terça-feira, 24 de setembro de 2013

Insights - Medicina (Parte II)

No 1º post da seção "Insights", comentei sobre ideias inovadoras que vêm se destacando e se mostrando eficazes na área da Medicina:

Ainda falando sobre a área da Medicina, nesse 2º post eu apresento algumas dúvidas comuns dentro do setor e várias soluções possíveis para que médicos e pacientes criem uma relação benéfica para ambas as partes, resolvendo questões da saúde das pessoas; e também se preocupando com melhores práticas dos profissionais da saúde.


1) Como encorajar as pessoas a adotarem práticas mais saudáveis durante o trabalho?


O maior problema da falta de encorajamento à práticas saudáveis está na mídia. De revistas que estampam famosos magros e secos á programas de televisão que vendem produtos "mágicos" para perda de peso ou para ganho muscular, o conteúdo a que temos acesso nos diz que podemos resolver problemas de saúde de forma bem fácil. Apenas gastando um pouco de dinheiro se consegue ser saudável, eles afirmam. Isso chega a ser engraçado.

A mídia distorce a noção de saúde, muitas vezes. A TV convida as pessoas a se iludirem que podem obter saúde sem qualquer tipo de esforço. A TV diz as pessoas que elas podem comer o que quiser, é só colocar a dose recomendada daquele pó mágico na comida e você consegue uma perda de peso. A mesma TV diz que você pode amarrar um dispositivo eletrônico na cintura ou na barriga e ele irá definir seus músculos por você. E olha só, há várias cirurgias e procedimentos que podem fazer as pessoas lindas e maravilhosas. Como moldes. As revistas mostram que se você tomar coquetéis específicos para seu corpo, não precisa se exercitar. E se existisse um aplicativo que fizesse você mais saudável, as vendas desse software explodiriam. 

Em relação à saúde no mundo dos negócios, o desenvolvimento empresarial de programas bem-sucedidos e eficazes de bem estar passa por vários desafios. Não só quanto às práticas a serem adotadas pelas empresas ( hábitos trabalhistas mais saudáveis e mudança de cultura empresarial ), mas também em relação à resistência que se percebe evidentemente em um número elevado de pessoas quando se trata de mudar de rotina, de hábitos ou estilos de vida.

Um problema fundamental com a abordagem de pensamento de bem estar é de que tudo pode ser evitado. Então, se pessoas não tomam determinadas atitudes consideradas saudáveis, são consideradas fora do padrão, taxadas de preguiçosas, ou simplesmente não estão fazendo a coisa certa. O problema estaria na tirania, em que se considera apenas certos hábitos como saudáveis e se rechaça outros que seriam não-saudáveis.


2) Em vez de se focar apenas na doença, como tratar o paciente como um todo?


Uma mudança de paradigma de um modelo médico é um desafio. Poderia se desafiar a noção de "tratar das doenças e distúrbios do paciente" para "cuidar da pessoa como um todo". 

A 1ª noção foca na doença, e mais tarde, quando se começa a cuidar da pessoa, ela já está tão doente que o foco se limita de fato à doença. A 2ª noção foca na pessoa, e em fazer as pessoas criarem um sentido próprio e em se tornarem melhores, e daí, a preocupação estaria menos em uma "cura" e mais na "prevenção de cura".

Nem todos querem o mesmo tipo de cuidados. As pessoas querem e esperam coisas diferentes no seu tratamento médico, que esteja de acordo com as próprias crenças e valores, e não apenas com o que o médico indica.



3) Como principalmente crianças e adolescentes podem ter um papel mais ativo em se tratando da sua própria saúde?


- Proporcionar a eles um ambiente familiar e amigável, harmônico, e ao mesmo tempo estimular o senso crítico e fazer com que hajam discussões em que haja divergência de opiniões em relação à saúde. Isso faz com que se sintam parte de seu próprio bem-estar, conheçam mais sobre seus corpos e possam até oferecer ajuda para seus próprios pais ou outros adultos.

- Prepará-los para a realidade futura, em que investimentos em saúde hoje podem impactar de forma benéfica na continuidade de suas vidas.

- Oferecer às crianças e adolescentes ferramentas que possibilitam conhecerem mais sobre o que produz saúde e quais os impactos da adoção de um sistema de vida saudável. No colégio, praticamente não há orientações para que crianças sejam mais saudáveis (isso se dá na forma de venda de lanches, hambúrgueres, hot-dogs e salgados). Em vez de dizer a elas: "Você precisa passar em um médico", seria adequado falar-lhes sobre os determinantes da saúde em ambientes e situações variadas, e dessa forma elas conseguirão se adaptar melhor a um modo de vida baseado em maior grau de saúde.



4) Como evitar a falta de comunicação entre a comunidade médica e entre médicos e pacientes?


O Dr. Steven Kussin acredita em 10 barreiras dificultadoras do relacionamento efetivo entre médicos e seus colegas, e entre os médicos e seus pacientes, principalmente.

I) Para os Médicos

a) Tempo: para os médicos, uma interação produtiva e complexa com seus pacientes somente é necessária para problemas complexos. Porém, escolhas médicas são sensíveis quanto a seus impactos, e de fato, os médicos precisariam de bastante tempo para obter o conhecimento necessário de seus pacientes, e assim construírem um espectro da situação, em que todas as opções disponíveis para tratamento são consideradas. (90% dos pacientes querem ter opções diversas, e não apenas uma "melhor" recomendação.

b) Dinheiro: métodos eficientes e velozes de relacionamento com os pacientes demandam investimentos, que não são nem um pouco baratos.

c) Rotina: médicos são humanos, e também seguem padrões. Isso quer dizer que muitos deles seguem fielmente seus métodos médicos, seguindo suas tarefas específicas de especialidade. Ou seja, muitos preferem fazer apenas o que foram treinados para fazer.

d) Estrutura: a comunicação entre departamentos médicos e fornecedores de materiais e bens utilizados no setor não possui coordenação, e muito menos continuidade nessa cadeia logística.

II) Para os Pacientes 

e) Discordância: pacientes costumam discordar de seus médicos (86% dos pacientes acham que discordar do conselho de médicos influenciam diretamente para que o vínculo médico-paciente seja quebrado).

f) Conversas informais: a maioria dos diálogos com os médicos costuma ser demasiadamente pessoas e ineficaz em sentidos claros. Essa comunicação se dá como em uma paróquia (para crentes), ou em uma discussão entre amigos. Ou seja, discussões adequadas (produtivas) entre médicos e pacientes são minoria durante uma consulta.

g) Perspectivas: os pacientes muitas vezes não dizem o que realmente querem, e por consequência, médicos não pedem o que precisam.

h) Informações leigas: a maioria das informações médicos em consultório são ouvidas mais em universidades do que no real mercado de trabalho. Esse apelo acadêmico limita a relação de campo entre médicos e pacientes.

i) Falta de empatia: esse é, na minha opinião, a maior causa de problemas de relacionamento entre médicos e pacientes.

j) Barreiras linguísticas: a comunicação só é possível quando se há uma linguagem comum. Quando uma das partes não entende a outra, a qualidade do atendimento despenca. Tanto médicos quanto pacientes podem pecar nesse aspecto de interpretação do que é falado.


5) Quais são as causas da privação de sono?


Dormir pouco é extremamente mais danoso para o corpo do que comer mal ou não praticar nenhum tipo de exercício físico. Dormir é o fator mais importante dos 3 pilares básicos de saúde, e essa privação do sono seria a responsável pelo aumento da obesidade, stress crônico, doenças cumulativas, problemas cognitivos e inúmeros outros males.

Para o PhD Russell Sanna, boa qualidade do sono não se refere apenas a deitar na cama e dormir por horas a fio, mas também adotar algumas práticas (muitas delas bastante difíceis de se adotar no dia-a dia), como: a) evitar nicotina, álcool, cafeína e outras substâncias que interferem no sono; b) estabelecer uma rotina pré-sono (atividades ou pensamentos que induzam ao sono); c) ir para a cama quando se está verdadeiramente cansado (muitos adiam o sono por ter que resolver algo urgente); d) manter seu relógio biológico em um ritmo estável; e) transformar seu quarto em um ambiente propício para o descanso (muitos usam o quarto para empilhar coisas, montar instrumentos musicais ou encher de bugigangas sem funcionalidade nenhuma); e f) seguir essas recomendações sempre que sua rotina permitir ser possível.

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