quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Geração Y - O Preço da Ambição [Parte II]

Depois de ler o 1º post sobre a Geração Y e os tais Yuppies que a representam (http://frameinsights.blogspot.com.br/2013/11/geracao-y-parte-i-quem-sao-os-yuppies.html, você já estará por dentro de:

a) onde surgiu o termo Yuppie;
b) quando a Geração Y foi iniciada;
c) quais as características, valores, traços comportamentais e o perfil em geral que os integrantes dessa geração compartilham entre si.

Agora, falarei sobre duas consequências inevitáveis de se seguir as tendências Yuppies e fazer parte dessa geração: a questão do condicionamento externo, ou, a influência que outras pessoas podem causar nos Yuppies. Em especial, a influência familiar negativa; e o dilema da ambição, que comentarei melhor.

Seja por bem ou por mal, em se tratando de suas carreiras profissionais e estilos de vida, os membros da Geração Y sofrem um considerável preconceito de outras pessoas, principalmente de seus próprios familiares, que muitas vezes abominam o modo de vida "arriscado e arrogante" que seus Yuppies adotam. 

Como os próprios Yuppies respondem a esse preconceito??

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PS 1: Yuppie = Membro da Geração Y

PS: A influência negativa da família na carreira profissional ou na vida pessoal de um Yuppie ocorre na maioria das vezes, mas não semprepor fatores inevitáveis que se seguirão nesse post. Isso não quer dizer que um membro da Geração Y não possa sofrer preconceito nenhum, pois isso não acontece nem com um Yuppie nem com qualquer um.

Bom.....vamos lá.

O Preço da Ambição


Os que fazem parte ou pelo menos se identificam com alguma das características dos Yuppies podem acabar compartilhando uma consequência comum de fazer parte dessa geração Y: a frustração e a infelicidade iminentes.

A publicação original em inglês (http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.htmlexplica essa questão da insatisfação dos membros da geração Y conforme o tempo através de uma personagem, que foi apelidada de Lucy.

Nesse post não abordarei a questão dessa forma, mas tratarei de exemplificar da melhor forma possível esse fato consumado: por mais que os membros da geração Y afirmem ser totalmente autênticos e seguros de si mesmo, são eles os que correm mais perigo de serem influenciados, positiva ou negativamente, por terceiros. Especialmente por seus familiares.

Afinal, a convicção é companheira da dúvida.

Pode parecer paradoxal que um Yuppie, tão seguro de si e tão desejoso de obter sucesso e poder possa ser influenciado, ou no caso, impedido e atrapalhado de seguir seus rumos de vida por causa de outras pessoas, afinal, o comportamento de um membro da geração Yuppie costuma seguir uma tendência: a de trilhar um caminho guiado por si próprio

Só que, assim como toda forma de conduta individual que sofre de controvérsias externas (esses tais 'pitacos de terceiros'), esses membros da geração Y também sofrem desse tipo de preconceito. 

E é justamente por isso que os membros da geração Y podem se perder em seu próprio caminho.

Intervenções negativas de outras pessoas são inevitáveis, pois não convivemos apenas com pessoas que fazem parte de nossa cultura; ou que compartilham de nossas opiniões, desejos e interesses; ou possuem estilos de vida parecidos com os nossos (somos seres nada iguais uns dos outros).

Por geralmente possuírem uma personalidade forte, os membros da geração Y podem acabar entrando em um dilema: seguir seus princípios e trilhar a própria vida de uma forma autêntica; ou ceder às críticas muitas vezes estereotipadas de outros grupos de pessoas?

Um verdadeiro membro da geração Y irá responder de prontidão: a 1ª opção. Afinal, eles se consideram plenos donos de si mesmo e totalmente responsáveis por ditar o rumo de suas vidas. Provavelmente irão desconsiderar opiniões contrárias, mas isso de fato não acontece na prática.

Para exemplificar o impacto negativo que intervenções de opinião de terceiros podem causar em membros da geração Y, peguemos o exemplo da publicação original: a influência da família.

A maioria dos pais, tios ou avós dos Yuppies (os Baby Boomers) nasceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, e tiveram grandes chances de terem passado (ou melhor, suportado) períodos de recessão e crise econômica (como a Grande Depressão de 1929 que repercutiu no mundo todo ou na Revolução de 1932 aqui no Brasil por exemplo). 

Esses familiares dos Yuppies, então, começaram a construir suas carreiras profissionais e ditar o rumo de suas vidas em um contexto sócio-político-econômico que os tornou obcecados por segurança econômica, estabilidade financeira, conservadorismo exacerbado e estilo de vida regrado, prático e seguro. Esses "pais, avós e tios" dos membros da geração Y cresceram com o objetivo de conquistar uma carreira próspera e estável. Eles dificilmente deixaram de pensar, no curso de suas vidas, que precisariam dedicar anos e anos de trabalho intenso regrado a muito suor para conquistar essa carreira de sucesso tão desejável.

Assim, esses familiares passaram por experiências de vida que, se foram bem sucedidas, fez com que se sentissem otimistas e gratificados por essa condição. E aí grande parte desses Baby Boomers tiveram filhos (que são muitos dos Yuppies de hoje).

Os pais, tios, avós e quem quer que tenha passado por uma situação muito diferente no passado, foram criados de forma a acharem que o certo seria passar para seus filhos (Yuppies no caso) um legado na seguinte premissa: eles poderiam ser o que quisessem, mas apenas se seguissem o mesmo estilo de vida "batalhador" que tiveram.

Só que os tempos mudaram e, durante as décadas de 80 e 90, o cenário político-social-econômico já era mais flexível e permitia uma experiência de vida mais suave. Essa experiência de vida menos regrada e mais liberal foi vivenciada também pelos Baby Boomers, contestando toda aquela tirania e burocracia que eles suportaram lá no passado, no início de suas carreiras e de suas vidas. O que aconteceu foi que os Baby Boomers, tendo passado por essa transição de uma vida mais difícil para uma vida mais fácil, passaram a desenvolver um senso de liberdade e, acima de tudo, de protagonismo.

A chave da questão aí está no fato de que, tendo os familiares 'Baby Boomers' introduzido essa identidade de protagonismo em seus filhos 'Yuppies', estes, de uma forma ou de outra, criarão e manterão guardados em seus inconscientes que podem ser o que quiserem, ou seja, que podem ser verdadeiros protagonistas, decisores diretos de suas vidas

Os Yuppies acabam tendo um pensamento similar a de seus familiares 'Baby Boomers'. Pensamento que tanto criticam e evitam, mas que acabam aderindo.

E esse fator de influência externa tornou os Yuppies esperançosos sobre suas carreiras. Eles reviram todos seus objetivos. Perceberam que poderiam ser muito mais do que pensam. E que talvez poderiam controlar seus destinos. 

Então, os Yuppies passaram a desejar fervorosamente uma prosperidade econômica, assim como seus pais desejaram. Mas os Yuppies desejam essa prosperidade colocando a si próprios como elementos da mudança e totais senhores de suas devidas recompensas. Os Yuppies então assumiram um cenário de altíssimas expectativas para com suas carreiras profissionais.

Essa elevada expectativa dos Yuppies pela prosperidade de suas carreiras é fruto de uma autodefinição equivocada: a de que são especiais, e principalmente mais especiais do que seus familiares foram. E isso leva a um senso de objetividade de que o rumo de vida que tomam é muito mais próspero do que aquele trilhado por seus pais. 

Mas o problema é que os Yuppies não são sempre exclusivos, especiais, notórios. Eles podem o ser, mas isso poderá se comprovar com o tempo. Ou não.

Ao pesquisar sobre a Geração Y e seus Yuppies, o especialista Paul Harvey descobriu de fato que os Yuppies: a) "tem expectativas irreais e uma forte resistência para aceitar feedbacks corretivos"; que b) "uma grande fonte de frustração para pessoas com um forte senso de protagonismo são as expectativas não atendidas"; e que os Yuppies c) "possuem um senso de importância incoerente com seus níveis de habilidade e competências". 

A fórmula é muito simples. Quando as expectativas (Expectations) são altas e a realidade (Reality) não corresponde a elas, geram insatisfação. Quando as expectativas são baixas e a realidade se mostra melhor, elas geram satisfação (ou felicidade: Happiness).



Como Yuppies elevam suas expectativas de forma extrema e ilusória, acabam por se sentir constantemente injustiçados pelas recompensas que recebem. Acabam em frustração generalizada. Acabam insatisfeitos. Não tão felizes como queriam.

Essa extrema ambição dos Yuppies acaba por criar um dilema natural: as expectativas superiores em detrimento de resultados insatisfatórios. A realidade empalidece

Aí vão as perguntas: 

Os Yuppies (determinados, ambiciosos e promissores), também irão empalidecer frente a esse dilema frustrante?? 


ou

Os Yuppies irão virar o jogo? Irão superar atribuições negativas e conflitantes de outras pessoas? Irão viver suas vidas intensa e perigosamente? 

E acima de tudo, os Yuppies irão corresponder satisfatoriamente às suas expectativas de carreira?? 

Não depende de ninguém mais do que os próprios Yuppies para responder a esses dilemas. 

E não é justamente a independência o que eles tanto desejam? 

Assista ao vídeo feito pela agência BOX 1824 sobre a geração Y: http://www.youtube.com/watch?v=c6DbaNdBnTM



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