quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

[Brain Waves] Lago de Ideias

Esse é o post de origem da nova série 'Brain Waves', onde vou investigar sobre temas subjetivos, experimentais, relacionados à psicologia, sociologia e filosofia, através de observações de referências dessas áreas. 

Com uma abordagem de temas mais fácil e simples, a série vai explorar a fundo a mente e seus jogos cerebrais.


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Johann Herbart foi um filósofo alemão que se dedicou a explorar como funciona a administração de ideias e conceitos. Se cada um de nós tem um número extraordinário de ideias durante a vida, porque agente não acaba ficando cada vez mais confusos? Pra onde vão essas ideias?

Para Herbart, a mente precisava usar algum tipo de sistema pra diferenciar e guardar essas infinitas ideias que nos surgem diariamente. O alemão também se questionava: Mesmo que as ideias continuem surgindo indefinidamente, porque algumas existiam fora do alcance da nossa percepção? 

Porque um monte de ideias só nos vêm a mente depois de serem associadas a outras ideias? Por exemplo: temos a ideia de pegar o carro e ir até o posto de gasolina, pra encher o tanque. Chegando no posto, abastecendo o carro, nos lembramos que ontem o pará-brisas estava falhando, e então, chamamos o frentista pra arrumar. Ou seja, no meio da ação da ideia de ir ao posto pra abastecer o carro, surgiu uma associação com a necessidade de se arrumar o pará-brisas que estava falhando. 

Ideias Similares e Ideias Conflitantes


De acordo com Herbart, as ideias formam-se pela combinação das informações provenientes dos sentidos, que englobam pensamentos, imagens mentais e estados emocionais. Esses elementos compõem todo o conteúdo da mente, e Herbart não os via como elementos estáticos, mas sim, dinâmicos, capazes de se transformar e interagir entre si.

Ideias , dizia ele, podem atrair e associar-se a outras ideias e sentimentos, ou repeli-los, como ímãs. 

Ideias similares, como cores e tons, atraem-se e misturam-se, dando origem a uma terceira ideia, mais complexa, como por exemplo, a ideia da cor vermelha com a amarela, gerando a ideia da cor laranja. Ou também a ideia de um peixe em um recipiente de vidro, gerando a ideia de um aquário.

Contudo, duas ideias que não são parecidas podem continuar a existir, mesmo que não sejam associadas a outras ideias. Isso faz com que enfraqueçam com o tempo, até serem finalmente subjugadas ao "limiar da consciência". Se duas ideias contradizem de maneira direta, "ocorre uma resistência", um conflito de ideias. 

Quando dois conceitos resistem um ao outro, geram uma tensão, e essa tensão cria uma força com tamanha energia que um dos conceitos acaba sendo expulso pra fora da consciência. Pra um lugar que Herbart chama de um "estado de tendência", o que hoje se conhece como inconsciente.

Herbart via o inconsciente como um depósito para ideias fracas e subjugadas, que foram expulsas. Ao propor uma consciência que organiza conceitos, o alemão buscava encontrar uma solução do melhor gerenciamento de dados e informações em uma mente saudável. E no ritmo de vida aceleradíssimo de hoje, isso se mostra necessário.

O gerenciamento de ideias se mostraria muito mais complexo do que Herbart descobriu.

Essa administração mental mostrou que algumas ideias são relacionadas a outras, e podem se combinar pra gerar outras ideias; enquanto que algumas ideias não possuem nenhuma relação com outras, e por isso acabam sendo subjugadas, mas nunca esquecidas, para além da nossa consciência, para um ambiente melhor analisado pela psicanálise.

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