terça-feira, 24 de setembro de 2013

Insights - Medicina (Parte II)

No 1º post da seção "Insights", comentei sobre ideias inovadoras que vêm se destacando e se mostrando eficazes na área da Medicina:

Ainda falando sobre a área da Medicina, nesse 2º post eu apresento algumas dúvidas comuns dentro do setor e várias soluções possíveis para que médicos e pacientes criem uma relação benéfica para ambas as partes, resolvendo questões da saúde das pessoas; e também se preocupando com melhores práticas dos profissionais da saúde.


1) Como encorajar as pessoas a adotarem práticas mais saudáveis durante o trabalho?


O maior problema da falta de encorajamento à práticas saudáveis está na mídia. De revistas que estampam famosos magros e secos á programas de televisão que vendem produtos "mágicos" para perda de peso ou para ganho muscular, o conteúdo a que temos acesso nos diz que podemos resolver problemas de saúde de forma bem fácil. Apenas gastando um pouco de dinheiro se consegue ser saudável, eles afirmam. Isso chega a ser engraçado.

A mídia distorce a noção de saúde, muitas vezes. A TV convida as pessoas a se iludirem que podem obter saúde sem qualquer tipo de esforço. A TV diz as pessoas que elas podem comer o que quiser, é só colocar a dose recomendada daquele pó mágico na comida e você consegue uma perda de peso. A mesma TV diz que você pode amarrar um dispositivo eletrônico na cintura ou na barriga e ele irá definir seus músculos por você. E olha só, há várias cirurgias e procedimentos que podem fazer as pessoas lindas e maravilhosas. Como moldes. As revistas mostram que se você tomar coquetéis específicos para seu corpo, não precisa se exercitar. E se existisse um aplicativo que fizesse você mais saudável, as vendas desse software explodiriam. 

Em relação à saúde no mundo dos negócios, o desenvolvimento empresarial de programas bem-sucedidos e eficazes de bem estar passa por vários desafios. Não só quanto às práticas a serem adotadas pelas empresas ( hábitos trabalhistas mais saudáveis e mudança de cultura empresarial ), mas também em relação à resistência que se percebe evidentemente em um número elevado de pessoas quando se trata de mudar de rotina, de hábitos ou estilos de vida.

Um problema fundamental com a abordagem de pensamento de bem estar é de que tudo pode ser evitado. Então, se pessoas não tomam determinadas atitudes consideradas saudáveis, são consideradas fora do padrão, taxadas de preguiçosas, ou simplesmente não estão fazendo a coisa certa. O problema estaria na tirania, em que se considera apenas certos hábitos como saudáveis e se rechaça outros que seriam não-saudáveis.


2) Em vez de se focar apenas na doença, como tratar o paciente como um todo?


Uma mudança de paradigma de um modelo médico é um desafio. Poderia se desafiar a noção de "tratar das doenças e distúrbios do paciente" para "cuidar da pessoa como um todo". 

A 1ª noção foca na doença, e mais tarde, quando se começa a cuidar da pessoa, ela já está tão doente que o foco se limita de fato à doença. A 2ª noção foca na pessoa, e em fazer as pessoas criarem um sentido próprio e em se tornarem melhores, e daí, a preocupação estaria menos em uma "cura" e mais na "prevenção de cura".

Nem todos querem o mesmo tipo de cuidados. As pessoas querem e esperam coisas diferentes no seu tratamento médico, que esteja de acordo com as próprias crenças e valores, e não apenas com o que o médico indica.



3) Como principalmente crianças e adolescentes podem ter um papel mais ativo em se tratando da sua própria saúde?


- Proporcionar a eles um ambiente familiar e amigável, harmônico, e ao mesmo tempo estimular o senso crítico e fazer com que hajam discussões em que haja divergência de opiniões em relação à saúde. Isso faz com que se sintam parte de seu próprio bem-estar, conheçam mais sobre seus corpos e possam até oferecer ajuda para seus próprios pais ou outros adultos.

- Prepará-los para a realidade futura, em que investimentos em saúde hoje podem impactar de forma benéfica na continuidade de suas vidas.

- Oferecer às crianças e adolescentes ferramentas que possibilitam conhecerem mais sobre o que produz saúde e quais os impactos da adoção de um sistema de vida saudável. No colégio, praticamente não há orientações para que crianças sejam mais saudáveis (isso se dá na forma de venda de lanches, hambúrgueres, hot-dogs e salgados). Em vez de dizer a elas: "Você precisa passar em um médico", seria adequado falar-lhes sobre os determinantes da saúde em ambientes e situações variadas, e dessa forma elas conseguirão se adaptar melhor a um modo de vida baseado em maior grau de saúde.



4) Como evitar a falta de comunicação entre a comunidade médica e entre médicos e pacientes?


O Dr. Steven Kussin acredita em 10 barreiras dificultadoras do relacionamento efetivo entre médicos e seus colegas, e entre os médicos e seus pacientes, principalmente.

I) Para os Médicos

a) Tempo: para os médicos, uma interação produtiva e complexa com seus pacientes somente é necessária para problemas complexos. Porém, escolhas médicas são sensíveis quanto a seus impactos, e de fato, os médicos precisariam de bastante tempo para obter o conhecimento necessário de seus pacientes, e assim construírem um espectro da situação, em que todas as opções disponíveis para tratamento são consideradas. (90% dos pacientes querem ter opções diversas, e não apenas uma "melhor" recomendação.

b) Dinheiro: métodos eficientes e velozes de relacionamento com os pacientes demandam investimentos, que não são nem um pouco baratos.

c) Rotina: médicos são humanos, e também seguem padrões. Isso quer dizer que muitos deles seguem fielmente seus métodos médicos, seguindo suas tarefas específicas de especialidade. Ou seja, muitos preferem fazer apenas o que foram treinados para fazer.

d) Estrutura: a comunicação entre departamentos médicos e fornecedores de materiais e bens utilizados no setor não possui coordenação, e muito menos continuidade nessa cadeia logística.

II) Para os Pacientes 

e) Discordância: pacientes costumam discordar de seus médicos (86% dos pacientes acham que discordar do conselho de médicos influenciam diretamente para que o vínculo médico-paciente seja quebrado).

f) Conversas informais: a maioria dos diálogos com os médicos costuma ser demasiadamente pessoas e ineficaz em sentidos claros. Essa comunicação se dá como em uma paróquia (para crentes), ou em uma discussão entre amigos. Ou seja, discussões adequadas (produtivas) entre médicos e pacientes são minoria durante uma consulta.

g) Perspectivas: os pacientes muitas vezes não dizem o que realmente querem, e por consequência, médicos não pedem o que precisam.

h) Informações leigas: a maioria das informações médicos em consultório são ouvidas mais em universidades do que no real mercado de trabalho. Esse apelo acadêmico limita a relação de campo entre médicos e pacientes.

i) Falta de empatia: esse é, na minha opinião, a maior causa de problemas de relacionamento entre médicos e pacientes.

j) Barreiras linguísticas: a comunicação só é possível quando se há uma linguagem comum. Quando uma das partes não entende a outra, a qualidade do atendimento despenca. Tanto médicos quanto pacientes podem pecar nesse aspecto de interpretação do que é falado.


5) Quais são as causas da privação de sono?


Dormir pouco é extremamente mais danoso para o corpo do que comer mal ou não praticar nenhum tipo de exercício físico. Dormir é o fator mais importante dos 3 pilares básicos de saúde, e essa privação do sono seria a responsável pelo aumento da obesidade, stress crônico, doenças cumulativas, problemas cognitivos e inúmeros outros males.

Para o PhD Russell Sanna, boa qualidade do sono não se refere apenas a deitar na cama e dormir por horas a fio, mas também adotar algumas práticas (muitas delas bastante difíceis de se adotar no dia-a dia), como: a) evitar nicotina, álcool, cafeína e outras substâncias que interferem no sono; b) estabelecer uma rotina pré-sono (atividades ou pensamentos que induzam ao sono); c) ir para a cama quando se está verdadeiramente cansado (muitos adiam o sono por ter que resolver algo urgente); d) manter seu relógio biológico em um ritmo estável; e) transformar seu quarto em um ambiente propício para o descanso (muitos usam o quarto para empilhar coisas, montar instrumentos musicais ou encher de bugigangas sem funcionalidade nenhuma); e f) seguir essas recomendações sempre que sua rotina permitir ser possível.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Insights - Medicina (Parte I)

Se alguma vez uma área precisou de uma reforma, é a medicina. Cara, caótica, ineficiente e menos ainda eficaz, os cuidados com a saúde recebem muitas ideias inovadoras, mas a grande maioria delas não se mostram eficazes e muitas delas apenas iludem os pacientes quanto á seus quadros clínicos. Eis algumas ideias inovadoras em potencial:

1) Relacionar a saúde à Economia Comportamental


John Kenny desenvolveu, como diretor do Instituto Draftfcb de Tomada de Decisão, um conceito de utilidade multi-setorial conhecido como economia comportamental. Esse conceito ajuda a entender diversas obras criativas em áreas que não somente a medicina. Ele diz que essa é uma forma de pensar em tornar-mos mais eficazes no que fazemos, em vez de apenas mudar o que fazemos.

Na medicina, a questão da economia comportamental permitiria que as pessoas conhecessem mais não apenas sobre si mesmas (o que é o mais importante), mas também sobre os procedimentos médicos e os métodos de diagnóstico a que são submetidas por profissionais da área da Saúde.

Relacionar a medicina com a economia comportamental faz com que as pessoas: a) se questionem mais em relação aos problemas e queixas pelas quais estão sentindo e passando, b) evitem procedimentos médicos padronizados (ex: ir a uma consulta e esperar receber uma explicação básica do seu caso, um diagnóstico e uma prescrição médica); evitem pressões sociais para realizar tais métodos médicos (ex: você faz uma queixa sua para uma pessoa e ela te manda "ir ao médico"); e reformulem sua maneira de pensar sobre seu estado atual (esse exercício é o mais crucial, pois ao fazê-lo pode-se perceber que uma queixa no fim das contas é somente uma queixa isolada, um estado de espírito ruim por exemplo, e esta pode não ter relação nenhuma com sintomas físicos ou problemas acentuados de saúde). 

Adequando-se a essa síntese comportamental, as pessoas não se limitariam ao processo padronizado de ir ao médico, fazer exames e tomar pílulas, conheceriam mais sobre a natureza e a veracidade de suas queixas, e sobre o que poderiam alterar em seus hábitos que fosse a real causa de um problema (ex: pessoas que se queixam de dores nas costas e passam metade do dia sentados em uma cadeira sem qualquer educação postural). 

2) Decisões Baseadas em Evidências Concretas


Médicos nem sempre tomam decisões baseadas em evidências realmente concretas, e eu diria que grande parte deles age somente conforme o padrão de casos passados para aplicar ou indicar algum procedimento ou tratamento médico; ou agem sob considerações intuitivas.

O simples fato de os tratamentos para uma determinada condição de saúde variarem enormemente de uma região para outra é prova suficiente de que os médicos se baseiam cada vez mais na sua própria intuição e menos através de evidências seguras.

O acesso a registros médicos seria mais uma forma de os médicos obterem e passarem mais segurança quando na relação com seus pacientes.

3) Organizações Saudáveis


Empresas que investem na saúde através de incentivos financeiros aos médicos que seus profissionais frequentam. Os benefícios recebidos pelos médicos seriam proporcionais aos ganhos de saúde por parte dos funcionários, e os médicos então seriam recompensados pelas empresas por tornarem seus profissionais mais saudáveis e aptos para realizarem suas funções.

Somente orientar os funcionários a terem cuidados redobrados com a saúde nunca foi suficiente, e a ideia de recompensar médicos pela eficiência no quadro de saúde de seus funcionários poderia estimular os trabalhadores da área de saúde a melhorarem suas formas de clinicar, e fazer com que as pessoas trabalhem com plena saúde, é claro.

4) Checklists (Listas de Verificação) Feitas Antes de Procedimentos Médicos


As listas de verificação (checklists) são um processo de segurança feito antes de qualquer ação que envolva a responsabilidade e o impacto de um grande número de pessoas. As checklists são usadas na medicina, na aviação ou no setor de construção civil, por exemplo. 

Na medicina, alguns exemplos (ex: realizar checklist para decidir se uma operação é adequada ou não a um quadro clínico específico, realizar checklist para decidir quais exames investigativos são os mais adequados para se chegar a uma conclusão de diagnóstico pata tal situação clínica, e etc).

As checklists, na medicina, ajudariam os médicos a distinguirem erros previsíveis e a conhecerem mais sobre a natureza dos erros inevitáveis. Segundo o pesquisador John Hopkins, devem-se criar listas de verificação que foram usadas e comprovadas antes por uma série de vezes para tratar da saúde dos pacientes, pois se as listas forem confusas ou desnecessárias, o excesso de confiança dos médicos ao tratar de seus pacientes pode ser bastante perigoso. 

O importante é informar os pacientes de que as checklists para qualquer procedimento médico pelo qual passarão estão sendo usadas adequadamente, dessa forma, esses pacientes se sentirão mais seguros com relação ao tratamento que estão recebendo.

5) Medicina Regenerativa


Há muito já se sabe que células-tronco tem capacidades auto-regenerativas e podem transfigurar qualquer tipo de tecido (músculo, osso, fígado, rins, etc), e podem curar uma série de doenças potencialmente devastadoras.

Existem várias razões para se acreditar que as células-tronco são uma perspectiva otimista para um tratamento que necessite delas, porém, alguns detalhes fazem com que esse método não seja de todo aceitável para diversos casos médicos, como altíssimo preço e ineficácia em certas situações.

6) Portal do Paciente


A ideia de organizar todas as suas informações de saúde em um único lugar on-line e coordenar seu negócio com relação à própria saúde parece bastante boa no papel. Os pacientes poderiam fazer login em seu próprio "portal de saúde", acessar e compartilhar seus registros médicos, verificar exames de laboratório, renovar receitas, se comunicar com médicos e enfermeiros, etc.

Essa pode ser uma ideia potencial para reduzir erros de não-conhecimento de alguma causa de um problema médico por exemplo, mas a ideia de um portal médico online para pacientes esbarra em uma questão delicada, que é a privacidade.

7) Genética Médica


Terapias genéticas se baseariam em combater males quaisquer que estivessem limitando ou prejudicando as pessoas, realizando a codificação genética dos pacientes e sabendo quais predisposições ou tendências para certos problemas ou doenças elas teriam, para assim direcionar a terapia para o problema específico que foi verificado na análise dos genes do paciente.

Uma ideia seria substituir os genes defeituosos identificados e trocá-los por outros, saudáveis. Outra ideia seria fazer um tratamento de drogas específico para determinado perfil genético, criando curas personalizadas para cada perfil traçado.

8) Consultas Virtuais


Essa seria uma ideia para tratamentos complementares (sem a necessidade de acompanhamentos por consultas).

Consultas virtuais não substituirão as visitas ao médico, por mais que isso soe agradável. Os sistemas virtuais disponíveis não permitem que os médicos analisem as situações de seus pacientes de forma segura e nem capturem diversas versões sobre as causas de um problema (como verificar açúcar no sangue, pressão arterial, frequência cardíaca, etc).

Além disso, barreiras culturais impediriam que consultas online fossem administradas como principal metodologia de acompanhamento médico, mas a ideia de visitar seu médico não saindo da frente do PC poderia ser útil em casos que não necessitem contato médico (ex: consultas com analistas ou psicólogos).

9) Novas Formas de Remuneração aos Médicos


As formas de pagamento de médicos costumam ser baseadas na quantidade de casos e procedimentos que eles recebem e tratam, e também na quantidade de horas que dispendem para realizar seus horários rotineiros e ainda os de plantão. Isso de forma alguma garante a eficácia nos resultados e nem a satisfação dos próprios médicos por terem feito um diagnóstico de sucesso ou mesmo uma cura milagrosa.

Em vez de serem pagos pelo volume de procedimentos e casos que recebem, os médicos poderiam ser remunerados através de um sistema de recompensa. Se forem capazes de avaliar, acompanhar e satisfazer a demanda de saúde de seus pacientes, então sua recompensa seria na forma de pagamentos, que serviriam como incentivos á melhores práticas médicas e ao maior índice de sucesso nos resultados dos tratamentos.

Ou seja, seria uma remuneração proporcional á produtividade, e não na quantidade de tempo trabalhada.

10) Medicina Robótica


Novas tecnologias médicas como o uso de robôs faz jus a questão de "o mais novo é o melhor".

Nesse caso, não deixa de ser mesmo. Robôs cirúrgicos, por exemplo, auxiliam os médicos em praticamente tudo (desde uma cirurgia do coração até um transplante de rins), mesmo que ocupem espaço e possam deixar o médico em uma posição menos adequada para conduzir a cirurgia. E um detalhe importante é que os robôs serviriam apenas como suporte, e não como responsáveis diretos por cirurgias e operações. 

Já há casos concretos que comprovam que pacientes se sentem mais seguros e agem melhor quando tem conhecimento de que um robô auxiliará seu cirurgião na hora da cirurgia. Ou seja, grande parte dos pacientes não considera os robôs como fonte de risco para que suas cirurgias sejam bem-sucedidas, e sim como se fossem reais auxiliadores do processo cirúrgico, e por consequência, de sua recuperação.

E é isso o que robôs são. Ajudantes. E não devem passar dessa função, pois a medicina ainda é uma ciência que trata das relações humanas, e robôs não vão ocupar essa posição.

Mas robôs podem, e irão se tornar, à medida que os custos com essa tecnologia diminuírem, cada vez mais presentes nas salas de cirurgia.

Talvez no futuro você seja operado por um médico e seu robô assistente. O que acha?


*Esses insights foram citados e comentados em diversas universidades e hospitais pelo mundo, e os adaptei a esse post em uma citação original presente na publicação Harvard Business Review.

Insights (Apres. da Seção)

Na seção "Insights", eu irei falar sobre uma série de ideias e inovações que vêm se mostrando eficientes para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em geral. 

Os insights irão tratar de vários temas como Medicina (que começarei a falar em um próximo post inicial), Saúde, Publicidade & Propaganda e Marketing, Esportes, Educação, Política, Drogas, Entretenimento, Economia, enfim, inúmeras áreas.

Dentre os vários temas, serão abordados fatos e problemas cotidianos e possíveis inovações que podem servir de grande utilidade para as pessoas aperfeiçoarem a forma como conduzem seus hábitos e rotinas diárias, tornando possível que essas ideias inovadoras sejam utilizadas hoje e sempre de forma útil, e que não sejam apenas ideias que morrem no papel.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Hole in The Wall

No extremo sul de Nova Delhi, na Índia, em 1999, Sugata Mitra e sua equipe de pesquisadores esculpiram um grande buraco na parede de uma favela em uma região subdesenvolvida. No lugar do buraco aberto, eles colocaram um computador Pentium de alta potência e com alta velocidade de conexão de dados e banda larga, e câmeras de vídeo escondidas foram instaladas para gravar o ambiente.

Eles estavam realizando o experimento chamado de "Hole In The Wall" (ou buraco na parede).

Veja que, ao lado daquele buraco feito na parede onde foi instalado o tal PC, havia uma fronteira entre a favela e um terreno baldio cheio de lixo e barro, que era usada pelos pobres e mendigos como depósito e banheiro público. As condições do local, então, eram bastante degradantes e escassas. 

Mitra e seus pesquisadores simplesmente resolveram deixar o PC ligado ali naquele local que antes fora uma parede, no meio da favela. Deixaram o PC ligado e conectado à internet, e permitiram que qualquer morador da comunidade o usasse. 

O indiano e sua equipe deixaram o local, e depois analisaram as imagens gravadas.

Eles descobriram que os usuários mais ávidos da máquina eram crianças do gueto, de 6 a 12 anos, e principalmente garotos. Com algumas horas de uso do PC, as crianças aprenderam a mover o mouse e digitar, e, depois de apenas algumas semanas, elas tinham aprendido a usar o computador e grande parte das ferramentas, usar a internet e inclusive feito vários processos on-line. Não demorou também para que as crianças começassem a transmitir seus conhecimentos entre elas, ajudando umas às outras. Ou seja, as crianças aprenderam por elas mesmas.

E fizeram isso sem qualquer contato com professores ou outros adultos.

Os resultados surpreenderam Mitra, que então reconheceu um insight para a área da Educação. Ele resolveu utilizar seu experimento Hole In The Wall como aplicação de um método de aprendizagem revolucionário e extremamente inovador, que conceituou de "educação minimamente invasiva".

Mitra estava convencido de que crianças, sejam elas de qualquer estrato social ou econômico; e sob condições impróprias, pudiam aprender a jogar, desenhar, escrever, aplicar técnicas, fazer processos, usar conceitos, resolver problemas, e o melhor, fazer isso individualmente e também trabalhando em equipe. 

As crianças aprenderam por elas mesmas, através da própria experiência; propagavam uns aos outros o que haviam aprendido, e desenvolviam novas ideias baseadas nesse processo, sem estarem presas à salas de aula ou a receberem instruções de professores e orientadores. Elas aprendiam apenas mexendo em máquinas (algumas crianças pensaram que o PC inicialmente era um monstro) que muitas delas nunca tinha visto antes.

O indiano chegou a conclusão de que o ambiente nas salas de aula podia ser melhorado ao deixar as crianças em condições de livre-arbítrio em que possam treinar a autonomia de pensamento, e as estimularem a aprenderem de uma forma pessoal, livre e interativa. 

Professores e adultos deveriam deixá-las então em rédea curta, nunca presas a um local que impeça seu desenvolvimento, o que se sabe que pouco acontece nas formas de ensino e aprendizado mais tradicionais.

Mas Mitra lembra que nem todos os conhecimentos são possíveis de serem assimilados por conta própria, apenas através de computadores ou outros recursos tecnológicos, e nesse caso outras formas de aprendizado (mesmo entre as mais convencionais) devem ser implementadas.

Porém, inúmeros conhecimentos, como os que foram percebidos pelas crianças durante os eventos do experimento, não deveriam ser transmitidos para os alunos e crianças em geral através de literatura informática, como se vê na maioria das instituições de ensino. Mitra afirma que qualquer instrução formal para esse tipo de conhecimento é puro desperdício de tempo e dinheiro, e que se poderia usar esse tempo e dinheiro para ter professores que ensinassem algo que não pode se aprender por conta própria.

Sugata Mitra atua em uma empresa de softwares e educação chamada NIIT, com sede na mesma cidade em que o experimento original do Hole In The Wall foi realizado, Nova Delhi, Índia. O professor ampliou seu projeto de aprendizado para vários outros pontos do país e de fora da Índia, onde a ideia da educação minimamente invasiva já foi implantada, gerando resultados extremamente satisfatórios no sistema de aprendizado de colégios e outras instituições de ensino.

Essa nova técnica de educação minimamente invasiva de Mitra pode ser chamada também de alfabetização funcional. A técnica permitiria o corte de vários gastos com professores, literatura e sistemas caríssimos que servem como subsídios para o aprendizado de certos assuntos, ideias, aplicações e conceitos que podem muito bem ser assimilados por conta própria, em vez de serem estudados por esses meios de instrução formal.

A ideia do indiano foi considerada tão inovadora que ele acabou vencendo o TED 2013. (TED é uma fundação americana sem fins lucrativos, em que são realizadas famosas palestras que estimulam insights e disseminação de ideias, no mundo todo).

Ele apresentou duas palestras na conferência, que podem ser assistidas por esses links:  

http://www.ted.com/talks/sugata_mitra_the_child_driven_education.html
http://www.ted.com/talks/sugata_mitra_shows_how_kids_teach_themselves.html


sábado, 14 de setembro de 2013

[Conto] Refúgio da Noite - Aniversário (Episódio III)

A fortaleza de Mahri brilhava conforme a luz do sol pintava suas torres e paredes de pedra com uma cor viva e quente. As pessoas se mostravam atarefadas e distraídas ao redor de toda a grande propriedade e se limitavam a resolver suas responsabilidades. Era sempre dessa forma por ali.

Dimitri seguia o ritmo de trabalho. No momento, ajudava uma senhora a prender a corda que fixava o balde para pegar água de um dos grandes poços aquíferos dali. Ele recolheu o balde e o entregou à senhora, que lhe agradeceu por duas vezes antes de se retirar para a continuação da lavagem das várias pilhas de roupas imundas do pessoal.

Todas as pessoas eram instruídas a se comportarem como uma comunidade defensiva dentro de Mahri. Fazia parte do treinamento que cada um que morava na fortaleza recebia, um treinamento que não era novo. Essa tática vinha se mostrando eficaz a mais de 70 anos, quando o avô de Dimitri, na época, era o comandante do exército da fortaleza e implantou o sistema que viria a proteger o Velho Distrito até hoje.

Dimitri pouco se vangloriava da estratégia cautelosa que seu avô havia criado para a defesa e manutenção da fortaleza. Achava que o feito de seu avô era inteligente, sim, e funcionava, sem dúvida. 

Mas aquele velho sábio que fora seu avô se esquecera que o Velho Distrito mantinha dentro de si um sistema complexo.  A fortaleza de Mahri controlava esse sistema, servia como ponto de referência, marco da cidade, local que vinha na mente de todos quando o Velho Distrito era mencionado. 

Só que aquele sábio inteligente e perspicaz que fora seu avô se esquecera do que mais importava, que era criar soluções e tais "estratégias de segurança e desenvolvimento" para as pessoas de fora da região da fortaleza, nos subúrbios do distrito. Nas ruas.

Só que os habitantes daquela fortaleza pouco ou nada sabiam que fora daquela floresta empedrada, lá nas ruas, existiam as maiores manifestações de talento, arte e criatividade daquele distrito velho. Lá fora, onde o povo se fechava em reclusão e permanecia escondida nos cantos escuros. E era irônico pensar que pessoas tão desmotivadas dentro de Mahri se punham a mostra mais do que brilhantes seres humanos que se metiam nos cantos escuros das vielas, em isolamento. 

Esses moradores das ruas, ou "de fora da fortaleza", se escondiam de suas próprias vidas, que tinham potencial de serem fascinantes e ricas, mais valorosas do que aqueles seres julgavam valer a pena lutar para viver. 

Os moradores daquelas ruas evitavam o contato humano, e daí perdiam a oportunidade de expressarem cada um os seus ofícios de criatividade. Inúmeros músicos, dançarinos, desenhistas, pintores, atores, poetas, e a maioria deles não pudera expressar sua arte. Esses artistas obsoletos e levianos pareciam manifestar-se para si mesmos em vez de para os outros, se mantinham afastados do resto das pessoas, em vez de extravasar seus espíritos para que outras pessoas pudessem aproveitar de suas obras. E todas as pessoas que viviam naquele condensado de ruas, sem exceção, tinham medo de morrer a qualquer instante deviso aos perigos e às condições de vida.

Tirando a fortaleza de Mahri, o resto do Velho Distrito arrefecia e se desintegrava na mesma velocidade com que a fortaleza ostentava essa segurança e poder monopolizados. As ruas eram um mar de lixo, não havia profissionais responsáveis pela ordem e pela limpeza, a não ser os guardas que sempre incomodavam Dimitri durante suas excursões noturnas pelo distrito. E algumas pessoas que tentavam se mostrar educadas ao recolher sacos e papéis jogados ao vento.

Enfim, todos voltavam suas atenções para a glória das pessoas que habitavam a fortaleza e se esqueciam completamente, grande parte delas, do resto dos indivíduos daquele pico da Rússia que permaneciam vivendo nas ruas com a desproporcionalidade de condições. Plebeus e mendigos. Naquela civilização também haviam paradoxos sociais.

Dimitri vivia e viveria sua vida para as pessoas de fora da fortaleza. Para aqueles que ficavam do lado pobre do paradoxo. Cansado da mentira, da falsidade, da luxúria, da ambição, do egoísmo e do ar de superioridade que as pessoas da fortaleza demonstravam, ele se perguntava até quando teria que suportar o cargo de maior poder e responsabilidade de Mahri. Capitão. Dimitri possuía atitudes e era visto como um líder nato, pelo fato de suceder a posição de capitão por três gerações genealógicas e também por sua própria sensatez e imponência em serviço.

Ele não negava que com o poder e a influência que tinha poderia mover aquele distrito com a palma de sua mão. E ele o fazia, não naquele território estabelecido da fortaleza de Mahri, o fazia lá nas ruas, nos becos claustrofóbicos, dentro de grutas de pedra, embaixo de avenidas falhas por umidade e destrato, nos parques sem verde e pelas calçadas tortuosas afim. O fazia do seu jeito.

O capitão subiu as escadas intermináveis de uma das torres de Mahri, até chegar no penúltimo andar, onde ficava seus aposentos e o de sua irmãzinha, Anna. Dimitri deu quatro leves toques em uma porta verde musgo, e depois a empurrou lentamente. Ele a viu sentada ao lado da mesinha de cabeceira da cama.

A única fonte de luz que envolvia aquele quarto vinha de uma luminária que propagava uma luz amarelada, meio diferente, como se fosse a aura de um espírito ou um fantasma. Dava ao aposento um aspecto decadente e lúgubre, mas ao mesmo tempo acalentador e confortável.

A menina sentada ao lado da cabeceira levantou seu rosto, que antes se voltava para uma maquete na qual mexia, e olhou para seu irmão. Parecia surpresa.

- Dimi. - estranhou ela.
- Você estava ocupada? Que maquete é essa? - perguntou Dimitri a sua irmã, apontando para o projeto no chão.
- Achei na sala do Sr. Gorov. - respondeu ela, se referindo ao sub-comandante de Mahri, subordinado de Dimitri.
- E o que estava fazendo na casa dele?
- Eu conheci uma menina nos estábulos hoje, e ela me chamou pra ir na casa dela, pra ajudá-la a escolher um vestido lá que queria usar na festa do fim de semana. - disse ela, e Dimitri se mostrou convencido.
- Entendi. Amanhã vamos lá e quero que devolva essa maquete ao Sr. Gorov, Anna. É assunto de urgência e preciso que ele analise essa maquete pra mim. 
- Ok.

O capitão de Mahri olhou em volta pelo quarto. Anna se levantou, tocou a jaqueta negra de seu irmão e o abraçou carinhosamente. Logo depois, a menina se sentou em uma cadeirinha em frente a um grande espelho, iluminado internamente com lanterninhas brancas. A menina pegou um pente e começou a alisar seu longo cabelo escuro.

Dimitri se virou para a janela semi-aberta do quarto, que mostrava a fortaleza de fora pelo lado oeste, onde o sol sempre voltava para casa no fim de cada dia. Ainda estava claro, e nas ruas havia uma ou outra alma viva. Ele calculou que em uma hora estaria escuro lá fora. Escuro o suficiente para revelar as criaturas e seres que se mantinham escondidos de sua própria utilidade e de suas razões de viver. 

- Anna, vou jantar em meia hora com Marian. Quer ir comigo? Ela tem uma filha uns 3 ou 4 anos mais velha do que você. Pode ficar conversando com ela. - convidou sua irmã Anna para o jantar que marcara com a governanta-chefe da fortaleza.
- Eu já vi a filha dela?
- Acho que sim, Anna. Ela fica nos depósitos e armazéns ali atrás da cozinha principal. Ela ajuda o pessoal por lá. Enfim, queria que fosse comigo, porque depois do jantar pensei que podíamos dar uma volta.
- Por onde?
- Por aí. Quero te mostrar alguns lugares do distrito. E queria sua companhia também. Será muito pior se tiver que ir sozinho.

Anna pensou um pouco. Não era comum sair com seu irmão durante a noite. Aliás, não se lembrava de já ter saído com seu irmão quando o céu já estava negro. A garota não se importou muito em relutar com a novidade do convite.

- Pode ser. Vamos. - confirmou Anna, dando um risinho.
- Certo. Tome um banho e se arrume então. Passo aqui em uns 20 minutos.

Já no salão do refeitório, Dimitri e Anna encontraram com Marian, a governanta-chefe, e sua filha, uma menina de cabelos ruivos, bochechas gordas e que tinha um olhar simpático e extrovertido. Devia ter uns 16 anos, no máximo. Cumprimentou Dimitri e a irmã, e os quatro se sentaram na mesa.

Durante o jantar, Anna e a ruiva, que se chamava Megan, pareciam ter se dado bem o suficiente para que Anna convidasse a nova amiga para saírem a noite. No passeio com o irmão.

- Ah....não Relaxe, Marian. - interrompia Dimitri. - Eu e Anna vamos na casa do Sr. Gorov. Hoje ela quer ir comigo, sabe. Coisas complicadas pra resolver, são os negócios. Quero que ela aprenda alguma coisa. Mas não teria problema em Megan ir conosco.
- Hmm. Tudo bem. Megan? - perguntou Marian à filha ruiva.
- Vou com eles então. - confirmou a menina ruiva.
- Voltarão tarde? - preocupou-se Marian.
- Ah, não. Não vamos demorar muito. - respondeu Dimitri, mesmo sem ter a menor noção de que horas estariam de volta.

Ele procurou passar segurança a Marian, e então eles voltaram a se concentrar em seus pratos, até terminarem de jantar e o capitão fazer menção para as meninas se levantarem e eles saírem.

Marian se despediu da filha. A garota ruiva então seguiu Anna, que ia atrás do irmão para fora da selva de pedra da fortaleza de Mahri.

Saíram por uma porta meio oculta por trás da fortaleza. Ali por onde Dimitri saía todas as noites, sempre sozinho. Não mais.

Dimitri pensara em sua irmã e em como a garota ficava aprisionada em Mahri o dia inteiro, sem sair para andar, brincar ou para ir ao parque. Anna permanecia grande parte desse tempo em seu quarto, brincando à seu modo, se distraindo, passando o pente nos cabelos. E Dimitri achava que aquela rotina de Anna poderia prejudicá-la, pois a menina ficava muito presa e conversava pouco. As pessoas notavam a timidez em sua voz e em seus gestos, e sempre Anna aceitava tudo que lhe dizia e concordava com todos.

Os três chegaram à esquina de dois becos iluminados por lâmpadas falhas, vindas de altos postes na rua. Um cachorro olhou para Megan e começou a latir. Eles seguiram em frente e na próxima esquina, encontraram uma barraca. Um senhor que aparentava ter uns 80 anos, cabelos totalmente brancos em fios frágeis e que faziam mechas ao redor de sua cabeça meio careca, parecia fazer esforço redobrado para continuar empurrando a carroça pela calçada íngreme de paralelepípedos.

Um homem e uma menina surgiram pela rua perpendicular e foram em direção ao velho e sua carroça. O homem idoso parecia estar vendendo lanches recheados com algum tipo de carne escura que exalava um aroma até agradável. A menina, uma garotinha de uns 5 anos, puxou a roupa surrada do homem e sussurrou algo no ouvido dele. Depois, a menininha sentou-se na vala da calçada e o homem foi até o velho que vendia os lanches.

Dimitri também foi até o velho e o homem que acompanhava a garotinha. O homem conversava com o velho:

- ...não posso lhe dar. Não dá - dizia o velho.
- Juro que amanhã mesmo te pago dobrado. Só me diga onde costuma vender e te encontrarei lá. - dizia o homem.
- Se eu oferecer um lanche a cada pessoa que me pede na rua, sairia de casa e voltaria sem um tostão no bolso todos os dias. Sem contar os miseráveis filhos da puta que me roubam. Então saia daqui! - bradou o velho.
- Um lanche, por favor. - pediu Dimitri, mesmo sem estar com fome. - Quanto é?
- São 13 rublos. - respondeu o vendedor idoso.

O capitão esperava que o velho cobrasse mais. Naqueles tempos, qualquer um passava em cima uns dos outros para lucrarem e ganharem dinheiro. Dimitri estendeu a mão e entregou o dinheiro ao velho, que começou a preparar o lanche. Enquanto isso, Dimitri se dirigiu ao homem:

- Cheira bem. O lanche deve ser bom. Aquela ali é sua filha? - perguntou o capitão de Mahri.
- Sim.
- Estavam voltando para casa?
- É. - respondeu o homem, que estava com o rosto apático e bastante pálido.
- Você está se sentindo bem? - perguntou Dimitri, e Anna e Megan surgiram ao lado dele.
- Ah, estou sim, é claro. Que se foda também essa vida de merda! - exclamou o homem, se tornando excêntrico de uma hora para outra. - Não poder pagar um lanche para minha filha, e no dia do seu aniversário ainda. Não sei o que seria pior do que isso. Então...... se estou bem?? Eu acho que não. - o homem abaixou a cabeça.
- Quantos anos ela está fazendo?
- Hmm....6 anos. Tenho uma foto dela sempre em meu bolso. - disse o homem, tirando do bolso uma foto amassada e mostrando a Dimitri.

A foto retratava o rosto de uma menina alegre e gentil. Aparentava ter até menos do que 6 anos de idade.

- Me importa sim. Mesmo que não acredite. - falou Dimitri, e o homem pareceu se acalmar.
- É isso mesmo, ela faz 6 anos. Se chama Alice. E.... elas são suas filhas? - quis saber o homem, indicando Anna e Megan.
- Não, não. - mentiu Dimitri. - Estou dando uma volta com elas pelas ruas, sabe. Tomar um ar fresco.
Entendi.
- Toma! - gritou o velho, dando o lanche para Dimitri, que o pegou.
- Pegue. - ofereceu Dimitri, dando o lanche para o homem. - Hey, Alice! - chamou o capitão.

A menina olhou assustada para Dimitri. A garotinha estava com os olhos arregalados e parecia sentir frio. O pai da menina fez sinal de que estava tudo bem e Alice foi até eles. Travis deu o lanche a sua filha.

- Pegue.
- Obrigada. - agradeceu Alice, pegando o lanche e o mordendo imediatamente.
- Feliz aniversário. - disse Dimitri.

E então surgiu uma ideia na cabeça de Dimitri. Aquele lanche não poderia ser o único presente de aniversário de uma garotinha tão adorável. E era pior quando o próprio pai da menina não tinha como fazer do aniversário de 6 anos de sua filha uma data especial.

- Me chamo Travis. Seu nome, senhor? - perguntou o pai da menina.
- Meu nome é Dimitri. - disse Dimitri. - Travis, você mora em qual direção?
- Ao sul. Nessa rua em frente. - disse Travis, apontando reto seu indicador.
- Eu, minha irmã e a amiga dela ali estamos indo dar uma volta. - contou o capitão. - Vamos com a gente?
- Não posso, senhor...ah...Dimitri. Minha esposa me espera antes das 11. E já são quase 10:30. Melhor eu ir indo. - falou Travis.
- Entendo. E é aniversário de Alice. Sua esposa deve querer vê-la. Mas eu gostaria de verdade que você nos acompanhasse. Não demoraremos sequer uma hora. - mentiu Dimitri.
- Para onde pretende ir?
- Queria mostrar o parque Wooden e a Ponte Therion para Anna. E apresentá-la a um amigo também. E conheço pessoas que sempre passam por lá. Não será perigoso. - disse Dimitri, se referindo aos locais não tão longes dali.
- Está certo. Vamos até minha casa, e vejo se minha esposa deixa eu levar Alice também.

E a esposa de Travis não aceitou que sua filha de 6 anos ficasse longe dela, ainda mais na rua, a essa hora da noite, e bem no dia de seu aniversário.

Então, somente Travis acompanhou Dimitri, Anna e Megan. 

Ao chegarem ao parque Wooden, Dimitri os levou pela calçada até atravessarem a rua, ao invés de entrarem diretamente no parque. Uma ponte gigantesca fazia uma sombra que deixava um rastro de escuridão funda e negra abaixo de sua estrutura. A ponte era sustentada por pilares com uns 3 metros de diâmetro, recheada de ferro e aço. As vigas pareciam estar conservadas e bem fixas, mas Dimitri sempre suspeitaria das ruínas que aquela ponte poderia provocar.

O capitão os levou para um corredor praticamente oculto em um ponto abaixo da ponte. Seguiram por esse corredor, que se mostrou bastante longo. Travis tropeçou e caiu de cara no chão por duas vezes, até perder seus óculos. O corredor terminava em uma grande abertura, que estava bem iluminada. A luz parecia vir de lâmpadas elétricas ou archotes.

Passando pelo túnel e cruzando o outro lado iluminado artificialmente, Dimitri e os outros três avistaram uma cabana. Tinha formato idêntico às cabanas tradicionais de praia. Mas sua estrutura era de madeira rígida e não cederia a qualquer vendaval. Uma luzinha apenas estava acesa dentro da cabana, e eles ouviram um homem espirrando tão alto que pensaram haver um animal ferido dentro do local.

Dimitri riu alto e foi rapidamente até a porta. Tentou abri-la. Estava trancada, milagre. Então ele bateu forte na porta cinco vezes.

- Ei. Pra quê todo esse desespero, porra? - gritou o homem da cabana.
- Abre logo. - disse Dimitri.
- Só podia ser você, seu doido do caralho. - falou o homem da cabana.

Ele era bem baixinho, e bem gordo. Batia abaixo da linha dos ombros de Dimitri. Tinha um ligeiro bigode desproporcional às bochechas, que eram brancas e lisas, grandes como a de uma criança. O homem usava um avental comprido até os joelhos, e um chinelo verde todo estraçalhado, com um boné do lado da cabeça.

- Como vai, Hurley? - cumprimentou Dimitri.
- Estou bem, cara. Dei uma parada.
- Não está mais pintando?
- Estou sim. Mas não no mesmo ritmo de uns meses pra cá. Estou meio desmotivado também.
- E quem não está por estas bandas, Hurley? - o pintor gordo concordou com uma queda no olhar.
- Sim. Mas as vezes a brisa bate mais forte, sabe. E você prefere ficar na sua. Mas e você, como está? E quem são essas meninas tão lindas? - perguntou o pintor, deixando de notar Travis.
- Uma delas é a razão pela qual estamos lhe visitando. A outra moça é Megan, uma amiga. E aquele ali atrás é Travis, que é a outra razão pela qual estamos aqui. - explicou o capitão.
- Ah....tá. Sempre te entendo, Dimi. Hahaha, querem entrar? - convidou Hurley. - Mas não tenho quase porra nenhuma pra comer. Tenho uns charutos e umas garrafas de bebida.
- Não, não. Relaxe. Na verdade, vim aqui lhe pedir um favor. Um trabalho.
- Um trabalho? O que quer dizer? Uma tela? - e Dimitri fez que sim com a cabeça.
- A princípio era só uma mesmo. Mas agora seriam duas. Duas pinturas. - disse Dimitri.
- Porra, cara. Hoje estou cansado. Que horas são?
- 23:45.
- Pintar dois quadros na madrugada. - disse Hurley, olhando para o céu e notando as infinitas estrelas que piscavam em brilho. - E o que quer que eu reproduza?
- Quero que pinte o rosto de minha irmã. Anna? - chamou Dimitri, vendo a garota brincar com um cachorro vira-lata por ali.
- Oi.
- Venha aqui. - e Anna foi até eles.

Hurley olhou bem para Anna, como se estivesse a analisando. Processando a próxima imagem que fluiria para mais uma de suas telas. 

Anna usava um vestido vermelho, que realçava perfeitamente os contornos finos de seu rosto, denotando a cor clara da pele em contraste com a escuridão plena de seus cabelos lisos e totalmente penteados. A boca possuía lábios quase imperceptíveis, as sobrancelhas serviam como moldura para o cenário que fazia lembrar seus olhos. Duas fontes de luz azul que penetravam diretamente em quem a estivesse olhando. Olhar para Anna era o mesmo que ver o fim da linha no mar, lá no horizonte.

O pintor pareceu se sentir revigorado e bastante motivado, diferente do que havia confessado para o capitão. Olhar para Anna e saber que tinha a tarefa de produzir uma arte baseada na garota era confortador. Ele queria pintá-la.

- Confesso que estou admirado com a beleza de sua irmãzinha, Dimitri. Tenho certeza que ela irá lhe suceder como capitã. - afirmou Hurley.
- Eu acho que não, Hurley. Não conto com isso. Nunca contei. Não decido o futuro dela, mas posso decidir para quem passarei meu cargo, quando a melhor hora chegar. E não será para ela, disso não tenho dúvidas. Mas, indo ao que importa. Pinte o rosto de minha irmã e aplique uma moldura na tela, toda branca. Enquadre. - pediu Dimitri.
- Sim, sim. Devo ter alguns moldes. Telas e tinta não me faltam. Ok....mas você mencionou que seriam 2 obras de arte que iria querer. - lembrou Hurley.
- Sim. - e Dimitri retirou a foto de Alice. - A outra pintura é dessa menininha.

Travis ouvia com atenção a conversa do capitão com o pintor, e à referência de sua filha, se alarmou.

- O que acha da ideia, Travis? Levar um quadro emoldurado de sua filha, como um real presente de aniversário. Pode colocá-lo bem no meio da casa, para você e sua esposa se lembrarem sempre dela. E ela deve adorar.

Travis pareceu ofendido, como se sua vida tivesse sido invadida. Mas foi apenas um momento de tensão, em que o pai de Alice processara a informação de Dimitri. Depois Travis abriu um sorriso.

- Mas, Dimitri. Sabe que não tenho como pagar por uma obra de arte dessas.

- Eu sei. E deve estar se perguntando como me pagará a pintura. E eu te digo. Preciso de um homem para mexer com encanamentos e equipamentos hidráulicos na fortaleza. Se não for capaz de exercer essa função, lhe ofereço uma possibilidade de carreira no exército de Mahri, como cabo-iniciante. - disse o capitão.
- Já mexi em encanamentos, mas não muito com materiais hidráulicos. Já trabalhei mexendo com motores e suspensões, e em materiais para armas de fogo.

Dimitri ponderou sobre o que poderia tirar de útil daquele homem.

- O que acha de iniciar um trabalho nas oficinas mecânicas de Mahri? Você ajudaria a identificar nos nossos veículos panes de motor, falhas de ignição, tração das rodas, suspensão, e por aí vai. Mais pra frente, se você tiver espírito aventureiro, pode até chegar a compor um dos batalhões de formação do nosso exército. Motorista-chefe. Enfim, são várias possibilidades. O que me diz?
- Bem, estou sem trabalhar a mais de 3 meses. No ano que vem quero ter dinheiro suficiente para comprar um presente digno para Alice. Um presente que ela não se esqueça. 
- Então...
- Conte comigo.
- Ótimo. Depois conversamos melhor sobre isso. - falou Dimitri. 

O pintor pediu para Anna se sentar em uma pequena cadeira de madeira, no meio de uma campina esverdeada ao lado de sua cabana. Ele posicionou uma tela com quatro pés, à uma distância de uns 3 metros de Anna. Foi buscar uma mesinha, também de madeira, e nela colocou um estojo cheio de pincéis dos mais variados tamanhos e contornos. Um grande balde guardava potinhos com amostras de tinta, havendo ali mais de dez cores e tons diferentes.

Hurley era especialista em obras de arte surrealistas. Suas pinturas surtiam o efeito de distorção da realidade. As obras pareciam existir apenas fisicamente, mas os traços delineados abriam um leque de imagens possíveis para cada ponto da pintura que se olhasse, como se os quadros mudassem de foma a cada ângulo diferente pelo qual se observava.

Hurley se inspirava para reproduzir Anna. Dimitri, Travis e Megan esperaram por uma hora, e depois mais outra. Ás duas da manhã, o pintor finalizou a obra e deu um suspiro de êxtase. Hurley se distanciou da tela recém-pintada uns 5 metros, e a olhou com intensidade. Deu um risinho. 

Dimitri pegou a tela e a pôs na frente do rosto.

- Calma, calma. Cuidado com a tela. O que achou, Anna? - perguntou o pintor. 
- Está perfeita. - disse ela, sorrindo e abraçando Hurley.
- Está perfeita, Hurley. - falou Dimitri.

O pintor então recolheu a tela e colocou a moldura em seus extremos. Limpou uma gota de tinta preta da moldura. E deu o quadro emoldurado a Anna.

- Obrigada, Hurley. - agradeceu novamente Anna.

Todos já estavam cansados, mas esperaram o pintor realizar a outra obra, retratando Alice. Demorou menos dessa vez. A presença física da pessoa retratada parecia causar um maior desafio para o pintor, como fora no caso de Anna. As emoções fluíam com mais sensibilidade, o pintor e a fonte de sua obra se interligavam. 

Com uma foto amassada, no caso do retrato de Alice, o resultado não proporcionou a mesma satisfação em Hurley. Porém, Travis pareceu achar o quadro com a imagem de sua filha a coisa mais deslumbrante que sua casa iria abrigar. O sorriso de Alice retratado pelo pintor surrealista iluminou Travis como se ele estivesse sendo abençoado por quem quer que seja. Se sentia mais orgulhoso do que imaginava poder sentir, em um dia que não pudera felicitar sua filha a não ser com um beijo, um abraço e um lanche de carne escura no pleno dia de seu aniversário. Mas esse quadro traria o sorriso da esperança para sua família novamente, e Travis ainda ingressaria em uma possível carreira de sucesso trabalhando nas oficinas de Mahri.

Então Dimitri, Travis, Anna e Megan se despediram do exímio pintor surrealista que se abrigava em uma cabana como um foragido, e que contava os 420 rublos que recebera do capitão de Mahri pelas suas obras de arte. O pintor gordo e de bigode torto passava as notas pelos dedos por uma série de vezes, e por fim fechou a mão e guardou-as no bolso. 

Ele acenou, deu um sorriso e viu seus quatro visitantes retornarem às sombras do corredor que levaria a ponte Therion novamente.

Anna e seu irmão agora voltavam para a fortaleza de mãos dadas. Dimitri abraçava o retrato de sua irmã com o outro braço. Megan permanecia em silêncio, apenas observando o que estivesse à sua frente e sentindo a brisa da noite bater em sua cara.

Já no quarto de Anna, a garota e seu irmão se afastavam da parede na qual fixaram a pintura. Optaram pela parede que dava de frente para quem entrava no quarto. Quem entrasse, daria de cara com o rosto iluminado de Anna, centrando aqueles dois olhos azul marinho, onde o observador se perdia dentro deles, onde parecia se ver uma linha fina lá no horizonte de um mar que terminava ao alcance da visão. 

Da mesma forma que Dimitri e Anna admiravam a obra naquele quarto iluminado dentro da fortaleza de Mahri, Alice abraçava seu pai na casa deles. Travis pensou ter feito bem em aceitar a oferta de Dimitri e poder presentear sua filha, mas se sentia bem melhor pelo que tinha de valor, que era o amor por sua filha e sua esposa e a sorte de ter cruzado com aquele capitão estranho em um dia tão fatídico quanto fora aquele.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

11 de Setembro

Os atentados de 11 de setembro rendem bastante material para as pessoas que gostam de teorias da conspiração.

Já virou uma ideia clichê dizer que os atentados contra o Pentágono, o Empire State Bulding e às Torres Gêmeas foram orquestrados pelo próprio governo americano, para aumentar a popularidade do então presidente George Bush e garantir o apoio da nação americana para a invasão ao Iraque.

Uma pesquisa realizada em 2006, na Universidade de Ohio nos EUA apontou que 1 em cada 3 americanos acha possível que o governo tenha permitido ou mesmo sido responsável pelos ataques.

Alguns fatos envolvendo esse evento trágico realmente são difíceis de serem explicados, e daí teorias da conspiração e discussões críticas acabam sendo uma consequência natural desse acontecimento. Para gerar as dúvidas, perguntas são feitas como: Por que ninguém viu o avião que caiu no Pentágono? Porque os aviões penetraram nas torres gêmeas tão facilmente como se as paredes fossem feitas de papel?

Algumas teorias trazem explicações bastante bizarras para isso. A organizadora de um blog da Abril, Ana Prado, reuniu algumas das conspirações mais bizarras envolvendo o ataque de 11 de setembro. Uma delas põe a culpa em ET's e nos Illuminatti. Outra acha que mensagens subliminares com informações internas dos terroristas estariam sendo repassadas em notas de dólar. Veja a seguir 6 dessas ideias meio malucas, mas que não são tão irreais assim.

1) O Governo americano já sabia dos ataques, mas não os impediu porque queria financiar uma firma de investimento na indústria bélica


Para a deputada americana Cynthia McKinney, do Partido Democrata, o presidente Bush sabia antecipadamente de toda a maquinação por trás dos ataques e não fez absolutamente nada. E isso seria porque ele queria lançar o país em uma nova guerra (com o Iraque), que renderia lucros gigantescos para a empresa de investimento Carlyle Group, que teria investido muito dinheiro na indústria bélica dos EUA. E a firma tem como um de seus conselheiros George Bush pai, e é dirigida por vários ex-militantes linha dura. 

Respondendo às acusações de Mc Kinney, um assessor de imprensa deu risada e fez piada: "Ela disse isso em Roswell, no Novo México?", perguntou ele, se referindo a várias teorias conspiratórias envolvendo OVNI's e ET's nessa cidade.

2) Teoria Aurora Negra: aviões que atingiram o World Trade Center tinham urânio


Criada pelos investigadores J. Petras e N. Chomsky, do jornal La Rebelión, a teoria diz que seria impossível para um Boeing 767-200 com 136 toneladas de carga (modelos dos aviões nos ataques) derrubar uma muralha de ferro como a torre do WTC. Para eles, um avião que se choca a 800 km/h contra um prédio deveria se desfazer em pedacinhos na hora. No entanto, todo mundo viu que os aviões penetraram nos prédios como se fossem manteiga.

O que explicaria a cena da colisão seria a questão do urânio empobrecido (resíduo da produção de combustível destinado aos reatores nucleares e bombas atômicas), colocado na dianteira dos aviões, provavelmente envolvendo os seus motores de reação. A força destrutiva desse material é avassaladora e sua natureza inflamável faz com que pegue fogo imediatamente na hora do impacto, produzindo assim calor suficiente para fundir e derreter a blindagem mais resistente e atravessá-la, fazendo-a explodir depois pela fricção do aço ou outro material qualquer.



Para os autores dessa teoria, isso explica a inclinação dos aviões de 45° ao penetrarem no edifício: o que permitiria a destruição de 5 ou 6 andares e produziria aquele desabamento em forma de sanfona, considerado perfeito até demais por muitos especialistas.

3) O Pentágono foi atingido por um míssil norte-americano


O fato de o buraco na fachada do prédio do Pentágono ser pequeno demais para ter sido provocada por um Boeing com 38 metros de envergadura, e a falta de destroços e rastros levantaram muitas suspeitas. Além disso, um avião de 100 toneladas voando a 400 km/h teria estragado bem mais do que apenas 1 dos 5 lados do Pentágono.

No livro: "11 de Setembro de 2001 - Uma Terrível Farsa", o jornalista e cientista político francês Thierry Meyssan defende que o Pentágono foi, na realidade, atingido por um míssil norte-americano lançado por um grupo de extrema direita que iria lucrar muito com uma guerra do país contra o Oriente Médio. A Sociedade Americana de Engenheiros Civis deu uma explicação para o buraco na fachada do Pentágono: "um avião, quando bate, não deixa um contorno perfeito de si como nos desenhos animados". Além disso, testemunhas viram um avião e corpos de passageiros foram identificados nos escombros.

Em relação ao sumiço das partes do avião, a explicação estaria no fato de que, com a explosão, o caça é praticamente reduzido a pó. O mesmo aconteceu com o Boeing que bateu de frente com o prédio do Pentágono no dia 11 de setembro.


4)Bin Laden era da CIA


Ainda segundo o francês Thierry Meyssan, Bin Laden era um agente da CIA desde os anos 80, época em que os Estados Unidos financiaram a resistência afegã contra a ocupação soviética, e seus vídeos assumindo os atentados eram puro teatro. "Ele não é um guerrilheiro, é alguém que geria o financiamento da Arábia Saudita e da CIA e distribuía o dinheiro entre seus comparsas. É um gestor e não um soldado", disse Meyssan em uma entrevista.

5) Notas de dólar previram os ataques


Depois do 11 de setembro, descobriu-se diversas "mensagens subliminares" em notas de dólares prevendo o episódio. Dobrando a nota de certa maneira, aparecem mensagens das torres gêmeas e do Pentágono em chamas, logo após os ataques. E mais: elas também revelaram o nome do responsável pelos ataques.


6) A Culpa é dos Illuminatti


Existe até quem acredite que a Illuminatti tem algo a ver com o atentado (e vai que tem). A sociedade "secreta" Illuminatti foi formalmente dissolvida em 1784 pelo governo alemão, mas o escritor americano David Icke acredita que o grupo não só ainda existe como também sempre foi composto por seres híbridos que seriam meio humanos e meio alienígenas (incluindo Bush pai, Bush filho, Saddam Hussein e a atual rainha da Inglaterra).

Ele também apontou que o jogo de RPG Illuminatti - A Nova Ordem Mundial, lançado em 1995, teria previsto os ataques de 11 de setembro de 2001. Cartas do jogo teriam trazido um ataque terrorista contra as torres gêmeas e o Pentágono. Pelo menos as cartas foram bem desenhadas: