quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mídia Imediatista

A urgência pra se redigir e entregar uma notícia quente na mídia, respeitando aquela premissa do “quanto antes melhor”, pode fazer com que nos prendamos ao senso comum e deixemos de lado o senso criativo ao escrever.

Sem perceber, veicula-se aquela notícia relevante o mais rápido possível, antes que a concorrência o faça, e então pensamos: “Saímos na frente deles”.

Mas, ao nos concentramos cegamente em prazos de entrega, estaremos oferecendo aos leitores exatamente o mesmo conteúdo manjado que, provavelmente, todo o resto da mídia também oferecerá, seja mais tarde no dia de hoje ou mesmo amanhã.

Minamos nosso potencial criativo na entrega de uma mensagem pela preocupação tantas vezes desnecessária em transmitir dados e informações antes que a maioria o faça, satisfazendo o imediatismo.

E é assim que muitas empresas editoriais vão murchando, até falir.

Entrega-se algo para os leitores antes da concorrência, captando o calor da notícia; mas desconsiderando que esses mesmos leitores se esquecerão do nosso oportunismo no momento em que se verem bombardeados com exatamente a mesma mensagem que já passamos.

E aí, aquele conteúdo que antes era pioneiro e exclusivo, se torna copiado e menos irrelevante. Perde valor. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Os Miseráveis e a Catarse Social

Em 'Os Miseráveis', Victor Hugo expõe a miséria e a frieza moral da sociedade francesa do século XIX, fazendo uma crítica a desigualdade existencial e a pobreza social daquela época, retratando uma França como praça da escória humana.

No filme musical 'Os Miseráveis'(2012), essa exposição crítica de Victor Hugo à injustiça social é feita de forma bastante interessante. Praticamente todo diálogo do filme é cantado; a cada cena os personagens interpretam uma música que, ao final do filme, se combinam em uma perfeita canção que combina com a realidade: o inferno da desigualdade e da injustiça social. Inferno que ainda está presente em nossos tempos.

Em alguns diálogos musicais do filme, fica bem clara a percepção crítica do autor a fatores como a pobreza, as drogas e a prostituição como condições divinas e necessárias, a falta de caráter, a perda do senso de compaixão e submissão ao poder.

Mas nem tudo no filme são espinhos.

O filme cativa do início ao fim por mostrar também o outro lado da moeda.

O amor, a perseverança, a compaixão, a fraternidade e o senso comunitário fazem parte do drama que acende uma chama de otimismo e esperança em 'Os Miseráveis'. Vale a pena assistir ao filme, mesmo pra quem odeia musicais, como eu.

A seguir algumas dessas passagens reveladoras dessa realidade não superada:


Escravidão


Escravos puxando as cordas de um navio, cantando juntos em serviço:

"Olhe pra baixo, olhe pra baixo, não olhe nos olhos deles
Olhe pra baixo, olhe pra baixo, ficará aqui até morrer"

"Não há Deus lá em cima, somente o inferno lá embaixo
Olhe pra baixo, olhe pra baixo, são 20 anos pela frente, não fiz nada de errado"

"Amado Jesus, ouça minha prece
Olhe pra baixo, olhe pra baixo
O amado Jesus não quer saber"

"Sei que ela vai me esperar, sei que ela me será fiel
Olhe pra baixo, olhe pra baixo
Elas esqueceram de vocês"

"Quando eu sair, vocês não me verão virar pó aqui
Olhe pra baixo, olhe pra baixo
Está sobre a própria cova"


Ilusão de Liberdade


O ex-prisioneiro Jean Valjean, de tanta submissão e servidão em seus 20 anos preso, não acredita mais na liberdade:

"Amado Jesus, o que eu fiz?
Tornei-me um ladrão na noite, um cão fugitivo"

"Será que cai tão fundo, e que já é tão tarde
Que nada mais resta além do meu grito de ódio?"

"Os gritos no escuro que ninguém ouve
Aqui onde me encontro nesse momento da vida"

"Se havia outro caminho a seguir, eu o perdi há 20 longos anos
A minha vida foi uma guerra perdida"

"Ao me acorrentarem e me entregarem à morte
Só porque roubei um punhado de pão"

"Só consigo sentir ódio pelo mundo
Esse mesmo mundo que sempre me odiou"

"É olho por olho, foi assim que eu vivi, é só isso o que conheço
Aos açoites, todo aquele sofrimento"

"Agora, em vez disso, me oferecem a liberdade
Sinto a vergonha me rasgando como uma faca"

"Que espírito comove a minha vida?"

"Há outro caminho a seguir?
Estou tentando, mas eu caio, pois a noite é inevitável"

"Enquanto olho esse vazio, o rodamoinho dos meus pecados
Mas agora escaparei daquele mundo, o mundo de Jean Valjean"

"O Jean Valjean não é nada agora
Outra história precisa começar"


Pobreza e Fome


Mães nuas no meio da rua emprestando as vestes a seus bebês, mendigos encostados na parede e garotos com medo nos olhos cantam em grupo:

"Ao final do dia, fica-se apenas mais velho
É tudo o que se pode dizer da vida dos pobres"

"É uma luta, é uma guerra, ninguém dá nada a ninguém
Mais um dia à toa, pra quê?"

"Um dia a menos pra viver
Ao final do dia, sente-se apenas mais frio"

"E a camisa que se veste não afasta a friagem
Homens de bem passam apressados, sem ouvir as crianças que choram"

"E a praga se aproxima pronta para matar, um dia mais perto da morte
Ao final do dia há apenas outro dia a raiar, o sol da manhã esperando despontar"

"Como as ondas que quebram na areia, e a tempestade que se precipita
A fome arrebata a terra, e há contas a serem prestadas"

"E será um inferno pagá-las no final do dia, ao final do dia que nada recebe se nada fez."


Exploração e Desigualdade



Homens e mulheres. Máquinas humanas trabalhando nas fábricas, cantam no mesmo ritmo:


"Ficar aí sentado não vai pagar nem o pão
Ficar aí sentado é morrer"

"Há crianças em casa que precisam ser alimentadas
Ao final do dia, apenas mais um dia findou"

"E no bolso o suficiente pra não durar uma semana
Pagar o senhorio e trabalhar enquanto aguentar"

"Trabalhar até cair ou voltar a viver de migalhas
Tem que pagar se quiser sobreviver no fim do dia."


Passagens de: 'Os Miseráveis' (2012), Direção: Tom Hooper; Com: Russell Crowe, Hugh Jackman, Anne Hathaway.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Freakonomics

O livro 'Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que Nos Afeta', de Steven Levitt, é um livro sobre Economia que pode parecer tudo, menos um livro de Economia.

Freakonomics ilustra o poder da teoria da escolha racional em uma série de histórias sobre comportamentos a princípio intrigantes, mas que depois de um exame mais cuidadoso revelam-se perfeitamente racionais. 

O livro é uma tentativa de entender e solucionar problemas sociais extremos, fazendo um paralelo entre temas polêmicos como o aborto e o tráfico de drogas com a criminalidade e a corrupção. Fala também sobre a relação de incentivos que as pessoas recebem e suas relações de consumo em sociedade, além de um panorama cultural do fenômeno da sabedoria das multidões.

Apresentando alguns comportamentos que a princípio parecem ter sentido, mas que se mostram totalmente irracionais, Levitt abre mais nossos olhos para o perigo do senso comum e da crença de que a Economia é uma ciência exata. Ele mostra que isso está longe de ser um fato.


Casos Nada Óbvios


Pode-se pensar, por exemplo, que como o corretor imobiliário trabalha por comissão, ele vai tentar conseguir o maior valor possível para a casa de um cliente. Porém, na verdade os corretores mantêm as próprias casas por mais tempo no mercado e as vendem por preços mais altos do que as casas de seus clientes. Por quê? Porque quando é a casa dos clientes que eles estão vendendo, ficam com apenas uma pequena porcentagem da diferença do preço mais alto, mas quando é a própria casa, ficam com toda a diferença. Em outras palavras, uma vez que você entende os incentivos que os corretores recebem, suas ações tornam-se claras.

Da mesma forma, a princípio pode ser surpreendente descobrir que quando pais em uma escola em Israel começaram a receber multas por atraso ao pegar seus filhos, eles passaram a chegar atrasados ainda mais vezes do que quando não havia multa alguma. Mas depois, quando compreendemos que a multa diminuía a culpa que sentiam por incomodar os funcionários da escola, eles sentiram, essencialmente, que estavam pagando pelo direito de chegar tarde. 

É a princípio surpreendente, também, que estudos informem que a maioria de membros de gangues mora com a mãe. Mas não se torna assim tão estranho quando se nota que eles conseguem, geralmente, bem menos dinheiro do que necessitam e do que se acha que eles poderiam ganhar efetivamente, então, passa a fazer sentido que esses traficantes morem com a família. 

Da mesma forma, pode-se explicar o problemático comportamento de uma parcela de professores de ensino médio em resposta á uma nova lei de prestação de contas do governo Bush (a legislação americana do No Child Left Behind, um programa social de base governamental criado em 2002). Esses professores alteraram as respostas das provas de seus alunos para aumentar o desempenho da sala e categorizá-los como professores exemplares e que seguiam a nova lei. Mesmo sabendo que isso poderia custar-lhes o emprego, o risco de serem pegos pelo não cumprimento da nova lei de Bush parecia pequeno em comparação com as consequências de ficarem presos a uma turma com baixos índices de rendimento, o que compensava a hipótese de serem punidos por fraude e de que seriam incompetentes como ensinadores.

Ou seja, independentemente da pessoa e do contexto - sexo, política, família, religião, crime, traição, negócios -  o ponto a que Levitt retorna é que, mesmo que queiramos entender por que as pessoas fazem o que fazem, devemos entender os incentivos que elas recebem, e dessa forma, sua preferência por uma opção ou outra. 

Quando alguém faz algo que nos parece estranho ou intrigante, devemos, em vez de tachá-la como louca ou irracional, buscar analisar sua situação, na esperança de encontrar um incentivo lógico. O argumento central do Freaknomics é que quase sempre podemos realizar esse exercício, por mais estranho ou maravilhoso que seja o comportamento em questão.  

Veja uma entrevista do autor, em que ele relaciona sua obra com o Brasil: http://goo.gl/GubVFA

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Casaca Inútil das Horas

Esse texto é uma adaptação minha de Mário Quintana, que fala sobre a brevidade da vida e em como a desperdiçamos com coisas fúteis e vazias, olhando frequentemente para o relógio; enquanto esquecemos de que o que se foi, já foi, e não pode ser resgatado. Por isso: viva.

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A vida são deveres infinitos que trazemos da rua pra fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas. Quando se vê, já é sexta-feira. Quando se vê, já é Natal. Quando se vê, já terminou o ano. Quando se vê, não sabemos mais por onde andam nossos amigos. Quando se vê, perdemos muito do que há de amor em nossas vidas. Quando se vê, já se passaram 50 anos.

Agora, agora é tarde demais pra ser reprovado. Se fosse dado mais um dia, uma oportunidade que seja, nem olharia pro relógio. Seguiria sempre em frente, pra qualquer lugar, jogando pelo caminho a casaca dourada e inútil das horas.

Não olharia pro relógio, seguraria todos meus amigos num só lugar em que eu também estivesse e diria a eles: "Vocês são importantes, e fazem parte da minha vida".

Não olharia pro relógio, seguraria meu amor à muito na minha frente, lá longe, e lhe diria: "Você é importante, e eu consigo te amar".

Você não precisa esperar o relógio marcar as horas. Você não precisa se preocupar em deixar pra depois. O próprio tempo já faz questão disso. 

Se o tempo é infinito e inexorável, vale a pena deixar de fazer algo, qualquer coisa que goste, por causa da falta de tempo?? 

Dessa forma, "Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo. Não deixe de ter alguém do seu lado, ou de fazer algo por puro medo de ser feliz. A única falta que será, será desse tempo que, infelizmente, não voltará mais"

Tente. Arrisque. O tempo te permite fazer isso, até que não seja mais possível contá-lo.

Baseado nas palavras de Mário Quintana. O original você consegue assistir aqui: http://goo.gl/xeAfF

domingo, 5 de janeiro de 2014

Filmes Consagrados de 2013

Aproveite seu tempo livre pra assistir a um bom filme. 

Em 2013, os gêneros Terror e Comédia receberam pouquíssimos filmes de qualidade. Suspense e Ação foram os que mais renderam bons longa-metragens. Adaptações de obras clássicas, como a continuação de O Hobbit, 0 2º filme da série 'Jogos Vorazes' e Carrie, A Estranha do gênio Stephen King foram filmes que geraram discussões acaloradas no mundo do cinema.

Fiz uma lista dos filmes que achei mais relevantes em 2013. Divirta-se:

1º - O Hobbit - A Desolação de Smaug

















Crítica (site Omelete): http://goo.gl/ACQwLp


2º - Gravidade



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/Ocz0z6


3º - O Ato de Matar



Crítica (site MovieSense): http://goo.gl/URwJ11


4º - Frances Ha




Crítica (site Folha Online): http://goo.gl/6EKfEK
Crítica (site Omelete): http://goo.gl/BaIHP7


5º - Azul é a Cor Mais Quente




Crítica (site Folha Online): http://goo.gl/SjdQ4B
Crítica (site Omelete): http://goo.gl/7Qnofd


6º - O Grande Gatsby




Crítica (site Omelete): http://goo.gl/8bDtHI
Crítica (blog Cinemateca): http://goo.gl/0Y7ppW


7º - Frozen - Uma Aventura Congelante



Crítica (site Cine Players): http://goo.gl/RdexzG
Crítica (site Cultura Intratecal): http://goo.gl/RA2iyP


8º - Django Livre



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/ayv6HV


9º - A Caça



Crítica (blog Claquete Cultural): http://goo.gl/xG6dYZ


10º - Capitão Phillips



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/lrehUj


11º - Jogos Vorazes - Em Chamas



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/G7UUaA
Crítica (site Elite 42): http://goo.gl/Bqx9Ed


12º - Os Suspeitos



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/vdBO7k
Crítica (site Plano Crítico): http://goo.gl/6iwlaz


13º - Carrie - A Estranha



Crítica (site Omelete): http://goo.gl/1VTmcA


E aí, o que achou?? Faça sua crítica  : )


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fotografia vs Memória

Quando vai viajar, você ou alguém faz questão de levar a câmera fotográfica ou o celular pra tirar algumas fotos da viagem?

Uma experiência feita por Linda Henkel para a revista americana 'Psychological Science' mostra que essas fotos que a gente tira pra se lembrar de algum objeto ou evento interessante fazem com que não aproveitemos essas experiências enquanto elas acontecem. 

Henkel queria saber até que ponto uma fotografia consegue registrar eventos da vida que mais tarde iremos recordar. Pra isso, fez uma experiência em um museu na Universidade Fairfield, nos EUA. Ela e sua equipe levaram um grupo de estudantes de graduação ao museu e pediram pra eles explorarem todos os objetos que estavam expostos por lá. Durante a experiência, uns só tiravam fotos dos objetos, outros apenas os observavam.

No dia seguinte eles aplicaram testes de memória no grupo de estudantes. Aqueles que não haviam tirado nenhuma foto se mostraram mais precisos em descrever as lembranças dos objetos que observaram no museu, em comparação com aqueles que preferiram fotografá-los.

"As pessoas sacam suas câmeras quase sem pensar, pra capturar um momento a ponto de perder o que realmente está acontecendo bem na frente delas", afirmou Henkel. 

Ela chama isso de "efeito de incapacidade pelo ato de fotografar". 

Esse estudo de Henkel pode abrir os olhos das pessoas pra que valorizem mais as próprias experiências e as aproveitem enquanto estiverem acontecendo, em vez de apenas criarem um momento feliz para o futuro.

"Quando as pessoas confiam na tecnologia pra guardar lembranças e registrar eventos da vida, elas não precisam se envolver tanto com o momento, e isso pode provocar um impacto negativo sobre a forma como essas pessoas se lembram de suas experiências", afirmou Linda Henkel.

Se quiser saber mais detalhes dessa experiência, veja a matéria do jornal britânico The Telegraph pelo link: http://goo.gl/XL5kfp