quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Insights - Jornalismo (Parte I)

No 1º tema da seção "Insights", falei sobre a Medicina. No 2º tema da seção, vou falar sobre ideias e inovações, tendências que farão parte (e algumas já fazem) do panorama do Jornalismo no mundo. 

Nessa primeira parte do tema "Jornalismo", comento sobre a grande crise que vem afetando o setor jornalístico e midiático em geral, para depois, na 2ª parte desse tema, comentar sobre o futuro da profissão de jornalista, e a nova era de desafios do ascendente "jornalismo digital".

A Crise no Jornalismo


O declínio da imprensa tradicional é um fenômeno mundial. Por mais que na maioria dos países essa ruptura de modelos (da imprensa escrita, tradicional, clássica; para a imprensa digital, dinâmica, em rede) não ocasione problemas de grande escala econômica, "a imprensa tradicional é decadente por todas as partes", como afirma Luciano Martins, em matéria para o Observatório da Imprensa.

A dificuldade dos meios jornalísticos tradicionais em se adaptar às novas tecnologias de informação e comunicação ocorre porque o modelo de negócios que era vigente no mundo das notícias já está morto. Agora, um dos papéis imprescindíveis de um jornalista é adaptar-se à essas mudanças na maneira de ler, interpretar, redigir ou relacionar notícias e conteúdos, e contextualizá-los, utilizando-se integralmente de ferramentas online, participando e interagindo em redes sociais, produzindo por meios digitais. É a era do jornalismo digital, em vez do poder maçante da imprensa escrita.

Martins aborda essa questão da crise no jornalismo, associando-o à democracia, com uma pergunta: "Se o jornalismo é parte essencial da vida democrática, alimentando a sociedade com informações que ajudam na formação de uma consciência de cidadania, pode-se dizer que a imprensa tradicional cumpriu, e ainda cumpre esse papel de alguma forma, em algum lugar do mundo?".

Essa pergunta não foi respondida por Martins, mas ele deixou a entender que não. Quem disser que sim, estará se condenando a falta de opinião pessoal e uma maior tolerância para receber informações obsoletas e não críticas. Informações que vêm da massa, unicamente.

Se o antigo modelo jornalístico tradicional tivesse sido eficaz, precisaria ter se colocado como uma instituição aberta ao contraditório, justificando seu papel de mediadora entre visões de mundo divergentes, o que não aconteceu nesse modelo ultrapassado de jornalismo.

A aprendizagem de temas como cidadania, ética e justiça, por exemplo, não é possível de ocorrer apenas lendo-se jornais e revistas, ou através da audiência passiva de noticiários e programas de televisão. Esse aprendizado se consolida antes nos relacionamentos sociais, onde são testadas as convicções e atribuições sobre um assunto, e a capacidade de cada um em lidar com a diversidade de opiniões e interesses.

Em um modelo arcaico de jornalismo, as pessoas são submetidas a acreditarem e até a se contradizerem sobre aspectos e crenças internalizadas, sobre uma série de coisas. A imprensa divulga uma notícia ou estudo, que seja, e as pessoas leem essas publicações, as tornando ponto de partida para suas próprias opiniões e convicções. Esse modelo tira do ser humano sua autonomia de pensamento crítico e seu livre-arbítrio. Aprisiona o indivíduo, o torna passivo, receptor, em vez de "disseminador crítico".

Henry Blodget diz: "Há uma grande discussão agora sobre o que está acontecendo no negócio de notícias". Existem duas grandes opiniões diferentes: 

a) uma delas é que a notícia está morrendo. Os jornais e revistas, impressos, estão morrendo. Como o mundo irá se policiar frente a isso?

b) a outra opinião é o que vêm acontecendo: a quantidade de notícias que são criadas e compartilhadas por qualquer parte desse mundo, com as pessoas afogadas em informações, o dia inteiro. Como o mundo irá se policiar quanto a isso?

Qualquer pessoa com uma opinião sobre isso pode compartilhá-la, com quem quiser, na hora que quiser, da maneira que quiser. Quem estiver com o smartphone fará isso da rua, twittando ou postando no Facebook. Quem estiver no trabalho ou numa cafeteria, pode fazer isso através do notebook, mandando um e-mail, postando em um blog, por exemplo, como estou fazendo agora.

As informações continuam a ser vitais para o desenvolvimento de empresas e construção de relacionamentos sociais/profissionais, para a interatividade entre o jornalista e o leitor (falarei melhor sobre isso na parte II), a otimizar as tomadas de decisão, facilitar a vida das pessoas, e por aí vai. 

Como afirma muito bem Luciano Martins, "a mídia continua a estimular a radicalização da sociedade, simplesmente porque não consegue lidar com as sutilezas da realidade contemporânea". E o resultado, por parte da sociedade, é mais irracionalidade.

A imprensa velha já morreu, deixando pouca coisa de seu legado para a nova era do jornalismo digital.

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