quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Origem do Mal

As coisam existem porque possuem uma forma e um sentido. Deus existe?? O mal existe?? E se Deus e o mal existem juntamente, por que Deus não elimina esse mal? Ou, se Deus existe, e ele é "bom", por que afinal teria de existir o mal? 

Para respostas como essas, Aurélio Agostinho (o tal Santo Agostinho, que se aprende em praticamente todas as escolas católicas), tentou procurar respostas.

Agostinho tinha interesse particular sobre a questão do mal. Se Deus é inteiramente bom e todo-poderoso, por que há o mal no mundo?

Para cristãos como Agostinho, esse era, e ainda é, um problema central. Isso porque ele transforma um aspecto natural do mundo (que ele contém o mal), em argumento contra a existência de Deus. E este não é o foco desse post, mas sim tentar simplificar as perguntas do início desse texto e procurar clarificá-las.

Tomando a linha de pensamento de Platão, Agostinho foi capaz (em minha opinião), de responder a um aspecto desse problema facilmente e muito bem, mesmo eu considerando a não possibilidade concreta da existência de Deus.

Ele acreditava em um Deus e defendia que, embora tenha criado tudo o que existe, Deus não criou o mal pois o mal não é algo, mas a falta ou deficiência de algo. O mal de um homem cego é a falta de visão, o mal em um ladrão é a falta de honestidade, o mal da pobreza é a falta de fartura. 

Mas para defender a hipótese de que Deus existe realmente, Agostinho precisava explicar por que esse tal Deus teria criado o mundo de tal maneira, a permitir que existissem males e deficiências naturais e morais que acometiam os seres humanos em suas vidas tão trágicas. Sua resposta se baseou em torno da ideia de que os seres humanos são seres racionais. Ele argumentou que, para que Deus criasse criaturas racionais (como os seres humanos), tinha de lhes dar livre arbítrio. Ter livre-arbítrio é ser capaz de escolher - inclusive escolher entre o bem e o mal.

Por essa razão, Deus "teve" que deixar aberta a possibilidade de que o suposto primeiro homem (que seria Adão), escolhesse o mal em vez do bem. E pra quem conhece essa passagem da Bíblia, sabe que foi a decisão maléfica a escolhida por Adão.

Então, se Deus deixou aberta essa possibilidade de se optar pelo mal, como ele poderia controlar todos os comportamentos "maléficos" que haveriam de acontecer, inevitavelmente, no transcorrer dos tempos? Não poderia, e, sem controlar o mal, perde sua posição de supremacia de poder. 

O máximo que Deus poderia ter feito se tivesse criado o ser humano à sua imagem e semelhança, seria fazer com que todos os homens fossem bons (ao mínimo), como ele supostamente foi considerado. 

Afinal, se Deus era bom, porque não criou os indivíduos dessa forma, como ele?
Seria para atestar a existência do mal? Ou para provar que o mal poderia ser combatido? Me parece que a segunda pergunta é a mais difícil de se responder. Deus nunca pôde evitar o mal, muito menos controlá-lo.

Agostinho afirmou que Deus "não é a origem do mal", pois o mal não é uma coisa que pudesse ser "criada". Se o mal não pode ser criado, então o bem também não pode, então tentar sanar o mal com a força de Deus só fará com que o pensamento de Agostinho seja concretizado, ou seja, de que Deus, tendo vivido, "permitiu" que a racionalidade que faz parte dos seres humanos lhes dê a capacidade de avaliar dentre as escolhas, por meio do processo de raciocínio. Esse processo de raciocínio só é possível na presença de liberdade. E liberdade (o que Deus "nos deu"), é poder escolher entre uma coisa ou outra. Entre o bem e também o mal, entre o doce e também o salgado, entre a vida e a morte também, e por aí vai. 

Então Deus, não sendo a origem do mal, não pode ser a origem do bem, e essa ideia é o pressuposto básico desse meu post, partindo de um lado do pensamento de Santo Agostinho, veja só, um cristão.

Santo Agostinho também sugeriu uma solução alternativa para o problema da existência do mal, convidando-nos a ver o mundo como algo belo. Ele dizia que, embora exista o mal no mundo, este mal contribui para um bem total, sendo que esse bem é maior do que poderia existir sem a presença do mal (por exemplo, como dissonâncias na música pode tornar sua harmonia mais agradável, ou fragmentos escuros que contribuem para a beleza de um quadro) , ou seja, um bem só é visto como bem, porque as pessoas se dão conta do mal. Um não existe sem o outro, pois um é o "não ser" do outro.

Alguém sem uma crença em Deus (como eu), pode argumentar que a presença do mal no mundo é um dos aspectos que provam que não há um Deus todo-poderoso e benevolente, e não me preocupo em focar nisso. Mas, para quele que acredita em Deus, os argumentos de Agostinho, vistos pelo lado cristão, devem conter uma resposta satisfatória para reafirmar suas crenças.

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