terça-feira, 3 de dezembro de 2013

9 Mentiras Que Contamos a Nós Mesmos

Passamos todos os dias criando dilemas, frescuras, picuinhas e paradoxos mentais que podem fazer com que nos conheçamos melhor, mas que com certeza podem atrasar nossas vidas em um nível até destrutivo.

A seguir, 9 mentiras que todos nós contamos a nós mesmos, e que continuaremos a contar, a não ser que não acreditemos nelas, é claro. 



1) “Se eu pudesse ter X, então a minha vida seria incrível”



Faça uma escolha do que seria o seu X: comprar um carro novo, viajar para as Bahamas, fazer sexo, andar de bicicleta aos domingos, tanto faz. Com certeza existem muitas coisas que não temos, mas desejamos ter. 

Faz parte da condição humana assumir um comportamento frustrado ao se notar a ausência de algo que desejaríamos ter tanto. Mas se você associa essas “faltas de alguma coisa” ou “incoerências” apenas como sendo sinônimos de problemas, saiba que estará subjugando a si mesmo a um estado de insatisfação induzida constante.

Isso significa que você não deve se prender a dilemas e sentimentos frustrantes apenas pelo fato de “não possuir” alguma coisa, pois esse sentimento de ausência é inevitável, mesmo quando não há um vazio. Por isso, busque aprender a se divertir. Aprender a gostar de um desafio. Aprender a explorar novas possibilidades. Aprender a elaborar melhor seus objetivos. Aprender a diferenciar quando um desejo provém de uma necessidade real ou quando ele é apenas um fútil desejo insatisfeito.


2) “Se eu tivesse mais tempo, gostaria de fazer X”


Pura besteira. Ou você quer realmente fazer algo, ou não quer. Ou você acha que vale a pena se comprometer em alguma coisa, ou não vale. Se você ficar criando conjecturas sobre o que poderia ou não ter feito, vai acabar se confundindo e entrando em um conflito pessoal: entre o que deveria fazer e o que gostaria de fazer.

Você deve investir em algo que importa para você ou lhe faça algum sentido, em vez de se amargurar por deixar de fazer alguma coisa que poderia ter feito, mas não fez.

Esqueça aquilo de dizer: “Ah...eu gostaria de fazer isso ou aquilo muito mais ou melhor do que estou fazendo agora”. Se você ainda não fez, é porque ainda não quer fazer, então pare de se cobrar antes da hora. 

Algumas tarefas devem ser feitas de acordo com o que você pode e precisa fazer, como uma atividade profissional chata ou uma visita ao Detran, e outras podem ser escolhidas com base no que você pode e gostaria de fazer, como uma viagem ao campo em um pleno inverno, ir a um concerto de música clássica ou mesmo visitar seus parentes a muito tempo distantes.

3) “Se eu disser ou fizer X, as pessoas irão pensar que sou um estúpido”


O fato é que a grande maioria das pessoas não está nem aí para o que você faz ou pensa, mesmo que demonstrem estar. O que elas se importam é o que você faz ou pensa que irá afetar a vida delas. A questão aí está: quando você se importa com o que te falam ou pensam sobre você é porque aquilo pode te afetar de alguma forma, mas se você fingir não ouvir o que os outros acham de você, estará apenas fingindo mesmo. 

Porque é natural você se importar com os outros, positiva ou negativamente, de uma forma ou de outra. Isso é viver em sociedade

Você tem medo do que irão pensar sobre você, certo? Mas esse medo não virá das atribuições dos outros, virá sim do que você achará de si mesmo daquilo que os outros interpretaram de você. Então, pense menos sobre o que irão achar ou pensar de você e mais sobre o que você mesmo poderia melhorar em si próprio.

4) “Se eu apenas dizer ou fazer X, então essa pessoa vai finalmente mudar”


Você não pode mudar as pessoas e nem tem essa capacidade. Você só pode ajudá-las a mudar a si mesmas. Surge a necessidade de mudar ou ajudar alguém quando já notamos alguma deficiência ou mesmo uma necessidade latente não atendida em nós mesmos.

Conselhos e apoios devem ser oferecidos de forma incondicional. De outra forma, não serão conselhos ou apoios, e sim apelativos ou invasões, que mudarão suas reais intenções para com as pessoas que você se importa. 

Vai do: querer ajudar alguém; para: prejudicar alguém. E não é isso que você deseja, certo? Nem para si mesmo nem para os outros, creio eu.

5) “Tudo é uma maravilha” ou “Tudo é uma merda”


Realmente, costumamos agir como seres extremistas. Ou é uma coisa, ou outra. Ou é muito forte, ou fraco demais. Ou é muito grande, ou muito pequeno. Tudo é perfeito, ou tudo é uma grande ruína. Pensar assim de forma determinista pode ser ruim, pois o extremismo vai na contramão de um equilíbrio vital que deveria permear nossas vidas.

Nós costumamos classificar as coisas conforme autojulgamentos do que nos faz bem ou mal, mas o fato é que a grande maioria das coisas não são classificáveis. Alguns aspectos da vida, como a velhice por exemplo, assumem uma natureza satisfatória ou não, dependendo de como a enxergamos e percebemos fatores como este dentro de nossas vidas. 

Temos a virtude do livre-arbítrio, e isso já é maravilhoso. Temos a chance de escolher diferente quando não está bom ou optar por não mudar quando já há uma percepção do ideal. O que está na nossa alçada é entender que temos a possibilidade de optar pelo oposto, pelo diferente. E se o oposto significar o melhor, então que seja assim. Caso contrário, contente-se em simplesmente não mudar. 

O conformismo não é um mal necessário, mas às vezes é preciso tomar atitudes conservadoras.

6) “Há algo de internamente errado ou diferente em mim”


Essa mentira é o que sustenta nossos sentimentos de vergonha interna. Não devemos ter vergonha de sentir vergonha. Dizer que existe algo errado ou inadequado em nós mesmos é natural, e um dos efeitos colaterais de se viver em sociedades globalizadas e estabilizadas.

Outro efeito é a alta competitividade entre as pessoas. Precisamos nos sentir bem consigo mesmos e, caso isso não seja possível, podemos pelo menos tentar nos sentir melhor do que um outro alguém, e isso nos faz sentir melhor. Seja cruel ou não.

Essa concorrência social também faz com que percebamos erros e inadequações nos outros, mesmo quando esses fatores negativos não existem de fato. E isso se dá pela necessidade corrosiva de se criar ou enfatizar defeitos em outras pessoas que, se não as desvalorizarem de alguma maneira, pelo menos irão valorizar a nós mesmos e nos permitir pensar que temos alguma vantagem sobre essas pessoas, que é o que queremos. O mundo competitivo gera essa consequência, de colocarmos as pessoas como adversárias, quando deveriam ser integrantes de um mesmo time.

7) “Eu mudaria, mas não posso por causa de X”


Você está dando desculpas, a não ser que queira mudar. Se você realmente quer mudar, então irá acabar lutando por essa mudança. Se não tiver certeza de que quer mudar ou não tomou nenhuma atitude para esse fim, é porque a maneira como você está agindo atualmente está lhe proporcionando algum tipo de benefício, mesmo que inconsciente. 

Existe uma necessidade de sermos melhores ou mais importantes do que já somos. Só que devemos diferenciar uma necessidade que requer uma mudança de comportamento, de uma conduta que requeira uma mudança de perspectivas. 

Você não mudaria se não tivesse certeza de que essa mudança lhe beneficiará. Mas se você não enxergar benefícios nas transformações, então não deseje mudar. Nesse caso, em vez de contar mentiras a si mesmo, poderia contar uma verdade, a de que você não necessita mudar, e aí talvez você mude.

8) “Eu não posso viver sem X”


Na maioria dos casos, você pode. Nós, como seres humanos, temos uma capacidade inimaginável de nos adequar a diferentes situações. Dizer que não podemos viver por alguma coisa seria o mesmo que negar um fator que nos faz humano: a evolução adaptativa.

É muito melhor aprendermos a viver sem aquilo que tanto desejamos. Faz com que agente dê mais valor e aproveite melhor aquilo que nos falta, e também impede um aprisionamento causado por uma dependência de algo que podemos nem mesmo almejar. 

Depender de algo significa que devemos nos adaptar a viver sem esse algo. Se você afirma que precisa de alguma coisa, então deve se convencer de que a falta disso também é possível, até provável. Na maioria das vezes, o que se diz precisar não é o que realmente se precisa.

Reformule suas necessidades e perceba que algumas delas não são realmente necessidades, e sim especulações, picuinhas, atrasos de vida. O que importa não é o que temos ou usamos, e sim o significado de cada atividade e cada relacionamento que participamos.

9) “Eu sei o que estou fazendo”


Se nós soubéssemos sempre o que estamos fazendo, não teríamos dúvidas. Sem dúvidas, não aprenderíamos nada de novo. E sem aprender nada de novo, acabaríamos, cedo ou tarde, sem saber o que estamos fazendo novamente, pois não aprendemos aquilo de que precisávamos para fazer seja lá o que for.

Em vez de dizer que sabe o que está fazendo, faça. Se não pôde fazer, é porque não foi capaz ou porque não sabe de alguma coisa necessária para fazer. Mas aí, é melhor afirmar não saber de nada, em vez de perceber depois que não soube o que estava fazendo, e talvez se frustrar.

3 comentários:

  1. Simplismente real.
    Se eu pudesse ter esse dom de escrever como vc, est-... ops! Estou infringindo o numero 1... huashuas..
    Muuuiiito grata por este texto.
    Esclarecedor, divertido e inspirador.
    sucesso.
    Nanda.

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  2. Roubado

    http://markmanson.net/9-subtle-lies-we-all-tell-ourselves

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  3. Acho que o seu dom de escrever vem do seu dom em traduzir do Inglês para Português. Esse texto foi escrito pelo Mark Manson: http://markmanson.net/9-subtle-lies-we-all-tell-ourselves
    That's NOT COOL, bro. Da próxima vez, faça como o Mark, estude um tema e escreva seus próprios pensamentos. Ah, e lembre-se que na internet sempre tem alguém que vai perceber a farsa.

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