sábado, 24 de agosto de 2013

Liespotting - A Verdade da Mentira

Mark Twain uma vez disse que há 3 tipos de mentiras: a) mentiras; b) mentiras deslavadas; e c) estatísticas. 

Esse último tipo é o mais óbvio, já que a estatística procura prever probabilidades sem chance nenhuma de 100% de acerto (ou sucesso); e também reduzir ao máximo as margens de erro inevitáveis (ou fracassos). Esses erros inevitáveis com que parâmetros estatísticos trabalham podem ser associados a mentiras, de uma forma geral.

Em uma aula de Estatística Multivariada, lembro de ter ouvido o professor dar um exemplo, depois de eu (e acho que todo o resto da sala) não entender nada da explicação que ele tinha dado, de que esses erros inevitáveis em eventos estudados na estatística se assemelham a um julgamento em um tribunal, em que um réu acusado não precisa provar sua inocência, mas sim a Justiça deve provar sua culpa. Ou seja, todos são inocentes até que se prove o contrário. 

E funciona assim com as mentiras cotidianas, que também são inevitáveis, como na estatística. Todos mentem o tempo todo, até que se prove que estão dizendo a verdade. Mas essa prova da verdade nunca é totalmente confiável, pois as mentiras (margens de erro estatísticas) estão presentes em qualquer situação que se tente provar. 

O seriado americano "Lie To Me", já cancelado por motivos estratégicos da produtora, foi um sucesso de audiência, principalmente em sua 1ª temporada, e levou as pessoas, como eu, a se perguntarem como alguém pode ler nos outros pequenos detalhes que nos fazem pensar que o que estão dizendo não é verdade.

Twain também disse que: "A verdade é poderosa e prevalecerá. Não há nada de errado com isso, exceto que ela não é assim".

A autora Pamela Meyer, autora do best-seller "Liespotting", deve concordar com ele, assim como eu, após ler trechos e artigos desse livro dela.

A verdade não prevalece, pelo menos na maioria das vezes, mas as pessoas costumam ter um senso otimista e creem que podem confiar nas pessoas, ou seja, invertem as ideias do exemplo do julgamento em um tribunal. Procuram acreditar que o que ouvem é verdade, e muitas vezes só se deparam com a mentira e são enganadas muito depois de já confiarem nas pessoas, tendo acreditado nelas. Tentam provar que é mentira, em vez do contrário.

Alguns dados que o livro apresenta são muito interessantes para atestar o fato de que todos são mentirosos, mesmo que as pessoas ironicamente não confiem nesse fato. Ou preferem não confiar.

Em média, uma pessoa mente cerca de 200 vezes por dia. Você pode achar um absurdo esse número, e eu também achei exagerado, mas é porque a mentira engana primeiro quem a conta, e daí viria a ilusão automática de acreditar nessas mentiras antes de transmiti-las a outras pessoas. Amigos, namorados, cônjuges, inquilinos, colegas de trabalho, familiares e vendedores. Eles nos mentem o tempo todo, e nós também. 

Diariamente, de hora em hora, constantemente. E não apenas as mentiras faladas, mas também aquelas que são expressadas não-verbalmente (sobre isso, o livro "O Corpo Fala" é muito bom).

Quando se trata de ser enganado, ninguém recebe um passe livre, mas agora Pamela Meyer apresenta ferramentas de que precisamos para identificar, lidar e triunfar onde a mentira reside. Não importa o tamanho e o impacto da mentira, se é disfarçada ou não, ou se é baseada na própria estatística.

Trainspotting ensina técnicas de análise e interpretação práticas que comprovam a garantia da detecção de mentiras e todas as outras formas de engano verbal e não-verbal. Essas técnicas foram desenvolvidas pelo sistema nacional de espionagem americano, agências públicas de segurança e de aplicação da lei dos últimos 75 anos.

Muitas dessas técnicas altamente sofisticadas foram descobertas e aperfeiçoadas por renomados psicólogos e psicanalistas nas principais universidades de pesquisa americanas.

No próprio site do livro Liespotting há um exemplo. Considere o seguinte: Durante um dos estudos feitos (e que fazem parte do livro), se descobriu que, ao longo do período de 1 semana, as mentiras foram detectadas em 37% de todas as chamadas telefônicas verificadas, em 27% nos encontros face a face, 21% nos bate-papos (então se mente mais ao vivo do que pelo Facebook, por essa pesquisa); e em 14% dos e-mails.

Talvez, esse aparente surto de mentiras que ocorre mais em encontros pessoais (em que realmente se olha "olho no olho"), do que em redes sociais ou mensagens eletrônicas instantâneas, seja porque recebendo uma mensagem escrita você não analisa os traços típicos do corpo da pessoa, e sim apenas suas intenções, e dessas intenções, você interpreta o significado da mensagem que recebeu (mentirosa ou verdadeira, por exemplo); diferentemente de um encontro casual, em que o contato com a pessoa é direto, e você tem mais chances de perceber traços característicos de pessoas que demonstram que não estão dizendo a verdade em algumas situações.

Pamela Meyer também compartilha as mesmas técnicas de detecção de mentiras de Liespotting dentro do mundo dos negócios. Ela tem as usado para treinar executivos de alto escalão das empresas mais bem sucedidas dos Estados Unidos, e também para multinacionais de outros países. Ela explica aos profissionais dezenas de posturas, gestos, expressões faciais e corporais, tiques, manias e palavras que separam as frases verdadeiras das falsas e como detectar mentiras nas situações mais inesperadas. 

Como o filósofo francês Pascal escreveu: "Nós sabemos a verdade, não só pela razão, mas também pelo coração". Em Liespotting, Pamela Meyer mostra como realizar esse dom precioso de saber (ou acreditar?) na verdade, a cada dia de sua vida. Como alguém disse uma vez: "A verdade vos libertará". E ajudará a perceber melhor aquelas mentirinhas do dia a dia.

Então o livro garante 100% de sucesso em detectar todas as mentiras? É impossível atingir esse resultado. 

Mas usando essas técnicas de detecção com frequência, vão se criando padrões em que geralmente se percebe as mentiras mais facilmente em determinadas situações.

Com certeza, uma das tais 200 mentiras diárias que você mais conta, é quando te perguntam: "E aí tudo bom?", e você responde: "Tudo". E talvez quando perguntar: "E com você?", já receba outra mentira da pessoa, que te responde: "Também". 

Mas aí eu já estaria exagerando, pois é óbvio que nessa situação, na maioria das vezes está tudo bem mesmo, e você acredita que também esteja tudo bem com a pessoa, mesmo

Ou seria na minoria das vezes??


Nesse vídeo, Pamela Meyer apresenta seu livro e usa algumas técnicas para a plateia em uma palestra: http://dentados.pt/blog/liespotting

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