sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Navegante

Uma vontade. Um sentimento diz que é hora de pegar as coisas e ir.....navegar. Viajar.

O Navegante

Voa à noite, pra longe, pra mudar de vida, de meta, de sonhos.
Voa pelo céu, viaja pra longe
Navega pelo mar, lá pro horizonte

No porto, sentado na amurada
Envolto na ventania, o navegante enxerga um ponto negro, distante

Esperando o navio que demora
Numa paisagem deslumbrante da linha do horizonte
Aquela figura de um navio lá longe

O navegante o espera.

Lua alta, olhos pensativos, brisa na cara

Sentado na beira do cais, olha pra trás, pra janela do quarto acalentador que deixou
Sem medo, só livramento
Deixando pra trás aquele sentimento de vazio interior,
Como se um espírito que passou, sussurrando algo no vendaval.

Toca uma música melodiosa no cais do porto, e de algum lugar vem um bom humor,
O navegante quer viajar, vai deixar o navio ancorar pra nele embarcar
Num navio que vai pra algum lugar

O navio está no porto, ele chegou.

Exigente contato com a solidão, e ela não dói nada,
O navegante já entrou no navio, a jornada foi traçada, hora de espairecer a consciência
Hora de experimentar a maresia, pro mar até o fim da linha 
Desapego da civilização, percepção pura da mãe natureza

Ondas invisíveis batem na mente navegante, batem no casco do navio viajante,
Vem com tudo aquela excitação emocional que satisfaz a curiosidade instigante

Embarcar num navio sem saber qual destino será, se nem destino há, além do mar
Apenas ondas tempestuosas que levam a mudança da rota, do caminho
As ondas invisíveis que batem na mente do navegante são gigantes
Formam espirais dançantes

São furiosas as ondas daquele mar que leva o viajante pra onde ele deseja chegar
Soube pra onde quis ir sem sair do lugar, esperou pelo estímulo que o faria vagar
Deixou o navio se aproximar, e quando chegou no porto, o navegante decidiu ir pro mar

Se for viajar, navegue com liberdade pra onde desejar
Mas, se for ficar, não precisa sair do lugar pra poder se libertar

Deixar um lugar, pra navegar em outro, navegante oportunista 
Na ambição da aventura não se pode fingir a adrenalina que circula

A força do desprendimento é poderosa
Igual as águas tempestuosas dos mares que um navegante atravessa.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Insights - Jornalismo (Parte I)

No 1º tema da seção "Insights", falei sobre a Medicina. No 2º tema da seção, vou falar sobre ideias e inovações, tendências que farão parte (e algumas já fazem) do panorama do Jornalismo no mundo. 

Nessa primeira parte do tema "Jornalismo", comento sobre a grande crise que vem afetando o setor jornalístico e midiático em geral, para depois, na 2ª parte desse tema, comentar sobre o futuro da profissão de jornalista, e a nova era de desafios do ascendente "jornalismo digital".

A Crise no Jornalismo


O declínio da imprensa tradicional é um fenômeno mundial. Por mais que na maioria dos países essa ruptura de modelos (da imprensa escrita, tradicional, clássica; para a imprensa digital, dinâmica, em rede) não ocasione problemas de grande escala econômica, "a imprensa tradicional é decadente por todas as partes", como afirma Luciano Martins, em matéria para o Observatório da Imprensa.

A dificuldade dos meios jornalísticos tradicionais em se adaptar às novas tecnologias de informação e comunicação ocorre porque o modelo de negócios que era vigente no mundo das notícias já está morto. Agora, um dos papéis imprescindíveis de um jornalista é adaptar-se à essas mudanças na maneira de ler, interpretar, redigir ou relacionar notícias e conteúdos, e contextualizá-los, utilizando-se integralmente de ferramentas online, participando e interagindo em redes sociais, produzindo por meios digitais. É a era do jornalismo digital, em vez do poder maçante da imprensa escrita.

Martins aborda essa questão da crise no jornalismo, associando-o à democracia, com uma pergunta: "Se o jornalismo é parte essencial da vida democrática, alimentando a sociedade com informações que ajudam na formação de uma consciência de cidadania, pode-se dizer que a imprensa tradicional cumpriu, e ainda cumpre esse papel de alguma forma, em algum lugar do mundo?".

Essa pergunta não foi respondida por Martins, mas ele deixou a entender que não. Quem disser que sim, estará se condenando a falta de opinião pessoal e uma maior tolerância para receber informações obsoletas e não críticas. Informações que vêm da massa, unicamente.

Se o antigo modelo jornalístico tradicional tivesse sido eficaz, precisaria ter se colocado como uma instituição aberta ao contraditório, justificando seu papel de mediadora entre visões de mundo divergentes, o que não aconteceu nesse modelo ultrapassado de jornalismo.

A aprendizagem de temas como cidadania, ética e justiça, por exemplo, não é possível de ocorrer apenas lendo-se jornais e revistas, ou através da audiência passiva de noticiários e programas de televisão. Esse aprendizado se consolida antes nos relacionamentos sociais, onde são testadas as convicções e atribuições sobre um assunto, e a capacidade de cada um em lidar com a diversidade de opiniões e interesses.

Em um modelo arcaico de jornalismo, as pessoas são submetidas a acreditarem e até a se contradizerem sobre aspectos e crenças internalizadas, sobre uma série de coisas. A imprensa divulga uma notícia ou estudo, que seja, e as pessoas leem essas publicações, as tornando ponto de partida para suas próprias opiniões e convicções. Esse modelo tira do ser humano sua autonomia de pensamento crítico e seu livre-arbítrio. Aprisiona o indivíduo, o torna passivo, receptor, em vez de "disseminador crítico".

Henry Blodget diz: "Há uma grande discussão agora sobre o que está acontecendo no negócio de notícias". Existem duas grandes opiniões diferentes: 

a) uma delas é que a notícia está morrendo. Os jornais e revistas, impressos, estão morrendo. Como o mundo irá se policiar frente a isso?

b) a outra opinião é o que vêm acontecendo: a quantidade de notícias que são criadas e compartilhadas por qualquer parte desse mundo, com as pessoas afogadas em informações, o dia inteiro. Como o mundo irá se policiar quanto a isso?

Qualquer pessoa com uma opinião sobre isso pode compartilhá-la, com quem quiser, na hora que quiser, da maneira que quiser. Quem estiver com o smartphone fará isso da rua, twittando ou postando no Facebook. Quem estiver no trabalho ou numa cafeteria, pode fazer isso através do notebook, mandando um e-mail, postando em um blog, por exemplo, como estou fazendo agora.

As informações continuam a ser vitais para o desenvolvimento de empresas e construção de relacionamentos sociais/profissionais, para a interatividade entre o jornalista e o leitor (falarei melhor sobre isso na parte II), a otimizar as tomadas de decisão, facilitar a vida das pessoas, e por aí vai. 

Como afirma muito bem Luciano Martins, "a mídia continua a estimular a radicalização da sociedade, simplesmente porque não consegue lidar com as sutilezas da realidade contemporânea". E o resultado, por parte da sociedade, é mais irracionalidade.

A imprensa velha já morreu, deixando pouca coisa de seu legado para a nova era do jornalismo digital.

sábado, 12 de outubro de 2013

O Paradoxo da Escolha

Em uma das palestras do TED, de 2005, o psicólogo Barry Schwartz fala sobre uma realidade das sociedades industriais do Ocidente, que é a liberdade de escolha.

Schwartz diz que a  variedade de escolha que temos em nosso dia-a-dia nos tornou menos livres e mais paralisados, menos felizes e mais insatisfeitos.

Durante a palestra, o psicólogo comenta que existe um dogma de que, para maximizar o bem-estar das pessoas (no sentido social), e a lucratividade de organizações (no sentido econômico), deve-se maximizar as liberdades individuais. A razão para isso é que a liberdade é essencial para nós, e ao termos liberdade, poderemos maximizar nosso próprio bem-estar (e então seríamos mais sociais e produtivos).

O jeito de maximizar a liberdade é maximizar as opções de escolha que as pessoas têm. Elas tendo escolha, terão mais liberdade, e quanto maior a liberdade, maior o bem-estar. E Schwartz acha que isso já está enraizado na sociedade, incorporado ao nosso estilo de vida.

Alguns exemplos para demonstrar a imensa variedade de que dispomos é a quantidade de seções existentes em um supermercado, em uma loja de varejo ou conveniência; a quantidade de filmes disponíveis no Netflix ou no Now (da NET); a infinidade de músicas disponíveis para download, dos mais variados gêneros e subgêneros possíveis. É um mercado segmentado, de nichos. 

No supermercado, pode-se encontrar dezenas ou centenas de opções para um só produto: como hambúrgueres de todo tipo de carne, cafés de várias regiões e tipos, comidas para cachorro, pastas de dente, ou chicletes, que seja. Nas lojas de varejo, encontram-se diversos modelos de jeans ou camisas, e aquele vendedor bem treinado irá indicar um ou outro cinto ou talvez um sapato que caia bem com os modelos que o consumidor selecionou para provar.

Na internet, se encontra qualquer música que quiser, ou qualquer filme e documentário de interesse, sabendo onde e como procurar. No Netflix ou no Now, chegamos a ignorar vários filmes, pelo fato de termos tantas opções, que acabamos não escolhendo filme algum para assistir.

Para dar um exemplo de uma mudança gerada pela abundância de opções e dessa explosão de escolhas, Schwartz dá o exemplo de um médico e seu paciente, em que não ocorre mais de você ir a um médico e o médico lhe dizer o que fazer. Em vez disso, você vai ao médico, e ele lhe diz:

- Você pode fazer A ou fazer B. A tem esses benefícios e riscos. B tem esses benefícios e riscos. O que você quer fazer?
- Doutor, o que eu devo fazer?
- A tem esses benefícios e riscos. B tem esses benefícios e riscos. O que você quer fazer?
- Se fosse eu Doutor, o que faria?
- Mas eu não sou você. - termina o doutor.

E o resultado disso é a autonomia do paciente. É a liberdade que ele possui, as escolhas que pode fazer. Mas segundo Schwartz, isso é de fato uma transferência de responsabilidade de alguém que sabe alguma coisa (o médico), para alguém que sabe menos (o paciente), sendo que este pode estar doente a ponto de não poder tomar decisões. E decisões são baseadas em escolhas.

Ele diz que a identidade também é uma questão de escolha. Você pode se reinventar uma série de vezes durante a vida, se desejar e se esforçar para isso, e pode até influenciar uma mudança em outra pessoa. Também é uma questão de escolha.

No trabalho, a tecnologia permite que possamos aproveitar todo o tempo disponível, pois temos condições de trabalhar a cada minuto desse tempo. Schwartz comenta que essa "acessibilidade para produzir" gera outro paradoxo de uma escolha, a de trabalhar ou não.

Com tantas opções diferentes que podem nos atrair (celulares, tablets, lep-tops), as diversas possibilidades do que fazer (multiplicidade de escolhas), nos faz questionar se vamos trabalhar mesmo ou não.

Poder fazer o que quiser. Então, a variedade de opções que temos é uma coisa boa como parece ser, ou pode ser ruim? Schwartz acredita na segunda opção, de que muitas escolhas podem ser prejudiciais, ter efeito negativo nas pessoas.

Um desses efeitos, paradoxalmente, é de que essa variedade de escolhas produz paralisia, em vez de liberdade. Com tantas opções para escolher, as pessoas acham muito difícil se decidir. Se vamos a uma loja e gostamos dela pois grande parte das coleções contém roupas do nosso estilo, acabamos escolhendo várias peças para provar, inclusive várias peças de uma mesma roupa, como 3 jeans azuis de marcas diferentes ou 3 tamanhos diferentes.
Quando aparecem dezenas de coisas para resolver durante o dia, vamos caindo em dilemas que se tornam em dúvidas sobre o que fazer, como fazer, quando fazer, e se vamos resolver todas nossas responsabilidades. E aí vamos deixando o que fazer pra depois, e pra depois. E acabamos não fazendo nada.

Isso é o que Schwartz quer dizer, que a paralisia é uma consequência de termos tantas escolhas. Esse é um dos efeitos dessa variedade de opções.
O outro efeito é que a variedade de escolhas também nos deixa mais frustrados.

Mesmo que consigamos superar essa paralisia e tomar uma decisão, acabamos menos satisfeitos com o resultado da escolha, do que se tivéssemos menos opções para escolher. Se por exemplo, temos 2 opções, e escolhemos uma, dificilmente nos arrependeremos por não ter optado pela outra. Mas se tivermos 10 opções, e escolhermos uma ou duas que seja, a chance de nos frustrarmos por não ter escolhido as outras 8 ou 9 peças é bem maior. E sabemos que essa frustração acontece com frequência depois de uma compra.

Schwartz afirma que dentro dessa imensa variedade de opções de que dispomos, é fácil imaginar uma escolha diferente que seria melhor do que aquela que escolhemos. Muitas alternativas induzem ao arrependimento mais provável. E o arrependimento diminui a satisfação com a decisão tomada por nós, mesmo que tenha sido uma boa decisão. Quanto mais opções, mais fácil se arrepender ou se decepcionar.

Ele chama isso de "custo de oportunidade", termo bem comum em marketing. A imensa variedade de opções (custo de oportunidade) diminui a satisfação da escolha, mesmo quando ela é sensacional. É isso que mostra o paradoxo demonstrado por Schwartz, de que escolher uma coisa automaticamente é não escolher outras, que poderiam ter sido melhores

Ou não. Mas sempre nos questionaremos sobre o que decidimos. 

Ver: http://conrado.com.br/barry-schwartz-sobre-paradoxo-da-escolha/ (palestra de Barry Schwartz sobre o paradoxo da escolha, no TED).

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Origem do Mal

As coisam existem porque possuem uma forma e um sentido. Deus existe?? O mal existe?? E se Deus e o mal existem juntamente, por que Deus não elimina esse mal? Ou, se Deus existe, e ele é "bom", por que afinal teria de existir o mal? 

Para respostas como essas, Aurélio Agostinho (o tal Santo Agostinho, que se aprende em praticamente todas as escolas católicas), tentou procurar respostas.

Agostinho tinha interesse particular sobre a questão do mal. Se Deus é inteiramente bom e todo-poderoso, por que há o mal no mundo?

Para cristãos como Agostinho, esse era, e ainda é, um problema central. Isso porque ele transforma um aspecto natural do mundo (que ele contém o mal), em argumento contra a existência de Deus. E este não é o foco desse post, mas sim tentar simplificar as perguntas do início desse texto e procurar clarificá-las.

Tomando a linha de pensamento de Platão, Agostinho foi capaz (em minha opinião), de responder a um aspecto desse problema facilmente e muito bem, mesmo eu considerando a não possibilidade concreta da existência de Deus.

Ele acreditava em um Deus e defendia que, embora tenha criado tudo o que existe, Deus não criou o mal pois o mal não é algo, mas a falta ou deficiência de algo. O mal de um homem cego é a falta de visão, o mal em um ladrão é a falta de honestidade, o mal da pobreza é a falta de fartura. 

Mas para defender a hipótese de que Deus existe realmente, Agostinho precisava explicar por que esse tal Deus teria criado o mundo de tal maneira, a permitir que existissem males e deficiências naturais e morais que acometiam os seres humanos em suas vidas tão trágicas. Sua resposta se baseou em torno da ideia de que os seres humanos são seres racionais. Ele argumentou que, para que Deus criasse criaturas racionais (como os seres humanos), tinha de lhes dar livre arbítrio. Ter livre-arbítrio é ser capaz de escolher - inclusive escolher entre o bem e o mal.

Por essa razão, Deus "teve" que deixar aberta a possibilidade de que o suposto primeiro homem (que seria Adão), escolhesse o mal em vez do bem. E pra quem conhece essa passagem da Bíblia, sabe que foi a decisão maléfica a escolhida por Adão.

Então, se Deus deixou aberta essa possibilidade de se optar pelo mal, como ele poderia controlar todos os comportamentos "maléficos" que haveriam de acontecer, inevitavelmente, no transcorrer dos tempos? Não poderia, e, sem controlar o mal, perde sua posição de supremacia de poder. 

O máximo que Deus poderia ter feito se tivesse criado o ser humano à sua imagem e semelhança, seria fazer com que todos os homens fossem bons (ao mínimo), como ele supostamente foi considerado. 

Afinal, se Deus era bom, porque não criou os indivíduos dessa forma, como ele?
Seria para atestar a existência do mal? Ou para provar que o mal poderia ser combatido? Me parece que a segunda pergunta é a mais difícil de se responder. Deus nunca pôde evitar o mal, muito menos controlá-lo.

Agostinho afirmou que Deus "não é a origem do mal", pois o mal não é uma coisa que pudesse ser "criada". Se o mal não pode ser criado, então o bem também não pode, então tentar sanar o mal com a força de Deus só fará com que o pensamento de Agostinho seja concretizado, ou seja, de que Deus, tendo vivido, "permitiu" que a racionalidade que faz parte dos seres humanos lhes dê a capacidade de avaliar dentre as escolhas, por meio do processo de raciocínio. Esse processo de raciocínio só é possível na presença de liberdade. E liberdade (o que Deus "nos deu"), é poder escolher entre uma coisa ou outra. Entre o bem e também o mal, entre o doce e também o salgado, entre a vida e a morte também, e por aí vai. 

Então Deus, não sendo a origem do mal, não pode ser a origem do bem, e essa ideia é o pressuposto básico desse meu post, partindo de um lado do pensamento de Santo Agostinho, veja só, um cristão.

Santo Agostinho também sugeriu uma solução alternativa para o problema da existência do mal, convidando-nos a ver o mundo como algo belo. Ele dizia que, embora exista o mal no mundo, este mal contribui para um bem total, sendo que esse bem é maior do que poderia existir sem a presença do mal (por exemplo, como dissonâncias na música pode tornar sua harmonia mais agradável, ou fragmentos escuros que contribuem para a beleza de um quadro) , ou seja, um bem só é visto como bem, porque as pessoas se dão conta do mal. Um não existe sem o outro, pois um é o "não ser" do outro.

Alguém sem uma crença em Deus (como eu), pode argumentar que a presença do mal no mundo é um dos aspectos que provam que não há um Deus todo-poderoso e benevolente, e não me preocupo em focar nisso. Mas, para quele que acredita em Deus, os argumentos de Agostinho, vistos pelo lado cristão, devem conter uma resposta satisfatória para reafirmar suas crenças.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Inferioridade Produtiva

O ex-médico e psicólogo Alfred Adler é considerado o fundador da psicologia individual (ou psicologia das diferenças). Sua principal atribuição reside na condição de superioridade na qual o ser humano passa a vida tentando atingir, de forma ininterrupta. Ele é considerado um visionário de concepções extremamente negativas e depressivas, que se nota em uma de suas frases: "Ser humano é sentir-se inferior". Mas seus estudos não se limitam a isso, e fazem bastante sentido.

Lendo esse parágrafo, não é difícil de se pensar que ele deveria ser uma pessoa de tendência depressiva, e sua vida lhe deu sinais suficientes para que ele fosse realmente uma pessoa mais pra baixo. Era filho de judeu com religiosa fervorosa, e enfrentou a morte de familiares e amigos por inúmeras vezes.

O enfoque de sua psicologia é mais individualista. O principal interesse de estudo de Adler estava na questão da inferioridade e dos efeitos positivos e negativos da autoestima nas pessoas.

Ele começou sua carreira trabalhando com pacientes, especialmente deficientes físicos. Observando os efeitos que a deficiência tinha sobre as realizações e sentimentos da pessoa a respeito de si mesma, o psicólogo percebeu várias diferenças entre seus pacientes.

Alguns deficientes eram capazes de alcançar altas marcas atléticas e tinham desempenho físico admirável, e Adler notou que, nessas personalidades, a deficiência servia como poderosa motivação, em vez de obstáculo para a performance. No outro extremo, havia pacientes que se sentiam derrotados por suas deficiências e não faziam o menor esforço para melhorar essa situação.

Adler compreendeu que as diferenças entre os deficientes físicos de alta performance atlética e os "derrotados" eram reflexo do modo como esses indivíduos enxergavam a si próprios. Ou seja, sua condição de humor e seu senso de existência eram consequência direta da sua autoestima. E nela está a questão da inferioridade insistente, além do complexo de busca da superioridade constante por parte das pessoas.

Complexo de Inferioridade


Adler dizia que sentir-se inferior é uma experiência humana universal, cujas raízes estão na infância (sempre na infância...). As crianças sentem-se naturalmente inferiores, pois estão sempre cercadas de pessoas mais fortes, mais poderosas e com habilidades mais bem desenvolvidas. Crianças podem demonstrar ser super felizes, interativas e carinhosas. Podem o ser, mas nunca sem atribuírem a si mesmas essa condição de debilidade, de inferioridade iminente em relação ás pessoas a seu redor.

Uma criança geralmente tenta imitar e alcançar as habilidades dos adultos que a cercam e o faz motivada pelas forças ao seu redor, que a impulsionam em direção a seu próprio desenvolvimento e sua auto-realização.

Os sentimentos de inferioridade vão se dissipando a cada nova conquista ou desafio superado, mas mesmo que um indivíduo não assuma uma tendência fortemente inferiorizada, esse sentimento retorna sempre, antes ou depois da realização ou superação de um problema, que advém de surtos positivos de autoestima. 

O psicólogo também percebeu que esse complexo de inferioridade não chega a ser uma neurose, e sim um catalisador para novas experiências e superação de desafios na vida. 

Essa condição é uma virtude que leva ao crescimento.

Há a necessidade constante de se batalhar por objetivos, e quando eles são conquistados, o sentimento de autoestima se eleva e por consequência, o complexo de inferioridade tem uma baixa, mas logo a situação retorna ao ponto de partida do neurótico complexado, e a pessoa se cobra e se cobra por mais. Isso não é característica de um neurótico (o indivíduo já carrega em si um sentimento de neurose e inferioridade), e sim de uma pessoa determinada e incentivada a continuar buscando novas conquistas e reconhecimento externo.