segunda-feira, 15 de julho de 2013

Budas e Cristãos

Pra ajudar a entender o que seria considerado bom para o homem, correntes religiosas e filosóficas dão bases concretas e também espirituais, que tentam oferecer algum sentido entre as experiências humanas e a existência de possíveis "seres divinos".

Queremos acreditar que essas divindades que se venera e se devota uma gratidão são responsáveis por nos proporcionar uma vida com mais serenidade, esperança, plenitude e salvação. Uma vida idealizada.

Há responsabilidades comuns entre as religiões. Todas devem trabalhar a realidade humana, buscar respostas e elaborar regras de convivência. A descoberta de semelhanças entre as religiões com certeza facilita a tolerância em assuntos divergentes.

Duas correntes religiosas, uma do Oriente e outra do Ocidente, possuem semelhanças e também diferenças, sendo ambas completamente distintas uma da outra. Trata-se do Budismo e do Cristianismo.


Semelhanças 


Mesmo com diferenças radicais, Budismo e Cristianismo são dois grandes "caminhos de salvação" que objetivam levar ao mesmo fim: a felicidade eterna. Carregam em si uma riqueza cultural e histórica, são parte e parcela da grande empresa coletiva da construção da sociedade humana.

Budismo e Cristianismo têm tentado levar seus povos, cada uma com seus próprios métodos, a encontrar a distinção entre verdadeiro e falso, certo e errado, amor e ódio, solidariedade e egoísmo, tolerância e intolerância, moral e imoral, em todos os campos do pensar e agir humanos. A humanidade se torna um fator muito mais importante de ser procurado ante a cultuação cega e desmedida á seres superiores como forma de se encontrar o paraíso pleno.

A humanidade budista e cristã: seguindo o critério humano, se tem que a verdadeira humanidade só se pode dar com a presença de uma verdadeira religião, sendo o respeito pela dignidade humana e pelos seus valores fundamentais um requisito a qualquer manifestação religiosa. Então, uma religião verdadeira seria uma forma de que a verdadeira humanidade seria possível, ao se trilhar caminhos baseados nessas doutrinas religiosas (mas sabe-se que não é bem assim). Não que a religião determine a humanidade, mas uma não é possível sem a outra. Elas separadas, são apenas vulgos paradigmas, mas se coexistirem, se tornam um termômetro de que os valores humanos possuem uma forma de vinculação a uma universalidade absoluta indispensável á existência do ser humano.

Budismo e Cristianismo pregam a busca da iluminação, o despertar, a salvação.

O mal percebido seria o apego á aparência do ser, a gula desmedida por vida e felicidade e o suprimento constante da satisfação de desejos terrenos. A despeito das diferenças, é comum a elas que o ser humano necessita de salvação, pois no mundo existe negatividade demais para que seja aceito tal como é. Então, somente uma "iluminação salvadora" permite ao ser humano fugir do que o diminui.

Budismo e Cristianismo consideram a questão do desapego á coisas materiais. Tudo seria transitório, e nada definitivamente nosso, pois "a aparência desse mundo passa". Não prender-se a esse mundo, mas aprender a largar as coisas. Nisto budistas e cristãos também são unânimes.

Por fim, tanto a tradição cristã quanto a budista prezam a sabedoria, que seria distinta, segundo as doutrinas, da ciência. Não pergunta apenas pelo que se pode saber, pergunta antes pelo que convém, pelo que importa e pelo que dá certo. Resultam de experiências de vida.


Diferenças


A primeira via distinta se refere á Deus. O Budismo é majoritariamente considerado como uma religião ateia, no mínimo agnóstica, mesmo que muitos acreditem que também fala de Deus, já que este estaria relacionado a realidade que move o universo e as forças que o regem. 

No início de todas as coisas existe um propósito, uma intenção, um sentido, uma espécie de realidade cósmica. A fé cristã pensa diferente. Nela, Deus está sempre presente nas obras do mundo, e acredita que o amor é a força fundadora do cosmo. No budismo, a realidade fundante do cosmo não é uma lei, e sim uma vontade, sendo que Deus está em nenhuma evidência.

O budismo considera que o sofrimento é o maior mal da humanidade, oferece vias pra superá-lo, conduzindo assim a felicidade e respectivamente, a perfeição. A fé cristão afirma outra coisa, não enxerga no sofrimento, mas sim no pecado a causa última da desgraça humana. O Cristianismo também anseia pela superação do sofrimento, no entanto, evitar o sofrimento definitivamente não é a meta da existência cristã.

Diferente do Cristianismo, a ética budista e a salvação são parte salvífica do próprio ser humano (auto-salvação). Pros cristãos, a salvação é possível somente através de Deus, claro, pelo Cristianismo ser uma religião reveladora.  A lei cósmica budista não ama. Na lei cósmica budista não existe Deus misericordioso que agarre a mão dos fracos quando precisam e que detém o poder de subjugar tudo e qualquer coisa por sua onipotência indiscutível. 


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Segue o link de uma entrevista da revista Época sobre o livro "O Monge e o Lama", sucesso de vendas do sociólogo francês Frédéric Lenoir, que trata dos confrontos budista-cristãos: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT553824-1655,00.html

Ver: Budismo e Cristianismo em Diálogo. Gottfried Brakemeier.

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