terça-feira, 5 de novembro de 2013

Todos Estão Certos

Ken Wilber é uma figura difícil de definir, e você provavelmente nunca ouviu falar nele. Ele é um pensador contemporâneo com uma proposta que procura integrar todos os campos de estudo em um único modelo de entendimento. 

Parece bem idealista e até impossível, mas Wilber não encontrou esforços para conseguir integrar praticamente todas as áreas do conhecimento (seja ciência, espiritualidade, arte ou filosofia, etc), em um sistema que mostra que todas as pessoas sabem ou estão certas sobre alguma coisa (seja um engenheiro civil que sabe alguma coisa sobre moda, um peão de obra que sabe calcular os custos de um projeto melhor que seu chefe autoritário, ou um biólogo que conhece segredos da culinária e é frequentemente elogiado por colegas de refeição), enfim, todos poderiam contribuir então para a busca de uma verdade.

E esse sistema integral-idealista de Ken Wilber faz sentido, pois o mero fato das pessoas discutirem por determinado assunto já mostra que umas sabem de coisas que outras não sabem, e para outro assunto qualquer, vice-versa. 

Mas o que não silencia as discussões é o fato das pessoas não poderem estar erradas sempre, pelo simples fato de pensar e contestar (e gerar discussões), e daí o sistema de Wilber é encaixado. Ele afirma que todos podem contribuir para criar ou achar uma verdade, simplesmente investigando aspectos de verdade em cada assunto e conciliando essas verdades entre diferentes disciplinas, em vez de procurar pontos contraditórios entre elas. Como ele diz: "Ninguém pode estar errado 100% do tempo", e portanto, devemos nos concentrar no que é certo sobre cada assunto e deixar de fora o resto.

"Eu tenho uma grande regra: todo mundo está certo. Mais especificamente, todo mundo possui alguns importantes pedaços da verdade, e todos precisam ser honrados, valorizados e incluídos em um abraço gracioso, espaçoso e compassivo", disse ele. Ou seja, todos possuem uma parcela da verdade, e a questão do descobrimento de uma verdade universal sobre cada assunto é questão de saber interligar todos esses pontos de verdade de forma a desenvolver uma unidade única de verdade generalizada, ou um saber comum que poderá ser compartilhado. *Isso poderia ser o senso comum.

A originalidade de Wilber está em perceber que o que atrapalha o objetivo de se estabelecer uma verdade é que as pessoas costumam procurar erros ou contradições nas afirmações de outras pessoas quando elas não são compatíveis com seus pensamentos ou valores, em vez de perceber alguns pontos da verdade comuns entre duas formas de pensamento (duas pessoas discutindo, por exemplo), e assim chegar mais próximo de uma verdade qualquer.  

É uma abordagem experiencial e e psicoativa que integra uma série de práticas de ponta concebidas para nos familiarizarmos com as várias dimensões do nosso próprio ser (corpo, mente, alma, espírito, consciência). (ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Integral).

Em uma entrevista sobre alguns de seus livros, Wilber falou sobre uma forte tendência atual que existe na relação entre a religião e a espiritualidade: "É comum as pessoas dizerem que são espirituosas, mas não religiosas....ou seja, elas estão separando ambas, elas se identificam com o espiritual mas não com a religião...então existe algo na religião que as pessoas não gostam e existe algo na espiritualidade que elas apreciam".

A espiritualidade significa a consciência mística de uma experiência vivenciada; alguém que passa diretamente por uma experiência imediata e sensacional. Para os espíritas, a religião significa regras e instituições que sufocam com seus mitos, parábolas, crenças e dogmas, e essas pessoas não se sentem confortáveis com essa ideia de religião. Se sentem confortáveis em não apreciar padrões e dogmas, e sim um processo que emerge da consciência pessoal.

As visões de mundo extremamente ascéticas do catolicismo e aquelas mutáveis e experimentais da espiritualidade são duas interpretações importantíssimas para a condição de determinar a verdade na religião. Coisa que é impossível.

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