e poder possa ser influenciado, ou no caso, impedido e atrapalhado de seguir seus rumos de vida por causa de outras pessoas, afinal, o comportamento de um membro da geração Yuppie costuma seguir uma tendência: a de trilhar um caminho guiado por si próprio

Só que, assim como toda forma de conduta individual que sofre de controvérsias externas (esses tais 'pitacos de terceiros'), esses membros da geração Y também sofrem desse tipo de preconceito. 

E é justamente por isso que os membros da geração Y podem se perder em seu próprio caminho.

Intervenções negativas de outras pessoas são inevitáveis, pois não convivemos apenas com pessoas que fazem parte de nossa cultura; ou que compartilham de nossas opiniões, desejos e interesses; ou possuem estilos de vida parecidos com os nossos (somos seres nada iguais uns dos outros).

Por geralmente possuírem uma personalidade forte, os membros da geração Y podem acabar entrando em um dilema: seguir seus princípios e trilhar a própria vida de uma forma autêntica; ou ceder às críticas muitas vezes estereotipadas de outros grupos de pessoas?

Um verdadeiro membro da geração Y irá responder de prontidão: a 1ª opção. Afinal, eles se consideram plenos donos de si mesmo e totalmente responsáveis por ditar o rumo de suas vidas. Provavelmente irão desconsiderar opiniões contrárias, mas isso de fato não acontece na prática.

Para exemplificar o impacto negativo que intervenções de opinião de terceiros podem causar em membros da geração Y, peguemos o exemplo da publicação original: a influência da família.

A maioria dos pais, tios ou avós dos Yuppies (os Baby Boomers) nasceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, e tiveram grandes chances de terem passado (ou melhor, suportado) períodos de recessão e crise econômica (como a Grande Depressão de 1929 que repercutiu no mundo todo ou na Revolução de 1932 aqui no Brasil por exemplo). 

Esses familiares dos Yuppies, então, começaram a construir suas carreiras profissionais e ditar o rumo de suas vidas em um contexto sócio-político-econômico que os tornou obcecados por segurança econômica, estabilidade financeira, conservadorismo exacerbado e estilo de vida regrado, prático e seguro. Esses "pais, avós e tios" dos membros da geração Y cresceram com o objetivo de conquistar uma carreira próspera e estável. Eles dificilmente deixaram de pensar, no curso de suas vidas, que precisariam dedicar anos e anos de trabalho intenso regrado a muito suor para conquistar essa carreira de sucesso tão desejável.

Assim, esses familiares passaram por experiências de vida que, se foram bem sucedidas, fez com que se sentissem otimistas e gratificados por essa condição. E aí grande parte desses Baby Boomers tiveram filhos (que são muitos dos Yuppies de hoje).

Os pais, tios, avós e quem quer que tenha passado por uma situação muito diferente no passado, foram criados de forma a acharem que o certo seria passar para seus filhos (Yuppies no caso) um legado na seguinte premissa: eles poderiam ser o que quisessem, mas apenas se seguissem o mesmo estilo de vida "batalhador" que tiveram.

Só que os tempos mudaram e, durante as décadas de 80 e 90, o cenário político-social-econômico já era mais flexível e permitia uma experiência de vida mais suave. Essa experiência de vida menos regrada e mais liberal foi vivenciada também pelos Baby Boomers, contestando toda aquela tirania e burocracia que eles suportaram lá no passado, no início de suas carreiras e de suas vidas. O que aconteceu foi que os Baby Boomers, tendo passado por essa transição de uma vida mais difícil para uma vida mais fácil, passaram a desenvolver um senso de liberdade e, acima de tudo, de protagonismo.

A chave da questão aí está no fato de que, tendo os familiares 'Baby Boomers' introduzido essa identidade de protagonismo em seus filhos 'Yuppies', estes, de uma forma ou de outra, criarão e manterão guardados em seus inconscientes que podem ser o que quiserem, ou seja, que podem ser verdadeiros protagonistas, decisores diretos de suas vidas

Os Yuppies acabam tendo um pensamento similar a de seus familiares 'Baby Boomers'. Pensamento que tanto criticam e evitam, mas que acabam aderindo.

E esse fator de influência externa tornou os Yuppies esperançosos sobre suas carreiras. Eles reviram todos seus objetivos. Perceberam que poderiam ser muito mais do que pensam. E que talvez poderiam controlar seus destinos. 

Então, os Yuppies passaram a desejar fervorosamente uma prosperidade econômica, assim como seus pais desejaram. Mas os Yuppies desejam essa prosperidade colocando a si próprios como elementos da mudança e totais senhores de suas devidas recompensas. Os Yuppies então assumiram um cenário de altíssimas expectativas para com suas carreiras profissionais.

Essa elevada expectativa dos Yuppies pela prosperidade de suas carreiras é fruto de uma autodefinição equivocada: a de que são especiais, e principalmente mais especiais do que seus familiares foram. E isso leva a um senso de objetividade de que o rumo de vida que tomam é muito mais próspero do que aquele trilhado por seus pais. 

Mas o problema é que os Yuppies não são sempre exclusivos, especiais, notórios. Eles podem o ser, mas isso poderá se comprovar com o tempo. Ou não.

Ao pesquisar sobre a Geração Y e seus Yuppies, o especialista Paul Harvey descobriu de fato que os Yuppies: a) "tem expectativas irreais e uma forte resistência para aceitar feedbacks corretivos"; que b) "uma grande fonte de frustração para pessoas com um forte senso de protagonismo são as expectativas não atendidas"; e que os Yuppies c) "possuem um senso de importância incoerente com seus níveis de habilidade e competências". 

A fórmula é muito simples. Quando as expectativas (Expectations) são altas e a realidade (Reality) não corresponde a elas, geram insatisfação. Quando as expectativas são baixas e a realidade se mostra melhor, elas geram satisfação (ou felicidade: Happiness).



Como Yuppies elevam suas expectativas de forma extrema e ilusória, acabam por se sentir constantemente injustiçados pelas recompensas que recebem. Acabam em frustração generalizada. Acabam insatisfeitos. Não tão felizes como queriam.

Essa extrema ambição dos Yuppies acaba por criar um dilema natural: as expectativas superiores em detrimento de resultados insatisfatórios. A realidade empalidece

Aí vão as perguntas: 

Os Yuppies (determinados, ambiciosos e promissores), também irão empalidecer frente a esse dilema frustrante?? 


ou

Os Yuppies irão virar o jogo? Irão superar atribuições negativas e conflitantes de outras pessoas? Irão viver suas vidas intensa e perigosamente? 

E acima de tudo, os Yuppies irão corresponder satisfatoriamente às suas expectativas de carreira?? 

Não depende de ninguém mais do que os próprios Yuppies para responder a esses dilemas. 

E não é justamente a independência o que eles tanto desejam? 

Assista ao vídeo feito pela agência BOX 1824 sobre a geração Y: http://www.youtube.com/watch?v=c6DbaNdBnTM



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

9 Mentiras Que Contamos a Nós Mesmos

Passamos todos os dias criando dilemas, frescuras, picuinhas e paradoxos mentais que podem fazer com que nos conheçamos melhor, mas que com certeza podem atrasar nossas vidas em um nível até destrutivo.

A seguir, 9 mentiras que todos nós contamos a nós mesmos, e que continuaremos a contar, a não ser que não acreditemos nelas, é claro. 



1) “Se eu pudesse ter X, então a minha vida seria incrível”



Faça uma escolha do que seria o seu X: comprar um carro novo, viajar para as Bahamas, fazer sexo, andar de bicicleta aos domingos, tanto faz. Com certeza existem muitas coisas que não temos, mas desejamos ter. 

Faz parte da condição humana assumir um comportamento frustrado ao se notar a ausência de algo que desejaríamos ter tanto. Mas se você associa essas “faltas de alguma coisa” ou “incoerências” apenas como sendo sinônimos de problemas, saiba que estará subjugando a si mesmo a um estado de insatisfação induzida constante.

Isso significa que você não deve se prender a dilemas e sentimentos frustrantes apenas pelo fato de “não possuir” alguma coisa, pois esse sentimento de ausência é inevitável, mesmo quando não há um vazio. Por isso, busque aprender a se divertir. Aprender a gostar de um desafio. Aprender a explorar novas possibilidades. Aprender a elaborar melhor seus objetivos. Aprender a diferenciar quando um desejo provém de uma necessidade real ou quando ele é apenas um fútil desejo insatisfeito.


2) “Se eu tivesse mais tempo, gostaria de fazer X”


Pura besteira. Ou você quer realmente fazer algo, ou não quer. Ou você acha que vale a pena se comprometer em alguma coisa, ou não vale. Se você ficar criando conjecturas sobre o que poderia ou não ter feito, vai acabar se confundindo e entrando em um conflito pessoal: entre o que deveria fazer e o que gostaria de fazer.

Você deve investir em algo que importa para você ou lhe faça algum sentido, em vez de se amargurar por deixar de fazer alguma coisa que poderia ter feito, mas não fez.

Esqueça aquilo de dizer: “Ah...eu gostaria de fazer isso ou aquilo muito mais ou melhor do que estou fazendo agora”. Se você ainda não fez, é porque ainda não quer fazer, então pare de se cobrar antes da hora. 

Algumas tarefas devem ser feitas de acordo com o que você pode e precisa fazer, como uma atividade profissional chata ou uma visita ao Detran, e outras podem ser escolhidas com base no que você pode e gostaria de fazer, como uma viagem ao campo em um pleno inverno, ir a um concerto de música clássica ou mesmo visitar seus parentes a muito tempo distantes.

3) “Se eu disser ou fizer X, as pessoas irão pensar que sou um estúpido”


O fato é que a grande maioria das pessoas não está nem aí para o que você faz ou pensa, mesmo que demonstrem estar. O que elas se importam é o que você faz ou pensa que irá afetar a vida delas. A questão aí está: quando você se importa com o que te falam ou pensam sobre você é porque aquilo pode te afetar de alguma forma, mas se você fingir não ouvir o que os outros acham de você, estará apenas fingindo mesmo. 

Porque é natural você se importar com os outros, positiva ou negativamente, de uma forma ou de outra. Isso é viver em sociedade

Você tem medo do que irão pensar sobre você, certo? Mas esse medo não virá das atribuições dos outros, virá sim do que você achará de si mesmo daquilo que os outros interpretaram de você. Então, pense menos sobre o que irão achar ou pensar de você e mais sobre o que você mesmo poderia melhorar em si próprio.

4) “Se eu apenas dizer ou fazer X, então essa pessoa vai finalmente mudar”


Você não pode mudar as pessoas e nem tem essa capacidade. Você só pode ajudá-las a mudar a si mesmas. Surge a necessidade de mudar ou ajudar alguém quando já notamos alguma deficiência ou mesmo uma necessidade latente não atendida em nós mesmos.

Conselhos e apoios devem ser oferecidos de forma incondicional. De outra forma, não serão conselhos ou apoios, e sim apelativos ou invasões, que mudarão suas reais intenções para com as pessoas que você se importa. 

Vai do: querer ajudar alguém; para: prejudicar alguém. E não é isso que você deseja, certo? Nem para si mesmo nem para os outros, creio eu.

5) “Tudo é uma maravilha” ou “Tudo é uma merda”


Realmente, costumamos agir como seres extremistas. Ou é uma coisa, ou outra. Ou é muito forte, ou fraco demais. Ou é muito grande, ou muito pequeno. Tudo é perfeito, ou tudo é uma grande ruína. Pensar assim de forma determinista pode ser ruim, pois o extremismo vai na contramão de um equilíbrio vital que deveria permear nossas vidas.

Nós costumamos classificar as coisas conforme autojulgamentos do que nos faz bem ou mal, mas o fato é que a grande maioria das coisas não são classificáveis. Alguns aspectos da vida, como a velhice por exemplo, assumem uma natureza satisfatória ou não, dependendo de como a enxergamos e percebemos fatores como este dentro de nossas vidas. 

Temos a virtude do livre-arbítrio, e isso já é maravilhoso. Temos a chance de escolher diferente quando não está bom ou optar por não mudar quando já há uma percepção do ideal. O que está na nossa alçada é entender que temos a possibilidade de optar pelo oposto, pelo diferente. E se o oposto significar o melhor, então que seja assim. Caso contrário, contente-se em simplesmente não mudar. 

O conformismo não é um mal necessário, mas às vezes é preciso tomar atitudes conservadoras.

6) “Há algo de internamente errado ou diferente em mim”


Essa mentira é o que sustenta nossos sentimentos de vergonha interna. Não devemos ter vergonha de sentir vergonha. Dizer que existe algo errado ou inadequado em nós mesmos é natural, e um dos efeitos colaterais de se viver em sociedades globalizadas e estabilizadas.

Outro efeito é a alta competitividade entre as pessoas. Precisamos nos sentir bem consigo mesmos e, caso isso não seja possível, podemos pelo menos tentar nos sentir melhor do que um outro alguém, e isso nos faz sentir melhor. Seja cruel ou não.

Essa concorrência social também faz com que percebamos erros e inadequações nos outros, mesmo quando esses fatores negativos não existem de fato. E isso se dá pela necessidade corrosiva de se criar ou enfatizar defeitos em outras pessoas que, se não as desvalorizarem de alguma maneira, pelo menos irão valorizar a nós mesmos e nos permitir pensar que temos alguma vantagem sobre essas pessoas, que é o que queremos. O mundo competitivo gera essa consequência, de colocarmos as pessoas como adversárias, quando deveriam ser integrantes de um mesmo time.

7) “Eu mudaria, mas não posso por causa de X”


Você está dando desculpas, a não ser que queira mudar. Se você realmente quer mudar, então irá acabar lutando por essa mudança. Se não tiver certeza de que quer mudar ou não tomou nenhuma atitude para esse fim, é porque a maneira como você está agindo atualmente está lhe proporcionando algum tipo de benefício, mesmo que inconsciente. 

Existe uma necessidade de sermos melhores ou mais importantes do que já somos. Só que devemos diferenciar uma necessidade que requer uma mudança de comportamento, de uma conduta que requeira uma mudança de perspectivas. 

Você não mudaria se não tivesse certeza de que essa mudança lhe beneficiará. Mas se você não enxergar benefícios nas transformações, então não deseje mudar. Nesse caso, em vez de contar mentiras a si mesmo, poderia contar uma verdade, a de que você não necessita mudar, e aí talvez você mude.

8) “Eu não posso viver sem X”


Na maioria dos casos, você pode. Nós, como seres humanos, temos uma capacidade inimaginável de nos adequar a diferentes situações. Dizer que não podemos viver por alguma coisa seria o mesmo que negar um fator que nos faz humano: a evolução adaptativa.

É muito melhor aprendermos a viver sem aquilo que tanto desejamos. Faz com que agente dê mais valor e aproveite melhor aquilo que nos falta, e também impede um aprisionamento causado por uma dependência de algo que podemos nem mesmo almejar. 

Depender de algo significa que devemos nos adaptar a viver sem esse algo. Se você afirma que precisa de alguma coisa, então deve se convencer de que a falta disso também é possível, até provável. Na maioria das vezes, o que se diz precisar não é o que realmente se precisa.

Reformule suas necessidades e perceba que algumas delas não são realmente necessidades, e sim especulações, picuinhas, atrasos de vida. O que importa não é o que temos ou usamos, e sim o significado de cada atividade e cada relacionamento que participamos.

9) “Eu sei o que estou fazendo”


Se nós soubéssemos sempre o que estamos fazendo, não teríamos dúvidas. Sem dúvidas, não aprenderíamos nada de novo. E sem aprender nada de novo, acabaríamos, cedo ou tarde, sem saber o que estamos fazendo novamente, pois não aprendemos aquilo de que precisávamos para fazer seja lá o que for.

Em vez de dizer que sabe o que está fazendo, faça. Se não pôde fazer, é porque não foi capaz ou porque não sabe de alguma coisa necessária para fazer. Mas aí, é melhor afirmar não saber de nada, em vez de perceber depois que não soube o que estava fazendo, e talvez se frustrar.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Geração Y - Quem São os Yuppies? [Parte I]

Correu e ainda corre por toda a mídia um artigo falando sobre a Geração Y, a geração dos chamados Yuppies (nome ridículo por sinal).

Vários veículos já publicaram sobre esse artigo (pois muitas pessoas se identificaram como membros da cultura Yuppie). Resolvi seguir a tendência porque acho o conteúdo bastante relevante, e não só para quem faz parte dessa geração.......enfim. 

Antes de começar, um pequeno lembrete.....

PS : Yuppie = Membro da Geração Y.

O que é essa tal geração Y?

A geração Y é formada por vários jovens de hoje, que nasceram entre o final da década de 70 e a metade da década de 90. Essa geração agrega uma cultura comum. A cultura chamada Yuppie (quem nunca exclamou um "YUPPIE!!" de alegria??) ( ;

O termo Yuppie descreve um conjunto de atributos e traços de comportamentos que vieram a constituir um estereótipo que se acredita ser padrão nos EUA e principalmente nos países do Ocidente. Contudo, essa expressão já vêm se tornando meio pejorativa desde a sua criação.

A palavra Yuppie é uma derivação da sigla norte-americana "YUP" (Young Urban Professional), ou seja, "jovem profissional urbano". Nesse grupo estão misturados os jovens profissionais entre 18 e 40 anos de idade, com a maioria numa situação financeira transitando entre a classe média e a alta.

Variações a parte, esses jovens compartilham algumas características, muitas delas apenas estereotipadas. Como parte de seu elevado ego, provavelmente esses jovens irão afirmar, para quem quiser ouvir, algo do tipo:

  • 'Já estou formado(a)'; ou 'Tenho uma formação universitária'
  • 'Trabalho muito, ganho muito e gasto muito, mas quero trabalhar menos'
  • 'Meu guia é a prosperidade'
  • 'Sou profissional'; ou 'Faço minhas atividades no trabalho com responsabilidade'
  • 'Valorizo bens materiais, principalmente os da moda, e sigo as tendências'
  • 'Tenho valores pessoais e profissionais bem determinados e esclarecidos'
  • 'Estou seguro(a) de mim, mas também estou seguro(a) de que posso ser muito melhor do que sou'
  • 'Gosto de participar de grupos de influência' ou 'Sou muito influente'
  • 'A popularidade me atraí'
  • 'Vou levar algum tipo de vantagem em algum relacionamento'
  • 'Uso apenas produtos de confiança e que me agreguem valor'
  • 'Possuo um estilo de vida ativo'; ou 'Sempre tenho o que fazer'
  • 'Posso contribuir em quase tudo'; (ênfase no "quase")
  • 'Me preocupo muito com minha aparência, principalmente física'
  • 'Desejo sucesso, status, reputação, reconhecimento social e tudo mais  que puder conquistar'; ou 'Sou extremamente ambicioso(a)'.

Ouvindo essas frases de alguém, se nota que esse alguém é ou afirma ser uma pessoa extremamente ambiciosa, confiante de si, determinada e comprometida social e profissionalmente, influente nos meios com os quais interage e conhecedora do suficiente que precisa saber para conquistar o próprio sucesso. 

Os Yuppies se sentem especiais. Consideram-se protagonistas de uma história muito importante.

Perfil Yuppie

Traços em comum que se percebe nesses perfis da geração Y são indicadores de um comportamento:

a) Ousado - esses jovens se questionam o tempo inteiro, promovem transformações estruturais e quebram paradigmas; se sentem confortáveis em tarefas desafiadoras e, especialmente, geradoras de inovação.

b) Curioso - esses jovens querem desafiar o status quo, querem reformar processos e padrões existentes e para isso consideram e exploram novas possibilidades.

c) Enérgico - esses jovens não poupam esforços para defender ou provar o que julgam ser correto; possuem um elevado estoque de energia e motivação para promover um grande desenvolvimento através de inúmeras e diferentes experiências.

Esses traços parecem bem positivos, promissores. Mas a existência desses traços demanda maiores responsabilidades, e cuidados. Esses jovens ousados, curiosos e enérgicos precisam lidar com suas qualidades e tudo que advém delas, como a indecisão, a falta de foco e uma possível incompatibilidade de valores.

Na publicação original, os autores deram 3 dicas (leia a 2ª dica duas ou três vezes) para esse membro da geração Y:

1. Continue ferozmente ambicioso - entre de cabeça em algo que goste. Busque sempre realização e sucesso profissional, e esteja ainda mais atento às novas possibilidades e tendências.

2. Pare de pensar que você é especial - o fato é: você não é especial. Especial é um termo que significa 'fora do comum', 'superior', 'notável', 'exclusivo', 'singular'. Você é diferente dos outros sim, mas não especial. Se todas as pessoas que dizem ser especiais fossem de fato especiais, o termo 'especial' não existiria, pois todos seriam especiais e não haveria distinção entre especial e 'normal'. Então não se iluda.

3. Ignore todas as outras pessoas - aquela impressão incômoda de que o gramado do vizinho é sempre mais verde, pois então. Cuide do seu gramado e se dedique para que ele permaneça verde, porque o vizinho não deixa de pensar também que o seu gramado é mais verdinho que o dele. Se você se dedicar às suas coisas, terá menos tempo para pensar no gramado dos outros, e evitar inveja. Faz bem.

Os jovens Yuppies devem ter cautela acima de tudo, pois seus estilos de vida automaticamente geram mais escolhas conflitantes e consequências de suas ações frente a elas (ver o post: http://frameinsights.blogspot.com.br/2013/10/o-paradoxo-da-escolha.html)

A intensa competitividade que os jovens Yuppies da geração Y vivenciam pode fazer com que vivam uma realidade de incoerência de valores pessoais com os sociais ou profissionais. Não deixe de ser quem você é. Yuppie ou não.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Capitalizing Kids

Em 2003, apenas 8% das crianças influenciavam fortemente seus pais nas decisões de compra. Hoje, 49% participam desse processo de forma intensa e, segundo diversos estudos, esse índice passará a ser de 82%.

As crianças não exercem apenas o papel de influenciadas. Elas são potenciais influenciadoras. Elas gastam seu próprio dinheiro em produtos e serviços, fruto de sua mesada. Essas crianças representam um mercado colossal em crescimento, em que o adulto consumidor de amanhã é a criança de hoje. 

O maior problema da publicidade e da propaganda dirigidas às crianças em geral é que elas criam um jogo sujo: colocando as crianças contra os pais; lhes dando poder em equivalência a de seus responsáveis.

Os pais (já bem inseridos nessa sociedade capitalista, sujeitos aos estímulos, manipulações e malandragens midiáticas), entram nesse jogo; se sentem pressionados, e ao mesmo tempo familiarizados ante a assustadora semelhança de suas condutas de consumo com a de seus filhos.

A partir da gradual inserção das crianças no universo capitalista do qual seus pais fazem parte, as mesmas também se sentem parte integrante de uma cultura infantil comum. Cultura alinhada ao capitalismo inevitável. Cultura baseada no consumismo como premissa; no poder como requisito que deve ser seguido. 


As crianças percebem nesse jogo que vão ganhando mais status e reconhecimento social; mas vão perdendo sua infância na mesma velocidade a que se adequam a padrões de consumo globalizados, estigmatizados.


A relação entre pais e filhos passa a ser intermediada não por emoção, respeito e empatia, mas sim por objetos materiais e o que for necessário para adquiri-los. Essa ambientação familiar material impulsiona a criança na direção de um mundo que diz que o sucesso vêm da posse de recursos, vem do verbo ter. Essa ambientação oferece à criança uma ilusão de poder, de fazer parte de algo que ela julga ser maior que seus valores familiares, ou até de seus próprios valores.


As crianças aprendem a trocar coisas, a barganhar por algo e a buscar sempre uma condição de favorecimento. Só que sentindo-se favorecidas, e na mesma medida, satisfeitas nessa condição poderosa, elas perdem intimidade e carisma. Reduzem suas percepções de empatia. Degradam suas relações sociais íntimas e diminuem sua capacidade de comunicação afetiva e harmoniosa de que tanto necessitam nessa fase de suas vidas, e de que tanto precisarão no futuro.


Sobre o mundo baseado em consumo e poder como oxigênio e as crianças que o respiram, dois documentários são bem interessantes:


- Um deles, "Criança, a Alma do Negócio" de Estela Renner, há vários flagrantes de enganosidade e abusividade com crianças.


- Outro, chamado "Consuming Kids: The Commercialization of Childhood", centra-se no crescimento explosivo do marketing infantil, na esteira da desregulamentação, mostrando como os comerciantes jovens têm usado os últimos avanços da psicologia, antropologia e neurociência para transformar crianças americanas (e de outras partes do mundo, é óbvio) em consumidores rentáveis e poderosos.


E esse marketing infantil não possui um direcionamento limitado. Pelo contrário, ele está literalmente por toda parte. No ônibus escolar, nas salas de aula, nos telefones celulares, na internet, nos murais dos corredores dos colégios, nas lanchonetes e cantinas, no cinema e em teatros, nas igrejas e se bobear, no céus e embaixo da terra também.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Inspiração e Liderança

Porque a Apple é tão inovadora? Ano após ano, eles são mais inovadores que todos seus concorrentes, tendo acesso às mesmas mídias, às mesmas agências, aos mesmos consultores que as outras empresas de tecnologia, ou não? Então porque eles parecem ter alguma coisa diferente?

Simon Sinek é responsável por uma das 7 palestras mais assistidas do TED, a maior conferência de inovação e compartilhamento de ideias do mundo. Ele discute sobre fatores determinantes do sucesso de uma empresa e de aspectos diferencias de liderança.

Sinek começa argumentando sobre a finalidade de grande parte das empresas (e também de grande parte das pessoas, já que estas compõem uma organização). Primeiro, ele lembra que muitos fracassam simplesmente por não conhecer a fundo suas finalidades; sem contar aqueles que não sabem absolutamente nada sobre aquilo que estão vendendo, divulgando ou mesmo falando.

Ele diz que todos podem saber o que fazem, como fazem e onde fazem (pelo menos deveriam saber). Mas a questão aí não é saber o quê, onde, como e nada disso, pois isso importa menos. O que empresas e pessoas deveriam se questionar é o por quê do que estão fazendo (seja vender churros na rua para pessoas que desejam comer rapidamente, construir pontes estaiadas para facilitar o fluxo de carros entre distritos e cidades ou palestrar sobre os benefícios de um novo produto orgânico no mercado).

Qual é a sua causa? Qual o seu propósito? Qual a sua finalidade? Porque você ou sua empresa existem? Porque você sai da cama de manhã cedo? Por quê você faz o que faz?


- - - - -

Para explicar seu raciocínio, Sinek criou um conceito apelidado de círculo dourado. Talvez receba esse nome pelo fato de que líderes, funcionários e consumidores inspirados são a maior fonte potencial de sucesso nas empresas, e o sucesso gera lucro e riqueza (associação: riqueza-ouro-dourado).


Ele diz que a colossal maioria das empresas se manifesta e divulga ao público sobre seus propósitos de fora para dentro do círculo, ou seja, começam comunicando para si e para seu público "o quê fazem" (WHAT), "como fazem" (HOW), e só depois se preocupam em questionar e transmitir o "por quê fazem" (WHY) determinado negócio.

Essa maioria costuma agir dessa maneira por ser mais fácil de se dizer sobre a natureza do negócio em vez de comunicar quais são as causas maiores e as pretensões-fim de um negócio. E essa "comunicação do mais fácil", "de fora para dentro do círculo", é um sério fator limitante de vantagem competitiva para instituições que agem assim. 

É limitante porque não é inspirador.

Simon afirma que o maior diferencial que uma empresa pode oferecer é uma liderança e uma gestão de negócios baseada na clareza de finalidade e na inspiração das pessoas. E para isso, devem começar comunicando para o mundo sobre o por quê do que fazem, ou seja, agir de dentro para fora do círculo, como demonstrado abaixo:




- - - - -

Ele comenta sobre como a grande maioria das pessoas "se vendem", e em como a maior parte das empresas fazem seus programas de marketing. Uma empresa de tecnologia por exemplo:

"Nós fazemos ótimos computadores ("O quê" fazem). Eles são lindamente projetados, têm uma interface amigável e são fáceis de usar ("Como" fazem). Você quer comprar um?"

Eu não iria querer.

Nesse caso, onde está a finalidade do programa de marketing? Cadê o "por quê" de vender tal produto??

Sinek lembra que a maioria de nós se comunica assim, e é dessa mesma forma que a maioria das vendas também são feitas: tratando do que menos importa para o que mais importa, e muitas vezes o que realmente é importante nem é considerado

Dizemos o que fazemos, como somos diferentes ou melhores, e então esperamos que alguém tome algum tipo de atitude (uma compra, um voto, um elogio que seja). 

Uma empresa automobilística vendendo um modelo de automóvel:

"Ele é econômico, tem bancos de couro, ótimo acabamento e design. Compre nosso carro".

Isso pode se mostrar eficiente, mas não inspirador.


A Apple e a Inspiração 


Sinek explica como a Apple é inovadora e possui uma causa original e verídica, apresentando sua finalidade antes de pretender vender algum produto ou convencer alguém:

"Tudo o que fazemos, nós acreditamos em desafiar o status quo. Nós acreditamos em pensar de forma diferente ("por quê" fazem). A forma como desafiamos o status quo é fazendo nossos produtos muito bem projetados, fáceis de usar e com uma interface amigável ("como" fazem). Acabamos fazendo excelentes computadores ("o quê" fazem). Quer comprar um?

Agora sim eu compraria. Tendo dinheiro e precisando de um computador, é claro.

Tudo o que Sinek fez foi inverter a ordem das informações. Em vez de começar com o quê se faz até tentar se comunicar o por quê do que se faz, o ideal é se fazer o contrário. Começar pela finalidade, pelas razões de existência, para depois comunicar o quê se faz ou como se faz.

Esse argumento de Simon Sinek prova que as pessoas não compram o quê você faz. Elas compram "o porquê você faz".

Se você contar para as pessoas no que você acredita, vai fatalmente atrair aqueles que acreditam no que você acredita. 

O objetivo aí não é fazer negócios com todo mundo que precisa do que você tem (eu mesmo sempre pensei assim). O objetivo é fazer negócios com pessoas que acreditam no que você acredita.

Bio-psico da Questão


Para reforçar esse fato, Sinek cita fatores biológicos e psicológicos que explicitam a veracidade de se fazer com que as pessoas se sintam engajadas e inspiradas, em vez de convencidas ou determinadas a tal coisa. Ele afirma que o cérebro humano pode ser dividido em três partes que se correlacionam, da mesma forma que o círculo dourado.

O neocórtex seria o nível "o quê" do círculo. O neocórtex é responsável por nosso pensamento analítico, racional e pela linguagem.

O sistema límbico é responsável por todos nossos sentimentos, como confiança, lealdade e amor. Também é responsável por todo comportamento humano, tomada de decisão, mas sem capacidade para linguagem. Seria o nível do "por quê".


Sinek argumenta que quando nos comunicamos de fora para dentro do círculo (desde o nível "o quê" até o "por quê"), não influenciamos o comportamento das pessoas

Mas quando nos comunicamos de dentro para fora do círculo (do nível "por quê" até o nível "o quê"), falamos diretamente para a parte do cérebro que controla o comportamento, e então permitimos que as pessoas racionalizem com as coisas tangíveis que dizemos e fazemos. E daí que vêm as decisões intuitivas. 

E daí vêm a diferença entre tentar vender algo a alguém; e fazer com que a pessoa se sinta na posição que deseja para comprar o que se têm para oferecer. 

São as verdadeiras motivações e necessidades humanas que vêm antes de qualquer vendeta ou promoção barata que se faça.