terça-feira, 1 de outubro de 2013

Inferioridade Produtiva

O ex-médico e psicólogo Alfred Adler é considerado o fundador da psicologia individual (ou psicologia das diferenças). Sua principal atribuição reside na condição de superioridade na qual o ser humano passa a vida tentando atingir, de forma ininterrupta. Ele é considerado um visionário de concepções extremamente negativas e depressivas, que se nota em uma de suas frases: "Ser humano é sentir-se inferior". Mas seus estudos não se limitam a isso, e fazem bastante sentido.

Lendo esse parágrafo, não é difícil de se pensar que ele deveria ser uma pessoa de tendência depressiva, e sua vida lhe deu sinais suficientes para que ele fosse realmente uma pessoa mais pra baixo. Era filho de judeu com religiosa fervorosa, e enfrentou a morte de familiares e amigos por inúmeras vezes.

O enfoque de sua psicologia é mais individualista. O principal interesse de estudo de Adler estava na questão da inferioridade e dos efeitos positivos e negativos da autoestima nas pessoas.

Ele começou sua carreira trabalhando com pacientes, especialmente deficientes físicos. Observando os efeitos que a deficiência tinha sobre as realizações e sentimentos da pessoa a respeito de si mesma, o psicólogo percebeu várias diferenças entre seus pacientes.

Alguns deficientes eram capazes de alcançar altas marcas atléticas e tinham desempenho físico admirável, e Adler notou que, nessas personalidades, a deficiência servia como poderosa motivação, em vez de obstáculo para a performance. No outro extremo, havia pacientes que se sentiam derrotados por suas deficiências e não faziam o menor esforço para melhorar essa situação.

Adler compreendeu que as diferenças entre os deficientes físicos de alta performance atlética e os "derrotados" eram reflexo do modo como esses indivíduos enxergavam a si próprios. Ou seja, sua condição de humor e seu senso de existência eram consequência direta da sua autoestima. E nela está a questão da inferioridade insistente, além do complexo de busca da superioridade constante por parte das pessoas.

Complexo de Inferioridade


Adler dizia que sentir-se inferior é uma experiência humana universal, cujas raízes estão na infância (sempre na infância...). As crianças sentem-se naturalmente inferiores, pois estão sempre cercadas de pessoas mais fortes, mais poderosas e com habilidades mais bem desenvolvidas. Crianças podem demonstrar ser super felizes, interativas e carinhosas. Podem o ser, mas nunca sem atribuírem a si mesmas essa condição de debilidade, de inferioridade iminente em relação ás pessoas a seu redor.

Uma criança geralmente tenta imitar e alcançar as habilidades dos adultos que a cercam e o faz motivada pelas forças ao seu redor, que a impulsionam em direção a seu próprio desenvolvimento e sua auto-realização.

Os sentimentos de inferioridade vão se dissipando a cada nova conquista ou desafio superado, mas mesmo que um indivíduo não assuma uma tendência fortemente inferiorizada, esse sentimento retorna sempre, antes ou depois da realização ou superação de um problema, que advém de surtos positivos de autoestima. 

O psicólogo também percebeu que esse complexo de inferioridade não chega a ser uma neurose, e sim um catalisador para novas experiências e superação de desafios na vida. 

Essa condição é uma virtude que leva ao crescimento.

Há a necessidade constante de se batalhar por objetivos, e quando eles são conquistados, o sentimento de autoestima se eleva e por consequência, o complexo de inferioridade tem uma baixa, mas logo a situação retorna ao ponto de partida do neurótico complexado, e a pessoa se cobra e se cobra por mais. Isso não é característica de um neurótico (o indivíduo já carrega em si um sentimento de neurose e inferioridade), e sim de uma pessoa determinada e incentivada a continuar buscando novas conquistas e reconhecimento externo.

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