quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Razões Religiosas

É estimado que cerca de 90% das pessoas em todo o mundo pertençam a alguma religião (contando as crianças que seriam mais facilmente influenciadas pelas crenças dos pais), ficando claro que a grande parte da população global possui algum tipo de fé, ou algo em que acreditar, além da existência de si mesmo e dos outros no mundo que vivem. A questão é: porquê as pessoas costumam acreditar fervorosamente no improvável ou no desconhecido?

Uma resposta rápida ninguém sabe com certeza, mas existem alguns aspectos em nosso comportamento que nos fornecem algumas dicas. O site Listverse, como habitual, criou uma lista com 8 razões que foram dadas para as pessoas assumirem um comportamento religioso:


8. Superstição


As pessoas costumam ser supersticiosas, senão, possuem algum tipo de superstição para todo tipo de situações. 

Fãs de futebol, por exemplo, relatam que se estão assistindo a um jogo, e por algum motivo acabam se distraindo, e durante esse tempo perdem um gol ou um lance decisivo, eles sentem que devem parar de assistir ao jogo novamente, mas de forma proposital, para ver se realmente acontece outro lance importante enquanto estão distraídos, como se as jogadas decisivas só ocorressem durante o tempo em que não estão prestando atenção ao jogo. 

Embora qualquer um saiba que uma pausa para ir ao banheiro durante o jogo não pode realmente afetar uma partida sendo jogada a centenas ou milhares de quilômetros de distância, o sentimento de "perda de um lance decisivo" nesses momentos distraídos é generalizado e permanece lá, na cabeça da pessoa como uma superstição.

O que é interessante é que a superstição não se limita às pessoas. O psicólogo B. F. Skinner mostrou que pombos também podem ser supersticiosos; ele colocou pombos famintos em uma caixa, e entregava alimento a eles aleatoriamente, e com o tempo, os pombos aprenderam a identificar seus comportamentos que faziam com que Skinner lhes desse comida, e dessa forma, as pombas repetiam esses comportamentos sempre que desejavam alimento. 

Mas como já foi notado, é difícil distinguir entre comportamento supersticioso (seu time fazer um gol sempre enquanto você não está prestando atenção ao jogo); e comportamento religioso (rezar para que seu time faça um gol e ganhe a partida), por exemplo.


7. Interação com "Não Humanos"


Enquanto está digitando ao computador, você interage com certas pessoas, não fisicamente, mas acaba tendo o PC como intermediário necessário para tornar possível a realização dessa interação, como uma conversa, uma transação de negócios ou o envio de um e-mail. Muitas vezes nos pegamos falando (ou gritando) com computadores, carros, chaves de fenda, enfim, coisas materiais que sabemos que não irão nos responder quando estamos frustrados por alguma falha ou problema nessas ferramentas. Seu computador não se tornará menos lento se você esmurrar as teclas ou socar a tela, e nem seu carro ressuscitará se uma pane no motor te deixar isolado na estrada e você começar a chutar a lataria do carro.

Há evidências de que esse comportamento é útil, por exemplo, se você está procurando por algo que perdeu, e em seguida, diz o nome do item em voz alta, fazendo com que seja mais fácil se recordar da localização de tal item.

Se pressionadas, as pessoas dirão obviamente que seus carros, computadores e chaves de fenda não podem realmente os ouvi-los (mesmo gritando), mas as pessoas não conseguem parar de fazer isso.


6. Necessidade de um Propósito


Parece que temos uma capacidade natural para enxergar finalidades para as coisas, como por exemplo, os coelhos podem ter muitas finalidades, eles comem grama, fazem buracos, são usados em shows de mágica, fazem mais coelhos (obviamente), se alimentam de raposas e assim por diante.

Parece que á natural sentir que tudo deve ter um propósito, mas para que servem seres aparentemente inúteis como vespas, por exemplo? As pessoas dirão que é apenas um animal insignificante, sem nenhum propósito, eles apenas "são".

A tendência de dizer que tudo tem um propósito leva a perguntas como: qual a finalidade da vida, da morte, do bem e do mal? Muitos filósofos argumentam que estas não são questões sensíveis, em parte por que são baseadas em pressupostos de que essas coisas "deveriam" ter um propósito. Se você insiste que as coisas tem que ter um propósito, e não enxerga qualquer propósito ou finalidade racional e lógica para tais coisas, então explicações sobrenaturais e sem sentido acabam servindo para que esse propósito seja explicado.


5. Crença na Justiça


As pessoas têm uma crença inata na justiça, principalmente quando se é mais jovem e inexperiente e se ouve muito a frase: "bem, a vida não é justa" de seus pais ou quem quer que seja. Embora a resposta-padrão seja de que a vida não é nem um pouco justa, o sentimento de que a vida deve ser justa está profundamente enraizada, assim como as superstições.

O professor Marc Beloff acredita que um senso de moral é construído no cérebro de todos os mamíferos, mas as pessoas simplesmente odeiam injustiça ou ilegalidade impunes (e estes são fatores preponderantes em diversas religiões com hábitos punitivos). 

É bastante desagradável pensar que as maiores "chamas" da religião provenham da esperança de que as pessoas "más" sejam realmente punidas, se fazendo justiça. Mas se sabe que não é bem assim. Longe disso.


4. Esperança de Vida Após a Morte


Quando alguém morre e as fases de luto são vividas, a pessoa se sente totalmente injustiçada pelo fato de que uma vida pela qual se importa foi tirada do seu alcance. Parece tão errado, tão injusto, tão impensável que justo alguém que amamos e nos importamos está perdido ou morto.

Quem não gostaria que fosse verdade que veríamos essa pessoa novamente, em algum outro lugar? 

Tal como acontece com muitas dessas questões, a nossa mente lógica pode pensar que devemos simplesmente viver nossa vida, e que estar consciente dela é o suficiente. Mas sabemos que isso não é verdade, pois não vivemos isolados e nos importamos com outras vidas tanto como a nossa. Mas nossa mente lógica não é a única coisa que move nossas crenças, e tendemos a supor que encontraríamos o ente querido que perdemos em um mundo distinto ao qual não conhecemos.


3. Adoração a um Líder ou "Seguidor"

Qualquer grupo de gorilas machos possui um líder dominante entre eles, sem exceção. Tal gorila defende o grupo de ameaças, se candidata a uma fêmea potencial antes do restante do grupo, costuma ser o mais forte e geralmente é o mais respeitado por sua autoridade natural proveniente de características que o tornam peculiar, seguido, e admirado.

Os seres humanos não vivem assim, como se sabe, pois costumam viver em grupos relativamente grandes, particularmente maiores em comparação com gorilas e outros primatas, e nós não temos, pelo menos que se saiba, um homem de poder extremo e onipotente atuando no papel de um líder, mas existe uma teoria evolutiva que diz que todos nós, por motivos puramente biológicos e adaptativos, sentimos falta da presença de um líder legítimo.

Há um monte de comportamentos religiosos que são idênticos à condutas de submissão a um macho dominante (olhos baixos, há calma e respeito em sua presença). A diferença é que nosso "macho dominante" não existe de fato.


2. Experiências Espirituais e Psicodélicas


Povos indígenas na América do Sul tomam o Ayahuasca há muito tempo, desde a descrição da erva por missionários europeus no século XVI.

O Ayahuasca é aparentemente fácil de preparar, supondo que você tenha acesso a uma floresta tropical, ferva um pouco de água e aqueça as específicas folhas esmagadas para consumo. É difícil de surtir o efeito em sua potência máxima, mas usuários descrevem esses efeitos como responsáveis por grandes mudanças de vida, experiências espirituais e psicodélicas sob a influência das substâncias químicas presentes nas plantas, responsáveis pelos efeitos transcedentais.

Os seres humanos não mais estranham drogas psicodélicas; há evidências de cogumelos que ofereciam experiências mágicas datadas de tempos pré-históricos, e acredita-se que as religiões primitivas eram uma tentativa, das mais válidas, de explicar as experiências psicodélicas de certas drogas.


1. Proteção


Embora seja difícil saber ao certo de que maneira o comportamento religioso se desenvolve, há geralmente uma das duas razões pelas quais ele sobrevive, ou o comportamento fornece um benefício ou é um efeito colateral de algo que proporciona um benefício.

Á primeira vista, religião é um fenômeno evolutivo, ao passo que sacrifícios humanos e guerras religiosas, por exemplo, são fenômenos históricos, e por consequência também evolutivos, então, como poderia uma simples crença religiosa sobreviver ao intenso processo evolutivo?

Uma teoria, bem longe de ser factual, aponta que uma crença religiosa aproxima e une as pessoas, permite que vivam juntas, em comunidade, sem matar umas às outras.

É bastante provável que os primeiros seres humanos viviam em grupos relativamente pequenos, mas começaram a habitar grupos maiores com a invenção da agricultura, o que os forçou a viver juntos, em comunidade.

Para configurar uma mudança de um grupo pequeno para comunidades maiores, uma crença religiosa poderia muito bem ser o motivo de tais entrelaçamentos entre indivíduos, formando grupos com valores e crenças comuns. Um ponto interessante dessa teoria de aceitação comum é que não importa o que as crenças religiosas são e o que possam significar, mas é importante que todos da comunidade acreditem na mesma coisa.

Isso pode explicar algumas das crenças bizarras nas religiões.

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