domingo, 10 de novembro de 2013

Insights - Jornalismo (Parte II)

Continuando o post sobre os insights da área de jornalismo, agora vou falar do novo cenário, dos novos desafios, das novas práticas enfrentadas pelos profissionais desse setor e de ideias e inovações construídas por esse panorama do tratamento de informações.

Vimos como a crise do jornalismo clássico (impressão, mídia massiva, limitação no compartilhamento de informações), deu lugar inevitavelmente ao jornalismo digital, em que o conteúdo é gerado não para as pessoas, mas produzido por elas mesmas

Todos são produtores de conteúdo: o leitor, o jornalista, o chef, o mendigo, o veterinário, a dentista, o arquiteto, a designer.

O jornalista de hoje trabalha juntamente com seu público, sabe que não existe processo que possa garantir o engajamento das pessoas. Os próprios leitores criam seus conteúdos de interesse e buscam informações que lhes sejam relevantes, em meio a quantidade ininterrupta de dados os quais recebem e precisam organizar diariamente.

Novo formato. Jornalismo digital. O poder da internet. "Pela 1ª vez, num só meio, juntam-se o texto, o som e a imagem", defendeu Ignacio Ramonet. O texto gerado pela imprensa, o som propagado nas rádios e a imagem nas telas de TV não são mais ferramentas distintas e peculiares que alimentam o público com conteúdo útil. Isso é oferecido às pessoas de uma vez só, de forma conjunta, associativa, através da internet. O jornalista passou do papel de "simples entregador do que o público precisa saber", para um "explorador do que o público não sabe", e "futuro criador de interesses". 

O novo jornalista aprende com seus leitores. Aprende o que é relevante saber ou não saber. E aí aprende a oferecer o que as pessoas querem.

As pessoas já são responsáveis por produzir conteúdo por elas mesmas. Elas leêm matérias, notícias ou assistem vídeos como se elas mesmas tivessem os feito. E aí então se questiona qual seria a importância do papel do jornalista, já que as pessoas não precisariam deles para buscar saber o que querem. 

O jornalista é fundamental por permitir que as pessoas possam encontrar o que buscam em meios aos quais tem total autonomia, mas nenhum controle. 


Interatividade (entre jornalista e leitor, entre jornalista e jornalista e entre leitor e leitor)


Uma das principais vantagens da internet é a interatividade entre as pessoas. Vários dizem que esse é o maior trunfo do jornalismo digital. Na verdade, a interatividade é o que separa o jornalismo tradicional do digital. Essa interatividade entre jornalistas e leitores possibilitada pela tecnologia disponível é uma grande vantagem, e também um grande perigo para o jornalismo online. De um lado, os jornalistas tem mais facilidade em entender e oferecer o que o público quer; de outro, torna o futuro da comunicação, das demandas de informação pelas pessoas, totalmente imprevisível. E isso assusta os profissionais do setor.

Segundo Pavlik, "a maioria dos editores e jornalistas não se contentam mais em apenas publicar notícias, assim o processo jornalístico torna-se cada vez mais um diálogo entre a imprensa e o seu público".

Canavilhas sugere um direcionador para os profissionais do setor jornalístico: "A notícia deve ser encarada como o princípio de algo, e não um fim em si própria".

Mas nem todo conteúdo gerado na internet é interativo, já que a interatividade depende do estabelecimento de um contato direto entre os dois lados da moeda: o jornalista e o leitor. 

Isso aumenta o desafio dos jornalistas: de criarem relacionamentos concretos com seus públicos, de estimularem leitores a compartilharem o que desejam, e o mais importante, promover interatividade

É fato que os jornalistas dessa nova era digital têm muito mais receio do que virá pela frente, do que será de suas carreiras. O que posso produzir que vai ser bem assimilado pelo público? O que os leitores irão considerar importante daqui pra frente? 

As novas mídias devem criar interatividade entre as pessoas, de outra forma fracassarão.

Os jornalistas, então, deveriam ter menos receio do que será de seu futuro e mais segurança por contar com essas novas mídias, já que elas lhes permitem saber o que ainda não se sabe e conhecer da melhor forma possível o que será desejado por seus leitores, através de interatividade. Ou seja, eles agora tem as ferramentas necessárias para não temer o que temem, que é justamente não saber o que seu público irá querer. 

Os jornalistas não precisam ter medo. Devem assumir que nada sabem, como Sócrates. 

Na verdade, os jornalistas também não precisam saber o que irão produzir. Os leitores já vão cumprir esse papel antes deles.

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