sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Geração Y - Quem São os Yuppies? [Parte I]

Correu e ainda corre por toda a mídia um artigo falando sobre a Geração Y, a geração dos chamados Yuppies (nome ridículo por sinal).

Vários veículos já publicaram sobre esse artigo (pois muitas pessoas se identificaram como membros da cultura Yuppie). Resolvi seguir a tendência porque acho o conteúdo bastante relevante, e não só para quem faz parte dessa geração.......enfim. 

Antes de começar, um pequeno lembrete.....

PS : Yuppie = Membro da Geração Y.

O que é essa tal geração Y?

A geração Y é formada por vários jovens de hoje, que nasceram entre o final da década de 70 e a metade da década de 90. Essa geração agrega uma cultura comum. A cultura chamada Yuppie (quem nunca exclamou um "YUPPIE!!" de alegria??) ( ;

O termo Yuppie descreve um conjunto de atributos e traços de comportamentos que vieram a constituir um estereótipo que se acredita ser padrão nos EUA e principalmente nos países do Ocidente. Contudo, essa expressão já vêm se tornando meio pejorativa desde a sua criação.

A palavra Yuppie é uma derivação da sigla norte-americana "YUP" (Young Urban Professional), ou seja, "jovem profissional urbano". Nesse grupo estão misturados os jovens profissionais entre 18 e 40 anos de idade, com a maioria numa situação financeira transitando entre a classe média e a alta.

Variações a parte, esses jovens compartilham algumas características, muitas delas apenas estereotipadas. Como parte de seu elevado ego, provavelmente esses jovens irão afirmar, para quem quiser ouvir, algo do tipo:

  • 'Já estou formado(a)'; ou 'Tenho uma formação universitária'
  • 'Trabalho muito, ganho muito e gasto muito, mas quero trabalhar menos'
  • 'Meu guia é a prosperidade'
  • 'Sou profissional'; ou 'Faço minhas atividades no trabalho com responsabilidade'
  • 'Valorizo bens materiais, principalmente os da moda, e sigo as tendências'
  • 'Tenho valores pessoais e profissionais bem determinados e esclarecidos'
  • 'Estou seguro(a) de mim, mas também estou seguro(a) de que posso ser muito melhor do que sou'
  • 'Gosto de participar de grupos de influência' ou 'Sou muito influente'
  • 'A popularidade me atraí'
  • 'Vou levar algum tipo de vantagem em algum relacionamento'
  • 'Uso apenas produtos de confiança e que me agreguem valor'
  • 'Possuo um estilo de vida ativo'; ou 'Sempre tenho o que fazer'
  • 'Posso contribuir em quase tudo'; (ênfase no "quase")
  • 'Me preocupo muito com minha aparência, principalmente física'
  • 'Desejo sucesso, status, reputação, reconhecimento social e tudo mais  que puder conquistar'; ou 'Sou extremamente ambicioso(a)'.

Ouvindo essas frases de alguém, se nota que esse alguém é ou afirma ser uma pessoa extremamente ambiciosa, confiante de si, determinada e comprometida social e profissionalmente, influente nos meios com os quais interage e conhecedora do suficiente que precisa saber para conquistar o próprio sucesso. 

Os Yuppies se sentem especiais. Consideram-se protagonistas de uma história muito importante.

Perfil Yuppie

Traços em comum que se percebe nesses perfis da geração Y são indicadores de um comportamento:

a) Ousado - esses jovens se questionam o tempo inteiro, promovem transformações estruturais e quebram paradigmas; se sentem confortáveis em tarefas desafiadoras e, especialmente, geradoras de inovação.

b) Curioso - esses jovens querem desafiar o status quo, querem reformar processos e padrões existentes e para isso consideram e exploram novas possibilidades.

c) Enérgico - esses jovens não poupam esforços para defender ou provar o que julgam ser correto; possuem um elevado estoque de energia e motivação para promover um grande desenvolvimento através de inúmeras e diferentes experiências.

Esses traços parecem bem positivos, promissores. Mas a existência desses traços demanda maiores responsabilidades, e cuidados. Esses jovens ousados, curiosos e enérgicos precisam lidar com suas qualidades e tudo que advém delas, como a indecisão, a falta de foco e uma possível incompatibilidade de valores.

Na publicação original, os autores deram 3 dicas (leia a 2ª dica duas ou três vezes) para esse membro da geração Y:

1. Continue ferozmente ambicioso - entre de cabeça em algo que goste. Busque sempre realização e sucesso profissional, e esteja ainda mais atento às novas possibilidades e tendências.

2. Pare de pensar que você é especial - o fato é: você não é especial. Especial é um termo que significa 'fora do comum', 'superior', 'notável', 'exclusivo', 'singular'. Você é diferente dos outros sim, mas não especial. Se todas as pessoas que dizem ser especiais fossem de fato especiais, o termo 'especial' não existiria, pois todos seriam especiais e não haveria distinção entre especial e 'normal'. Então não se iluda.

3. Ignore todas as outras pessoas - aquela impressão incômoda de que o gramado do vizinho é sempre mais verde, pois então. Cuide do seu gramado e se dedique para que ele permaneça verde, porque o vizinho não deixa de pensar também que o seu gramado é mais verdinho que o dele. Se você se dedicar às suas coisas, terá menos tempo para pensar no gramado dos outros, e evitar inveja. Faz bem.

Os jovens Yuppies devem ter cautela acima de tudo, pois seus estilos de vida automaticamente geram mais escolhas conflitantes e consequências de suas ações frente a elas (ver o post: http://frameinsights.blogspot.com.br/2013/10/o-paradoxo-da-escolha.html)

A intensa competitividade que os jovens Yuppies da geração Y vivenciam pode fazer com que vivam uma realidade de incoerência de valores pessoais com os sociais ou profissionais. Não deixe de ser quem você é. Yuppie ou não.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Capitalizing Kids

Em 2003, apenas 8% das crianças influenciavam fortemente seus pais nas decisões de compra. Hoje, 49% participam desse processo de forma intensa e, segundo diversos estudos, esse índice passará a ser de 82%.

As crianças não exercem apenas o papel de influenciadas. Elas são potenciais influenciadoras. Elas gastam seu próprio dinheiro em produtos e serviços, fruto de sua mesada. Essas crianças representam um mercado colossal em crescimento, em que o adulto consumidor de amanhã é a criança de hoje. 

O maior problema da publicidade e da propaganda dirigidas às crianças em geral é que elas criam um jogo sujo: colocando as crianças contra os pais; lhes dando poder em equivalência a de seus responsáveis.

Os pais (já bem inseridos nessa sociedade capitalista, sujeitos aos estímulos, manipulações e malandragens midiáticas), entram nesse jogo; se sentem pressionados, e ao mesmo tempo familiarizados ante a assustadora semelhança de suas condutas de consumo com a de seus filhos.

A partir da gradual inserção das crianças no universo capitalista do qual seus pais fazem parte, as mesmas também se sentem parte integrante de uma cultura infantil comum. Cultura alinhada ao capitalismo inevitável. Cultura baseada no consumismo como premissa; no poder como requisito que deve ser seguido. 


As crianças percebem nesse jogo que vão ganhando mais status e reconhecimento social; mas vão perdendo sua infância na mesma velocidade a que se adequam a padrões de consumo globalizados, estigmatizados.


A relação entre pais e filhos passa a ser intermediada não por emoção, respeito e empatia, mas sim por objetos materiais e o que for necessário para adquiri-los. Essa ambientação familiar material impulsiona a criança na direção de um mundo que diz que o sucesso vêm da posse de recursos, vem do verbo ter. Essa ambientação oferece à criança uma ilusão de poder, de fazer parte de algo que ela julga ser maior que seus valores familiares, ou até de seus próprios valores.


As crianças aprendem a trocar coisas, a barganhar por algo e a buscar sempre uma condição de favorecimento. Só que sentindo-se favorecidas, e na mesma medida, satisfeitas nessa condição poderosa, elas perdem intimidade e carisma. Reduzem suas percepções de empatia. Degradam suas relações sociais íntimas e diminuem sua capacidade de comunicação afetiva e harmoniosa de que tanto necessitam nessa fase de suas vidas, e de que tanto precisarão no futuro.


Sobre o mundo baseado em consumo e poder como oxigênio e as crianças que o respiram, dois documentários são bem interessantes:


- Um deles, "Criança, a Alma do Negócio" de Estela Renner, há vários flagrantes de enganosidade e abusividade com crianças.


- Outro, chamado "Consuming Kids: The Commercialization of Childhood", centra-se no crescimento explosivo do marketing infantil, na esteira da desregulamentação, mostrando como os comerciantes jovens têm usado os últimos avanços da psicologia, antropologia e neurociência para transformar crianças americanas (e de outras partes do mundo, é óbvio) em consumidores rentáveis e poderosos.


E esse marketing infantil não possui um direcionamento limitado. Pelo contrário, ele está literalmente por toda parte. No ônibus escolar, nas salas de aula, nos telefones celulares, na internet, nos murais dos corredores dos colégios, nas lanchonetes e cantinas, no cinema e em teatros, nas igrejas e se bobear, no céus e embaixo da terra também.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Inspiração e Liderança

Porque a Apple é tão inovadora? Ano após ano, eles são mais inovadores que todos seus concorrentes, tendo acesso às mesmas mídias, às mesmas agências, aos mesmos consultores que as outras empresas de tecnologia, ou não? Então porque eles parecem ter alguma coisa diferente?

Simon Sinek é responsável por uma das 7 palestras mais assistidas do TED, a maior conferência de inovação e compartilhamento de ideias do mundo. Ele discute sobre fatores determinantes do sucesso de uma empresa e de aspectos diferencias de liderança.

Sinek começa argumentando sobre a finalidade de grande parte das empresas (e também de grande parte das pessoas, já que estas compõem uma organização). Primeiro, ele lembra que muitos fracassam simplesmente por não conhecer a fundo suas finalidades; sem contar aqueles que não sabem absolutamente nada sobre aquilo que estão vendendo, divulgando ou mesmo falando.

Ele diz que todos podem saber o que fazem, como fazem e onde fazem (pelo menos deveriam saber). Mas a questão aí não é saber o quê, onde, como e nada disso, pois isso importa menos. O que empresas e pessoas deveriam se questionar é o por quê do que estão fazendo (seja vender churros na rua para pessoas que desejam comer rapidamente, construir pontes estaiadas para facilitar o fluxo de carros entre distritos e cidades ou palestrar sobre os benefícios de um novo produto orgânico no mercado).

Qual é a sua causa? Qual o seu propósito? Qual a sua finalidade? Porque você ou sua empresa existem? Porque você sai da cama de manhã cedo? Por quê você faz o que faz?


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Para explicar seu raciocínio, Sinek criou um conceito apelidado de círculo dourado. Talvez receba esse nome pelo fato de que líderes, funcionários e consumidores inspirados são a maior fonte potencial de sucesso nas empresas, e o sucesso gera lucro e riqueza (associação: riqueza-ouro-dourado).


Ele diz que a colossal maioria das empresas se manifesta e divulga ao público sobre seus propósitos de fora para dentro do círculo, ou seja, começam comunicando para si e para seu público "o quê fazem" (WHAT), "como fazem" (HOW), e só depois se preocupam em questionar e transmitir o "por quê fazem" (WHY) determinado negócio.

Essa maioria costuma agir dessa maneira por ser mais fácil de se dizer sobre a natureza do negócio em vez de comunicar quais são as causas maiores e as pretensões-fim de um negócio. E essa "comunicação do mais fácil", "de fora para dentro do círculo", é um sério fator limitante de vantagem competitiva para instituições que agem assim. 

É limitante porque não é inspirador.

Simon afirma que o maior diferencial que uma empresa pode oferecer é uma liderança e uma gestão de negócios baseada na clareza de finalidade e na inspiração das pessoas. E para isso, devem começar comunicando para o mundo sobre o por quê do que fazem, ou seja, agir de dentro para fora do círculo, como demonstrado abaixo:




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Ele comenta sobre como a grande maioria das pessoas "se vendem", e em como a maior parte das empresas fazem seus programas de marketing. Uma empresa de tecnologia por exemplo:

"Nós fazemos ótimos computadores ("O quê" fazem). Eles são lindamente projetados, têm uma interface amigável e são fáceis de usar ("Como" fazem). Você quer comprar um?"

Eu não iria querer.

Nesse caso, onde está a finalidade do programa de marketing? Cadê o "por quê" de vender tal produto??

Sinek lembra que a maioria de nós se comunica assim, e é dessa mesma forma que a maioria das vendas também são feitas: tratando do que menos importa para o que mais importa, e muitas vezes o que realmente é importante nem é considerado

Dizemos o que fazemos, como somos diferentes ou melhores, e então esperamos que alguém tome algum tipo de atitude (uma compra, um voto, um elogio que seja). 

Uma empresa automobilística vendendo um modelo de automóvel:

"Ele é econômico, tem bancos de couro, ótimo acabamento e design. Compre nosso carro".

Isso pode se mostrar eficiente, mas não inspirador.


A Apple e a Inspiração 


Sinek explica como a Apple é inovadora e possui uma causa original e verídica, apresentando sua finalidade antes de pretender vender algum produto ou convencer alguém:

"Tudo o que fazemos, nós acreditamos em desafiar o status quo. Nós acreditamos em pensar de forma diferente ("por quê" fazem). A forma como desafiamos o status quo é fazendo nossos produtos muito bem projetados, fáceis de usar e com uma interface amigável ("como" fazem). Acabamos fazendo excelentes computadores ("o quê" fazem). Quer comprar um?

Agora sim eu compraria. Tendo dinheiro e precisando de um computador, é claro.

Tudo o que Sinek fez foi inverter a ordem das informações. Em vez de começar com o quê se faz até tentar se comunicar o por quê do que se faz, o ideal é se fazer o contrário. Começar pela finalidade, pelas razões de existência, para depois comunicar o quê se faz ou como se faz.

Esse argumento de Simon Sinek prova que as pessoas não compram o quê você faz. Elas compram "o porquê você faz".

Se você contar para as pessoas no que você acredita, vai fatalmente atrair aqueles que acreditam no que você acredita. 

O objetivo aí não é fazer negócios com todo mundo que precisa do que você tem (eu mesmo sempre pensei assim). O objetivo é fazer negócios com pessoas que acreditam no que você acredita.

Bio-psico da Questão


Para reforçar esse fato, Sinek cita fatores biológicos e psicológicos que explicitam a veracidade de se fazer com que as pessoas se sintam engajadas e inspiradas, em vez de convencidas ou determinadas a tal coisa. Ele afirma que o cérebro humano pode ser dividido em três partes que se correlacionam, da mesma forma que o círculo dourado.

O neocórtex seria o nível "o quê" do círculo. O neocórtex é responsável por nosso pensamento analítico, racional e pela linguagem.

O sistema límbico é responsável por todos nossos sentimentos, como confiança, lealdade e amor. Também é responsável por todo comportamento humano, tomada de decisão, mas sem capacidade para linguagem. Seria o nível do "por quê".


Sinek argumenta que quando nos comunicamos de fora para dentro do círculo (desde o nível "o quê" até o "por quê"), não influenciamos o comportamento das pessoas

Mas quando nos comunicamos de dentro para fora do círculo (do nível "por quê" até o nível "o quê"), falamos diretamente para a parte do cérebro que controla o comportamento, e então permitimos que as pessoas racionalizem com as coisas tangíveis que dizemos e fazemos. E daí que vêm as decisões intuitivas. 

E daí vêm a diferença entre tentar vender algo a alguém; e fazer com que a pessoa se sinta na posição que deseja para comprar o que se têm para oferecer. 

São as verdadeiras motivações e necessidades humanas que vêm antes de qualquer vendeta ou promoção barata que se faça.


domingo, 10 de novembro de 2013

Insights - Jornalismo (Parte II)

Continuando o post sobre os insights da área de jornalismo, agora vou falar do novo cenário, dos novos desafios, das novas práticas enfrentadas pelos profissionais desse setor e de ideias e inovações construídas por esse panorama do tratamento de informações.

Vimos como a crise do jornalismo clássico (impressão, mídia massiva, limitação no compartilhamento de informações), deu lugar inevitavelmente ao jornalismo digital, em que o conteúdo é gerado não para as pessoas, mas produzido por elas mesmas

Todos são produtores de conteúdo: o leitor, o jornalista, o chef, o mendigo, o veterinário, a dentista, o arquiteto, a designer.

O jornalista de hoje trabalha juntamente com seu público, sabe que não existe processo que possa garantir o engajamento das pessoas. Os próprios leitores criam seus conteúdos de interesse e buscam informações que lhes sejam relevantes, em meio a quantidade ininterrupta de dados os quais recebem e precisam organizar diariamente.

Novo formato. Jornalismo digital. O poder da internet. "Pela 1ª vez, num só meio, juntam-se o texto, o som e a imagem", defendeu Ignacio Ramonet. O texto gerado pela imprensa, o som propagado nas rádios e a imagem nas telas de TV não são mais ferramentas distintas e peculiares que alimentam o público com conteúdo útil. Isso é oferecido às pessoas de uma vez só, de forma conjunta, associativa, através da internet. O jornalista passou do papel de "simples entregador do que o público precisa saber", para um "explorador do que o público não sabe", e "futuro criador de interesses". 

O novo jornalista aprende com seus leitores. Aprende o que é relevante saber ou não saber. E aí aprende a oferecer o que as pessoas querem.

As pessoas já são responsáveis por produzir conteúdo por elas mesmas. Elas leêm matérias, notícias ou assistem vídeos como se elas mesmas tivessem os feito. E aí então se questiona qual seria a importância do papel do jornalista, já que as pessoas não precisariam deles para buscar saber o que querem. 

O jornalista é fundamental por permitir que as pessoas possam encontrar o que buscam em meios aos quais tem total autonomia, mas nenhum controle. 


Interatividade (entre jornalista e leitor, entre jornalista e jornalista e entre leitor e leitor)


Uma das principais vantagens da internet é a interatividade entre as pessoas. Vários dizem que esse é o maior trunfo do jornalismo digital. Na verdade, a interatividade é o que separa o jornalismo tradicional do digital. Essa interatividade entre jornalistas e leitores possibilitada pela tecnologia disponível é uma grande vantagem, e também um grande perigo para o jornalismo online. De um lado, os jornalistas tem mais facilidade em entender e oferecer o que o público quer; de outro, torna o futuro da comunicação, das demandas de informação pelas pessoas, totalmente imprevisível. E isso assusta os profissionais do setor.

Segundo Pavlik, "a maioria dos editores e jornalistas não se contentam mais em apenas publicar notícias, assim o processo jornalístico torna-se cada vez mais um diálogo entre a imprensa e o seu público".

Canavilhas sugere um direcionador para os profissionais do setor jornalístico: "A notícia deve ser encarada como o princípio de algo, e não um fim em si própria".

Mas nem todo conteúdo gerado na internet é interativo, já que a interatividade depende do estabelecimento de um contato direto entre os dois lados da moeda: o jornalista e o leitor. 

Isso aumenta o desafio dos jornalistas: de criarem relacionamentos concretos com seus públicos, de estimularem leitores a compartilharem o que desejam, e o mais importante, promover interatividade

É fato que os jornalistas dessa nova era digital têm muito mais receio do que virá pela frente, do que será de suas carreiras. O que posso produzir que vai ser bem assimilado pelo público? O que os leitores irão considerar importante daqui pra frente? 

As novas mídias devem criar interatividade entre as pessoas, de outra forma fracassarão.

Os jornalistas, então, deveriam ter menos receio do que será de seu futuro e mais segurança por contar com essas novas mídias, já que elas lhes permitem saber o que ainda não se sabe e conhecer da melhor forma possível o que será desejado por seus leitores, através de interatividade. Ou seja, eles agora tem as ferramentas necessárias para não temer o que temem, que é justamente não saber o que seu público irá querer. 

Os jornalistas não precisam ter medo. Devem assumir que nada sabem, como Sócrates. 

Na verdade, os jornalistas também não precisam saber o que irão produzir. Os leitores já vão cumprir esse papel antes deles.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Philip Kotler - Marketing 3.0 e as Empresas Que Todos Amam

Durante palestra na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Philip Kotler (o da bíblia vermelha do marketing) discutiu sobre o novo contexto (já não tão novo assim), do chamado Marketing 3.0.

Mesmo com a idade pesando nas costas, Kotler não abandonou ainda suas atividades em prol do marketing. Falando sobre o novo panorama que se estende nesse campo, ele fez alguns apontamentos (com bom humor e ainda fazendo piadas durante a palestra) sobre cases de empresas de sucesso e sugeriu uma série de previsões que ele acredita que estarão em jogo no mundo marketeiro daqui em diante, que são os seguintes:

- Ele diz que grandes pólos econômicos na América do Norte, na Ásia, e na Europa principalmente vêm realizando e continuarão a realizar grandes investimentos em organizações de países de economia emergente (como o Brasil, a Coréia do Sul, a Índia, a Rússia), que prometem produtos e serviços, e agora também experiências de valor, com um pacote em comum: baixos custos, alta produtividade e níveis de qualidade, e tecnologia ultra-avançada.

- Para ele, haverá uma mudança de paradigma também nas cotas dos budgets das empresas de sucesso. Atualmente, cerca de 10% dos investimentos de empresas com alto grau de notoriedade estão em recursos potenciais, tecnologia e inovação disruptiva (não a incremental), e 90% em estratégias de mídia de massa. Isso mudará. As empresas, por necessidade, aumentarão seus budgets em inovação. Os 10% vão se tornar 15%, e depois 20%. O restante cada vez menor será destinado a comunicação de massa (sustentação do negócio). A preocupação será agregar mais e mais valor, e não sustentar o valor de mercado já consolidado.

- Ele defende a premissa de que empresas precisam pensar antes em defender suas marcas em relação a altíssima concorrência; e depois em realizar investimentos, desenvolver projetos, obter margens de lucro maiores ou criar campanhas publicitárias para elevar market-share.

- Os grandes departamentos (Tok & Stok, Sears, Wal-Mart, por exemplo) serão extintos, ou senão quase extintos. Darão lugar as lojas de conveniência (supermercados de bairro, pontos de venda estratégicos, pequenas lojinhas que vendem produtos especializados).

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Kotler apresentou na palestra uma série de "características de sucesso organizacional". 

Características em comum entre empresas que são cultuadas nos EUA, e em grande parte do mundo, para citar algumas: Apple, Google, Amazon, Harley Davidson, Starbucks, Ebay, BMW, IDEO (haverá um post especial sobre essa), entre várias outras.

Analisando padrões nessas empresas, se chega a algumas características que essas organizações têm em comum:

- Acreditam que a cultura organizacional colaborativa e voltada para a inovação aberta é imprescindível para a satisfação de seus funcionários e é um fator primário de vantagem competitiva.

- Há um alinhamento de interesses bem claro entre todos os stakeholders (funcionários, concorrentes, fornecedores, acionistas, clientes, etc).

- Veêm todos os stakeholders, principalmente os próprios consumidores, como verdadeiros parceiros do negócio.

- Os custos em marketing são menores que a média dos atuantes de seus setores de atuação, e o grau de satisfação e retenção de consumidores potenciais é extremamente maior do que de seus concorrentes.

- Os salários dos executivos são relativamente modestos.

- Funcionários são treinados por mais tempo, sob práticas mais adequadas, e em geral, recebem benefícios e comissões por competências e objetivos conquistados (aumenta o grau de motivação das pessoas, o que naturalmente eleva seus níveis de engajamento para com as empresas que trabalham, ou melhor, defendem).

- Operam sob uma cultura que respeita as diferenças e a autenticidade dos funcionários, exploram habilidades distintas e estimulam as pessoas a criarem e inovarem como ponto de partida para qualquer serviço, sistema ou processo.

Ele deixa também um lembrete:

*Sem inovação, qualquer empresa definitivamente falhará.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Todos Estão Certos

Ken Wilber é uma figura difícil de definir, e você provavelmente nunca ouviu falar nele. Ele é um pensador contemporâneo com uma proposta que procura integrar todos os campos de estudo em um único modelo de entendimento. 

Parece bem idealista e até impossível, mas Wilber não encontrou esforços para conseguir integrar praticamente todas as áreas do conhecimento (seja ciência, espiritualidade, arte ou filosofia, etc), em um sistema que mostra que todas as pessoas sabem ou estão certas sobre alguma coisa (seja um engenheiro civil que sabe alguma coisa sobre moda, um peão de obra que sabe calcular os custos de um projeto melhor que seu chefe autoritário, ou um biólogo que conhece segredos da culinária e é frequentemente elogiado por colegas de refeição), enfim, todos poderiam contribuir então para a busca de uma verdade.

E esse sistema integral-idealista de Ken Wilber faz sentido, pois o mero fato das pessoas discutirem por determinado assunto já mostra que umas sabem de coisas que outras não sabem, e para outro assunto qualquer, vice-versa. 

Mas o que não silencia as discussões é o fato das pessoas não poderem estar erradas sempre, pelo simples fato de pensar e contestar (e gerar discussões), e daí o sistema de Wilber é encaixado. Ele afirma que todos podem contribuir para criar ou achar uma verdade, simplesmente investigando aspectos de verdade em cada assunto e conciliando essas verdades entre diferentes disciplinas, em vez de procurar pontos contraditórios entre elas. Como ele diz: "Ninguém pode estar errado 100% do tempo", e portanto, devemos nos concentrar no que é certo sobre cada assunto e deixar de fora o resto.

"Eu tenho uma grande regra: todo mundo está certo. Mais especificamente, todo mundo possui alguns importantes pedaços da verdade, e todos precisam ser honrados, valorizados e incluídos em um abraço gracioso, espaçoso e compassivo", disse ele. Ou seja, todos possuem uma parcela da verdade, e a questão do descobrimento de uma verdade universal sobre cada assunto é questão de saber interligar todos esses pontos de verdade de forma a desenvolver uma unidade única de verdade generalizada, ou um saber comum que poderá ser compartilhado. *Isso poderia ser o senso comum.

A originalidade de Wilber está em perceber que o que atrapalha o objetivo de se estabelecer uma verdade é que as pessoas costumam procurar erros ou contradições nas afirmações de outras pessoas quando elas não são compatíveis com seus pensamentos ou valores, em vez de perceber alguns pontos da verdade comuns entre duas formas de pensamento (duas pessoas discutindo, por exemplo), e assim chegar mais próximo de uma verdade qualquer.  

É uma abordagem experiencial e e psicoativa que integra uma série de práticas de ponta concebidas para nos familiarizarmos com as várias dimensões do nosso próprio ser (corpo, mente, alma, espírito, consciência). (ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Integral).

Em uma entrevista sobre alguns de seus livros, Wilber falou sobre uma forte tendência atual que existe na relação entre a religião e a espiritualidade: "É comum as pessoas dizerem que são espirituosas, mas não religiosas....ou seja, elas estão separando ambas, elas se identificam com o espiritual mas não com a religião...então existe algo na religião que as pessoas não gostam e existe algo na espiritualidade que elas apreciam".

A espiritualidade significa a consciência mística de uma experiência vivenciada; alguém que passa diretamente por uma experiência imediata e sensacional. Para os espíritas, a religião significa regras e instituições que sufocam com seus mitos, parábolas, crenças e dogmas, e essas pessoas não se sentem confortáveis com essa ideia de religião. Se sentem confortáveis em não apreciar padrões e dogmas, e sim um processo que emerge da consciência pessoal.

As visões de mundo extremamente ascéticas do catolicismo e aquelas mutáveis e experimentais da espiritualidade são duas interpretações importantíssimas para a condição de determinar a verdade na religião. Coisa que é impossível.