quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ainda na Fazenda

Jean Wyllys chegou ao Congresso Nacional para defender os direitos humanos e a comunidade LGBT. 2 anos depois, o deputado percebeu que sua causa é uma luta diária.

Da reportagem na revista Superinteressante de março desse ano (sessão "Exército de um homem só", por Carol Castro)

S: Você defende vários assuntos polêmicos (o aborto, a luta contra a homofobia, a regulamentação de algumas drogas). Qual delas encontra maior resistência no Congresso?



J: Os mais odiados historicamente são os homossexuais. Os temas ligados a eles são os mais enfrentados, porque os radicais evangélicos ganham o apoio dos conservadores laicos homofóbicos. Em seguida vêm o aborto, e depois a legalização das drogas leves. O pior é que essas mesmas pessoas, homofóbicas e contra o aborto, se colocam a favor da redução da maioridade penal. Uma gente que fala de moral e bons costumes, em nome da vida, também é a favor do armamento e da redução da maioridade penal.

S: O que mais o decepciona no Congresso?

J: Lidar com a estupidez de muitos deputados. É muita gente sem formação. Vêm aqui para sustentar seus privilégios pessoais ou interesses paroquiais, e não para cumprir as funções de um legislador. E isso não tem a ver com o espectro político de direita ou esquerda.

S: Existem outros que compartilham das suas opiniões por aí?

J: Tem sim. Senão, já teria feito minhas malas. Mas acho que falta a eles o medo de perder o cargo, porque quando se confrontam com a difamação e o insulto, eles recuam por medo de perder o mandato. É importante ter popularidade para se reeleger, mas também é importante ser impopular em alguns momentos, para enfrentar o preconceito das maiorias.

S: Tiririca já declarou que não vai continuar na carreira política, porque descobriu que um deputado não consegue fazer muita coisa. Você também se sente frustrado?

J: O Tiririca não se encontrou. Ele é um artista popular que foi usado por um partido, numa estratégia de marketing muito bem pensada. Eu ainda não sei se vou tentar a reeleição. Ser deputado com esse meu perfil, tocando as pautas que eu toco, não é fácil. E enfrentar as forças opostas tem um custo pessoal e emocional grande. Sinto-me um exército de um homem só. E tenho família - posso estar imune aos insultos, mas meus amigos e familiares, não.

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