quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Freakonomics

O livro 'Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que Nos Afeta', de Steven Levitt, é um livro sobre Economia que pode parecer tudo, menos um livro de Economia.

Freakonomics ilustra o poder da teoria da escolha racional em uma série de histórias sobre comportamentos a princípio intrigantes, mas que depois de um exame mais cuidadoso revelam-se perfeitamente racionais. 

O livro é uma tentativa de entender e solucionar problemas sociais extremos, fazendo um paralelo entre temas polêmicos como o aborto e o tráfico de drogas com a criminalidade e a corrupção. Fala também sobre a relação de incentivos que as pessoas recebem e suas relações de consumo em sociedade, além de um panorama cultural do fenômeno da sabedoria das multidões.

Apresentando alguns comportamentos que a princípio parecem ter sentido, mas que se mostram totalmente irracionais, Levitt abre mais nossos olhos para o perigo do senso comum e da crença de que a Economia é uma ciência exata. Ele mostra que isso está longe de ser um fato.


Casos Nada Óbvios


Pode-se pensar, por exemplo, que como o corretor imobiliário trabalha por comissão, ele vai tentar conseguir o maior valor possível para a casa de um cliente. Porém, na verdade os corretores mantêm as próprias casas por mais tempo no mercado e as vendem por preços mais altos do que as casas de seus clientes. Por quê? Porque quando é a casa dos clientes que eles estão vendendo, ficam com apenas uma pequena porcentagem da diferença do preço mais alto, mas quando é a própria casa, ficam com toda a diferença. Em outras palavras, uma vez que você entende os incentivos que os corretores recebem, suas ações tornam-se claras.

Da mesma forma, a princípio pode ser surpreendente descobrir que quando pais em uma escola em Israel começaram a receber multas por atraso ao pegar seus filhos, eles passaram a chegar atrasados ainda mais vezes do que quando não havia multa alguma. Mas depois, quando compreendemos que a multa diminuía a culpa que sentiam por incomodar os funcionários da escola, eles sentiram, essencialmente, que estavam pagando pelo direito de chegar tarde. 

É a princípio surpreendente, também, que estudos informem que a maioria de membros de gangues mora com a mãe. Mas não se torna assim tão estranho quando se nota que eles conseguem, geralmente, bem menos dinheiro do que necessitam e do que se acha que eles poderiam ganhar efetivamente, então, passa a fazer sentido que esses traficantes morem com a família. 

Da mesma forma, pode-se explicar o problemático comportamento de uma parcela de professores de ensino médio em resposta á uma nova lei de prestação de contas do governo Bush (a legislação americana do No Child Left Behind, um programa social de base governamental criado em 2002). Esses professores alteraram as respostas das provas de seus alunos para aumentar o desempenho da sala e categorizá-los como professores exemplares e que seguiam a nova lei. Mesmo sabendo que isso poderia custar-lhes o emprego, o risco de serem pegos pelo não cumprimento da nova lei de Bush parecia pequeno em comparação com as consequências de ficarem presos a uma turma com baixos índices de rendimento, o que compensava a hipótese de serem punidos por fraude e de que seriam incompetentes como ensinadores.

Ou seja, independentemente da pessoa e do contexto - sexo, política, família, religião, crime, traição, negócios -  o ponto a que Levitt retorna é que, mesmo que queiramos entender por que as pessoas fazem o que fazem, devemos entender os incentivos que elas recebem, e dessa forma, sua preferência por uma opção ou outra. 

Quando alguém faz algo que nos parece estranho ou intrigante, devemos, em vez de tachá-la como louca ou irracional, buscar analisar sua situação, na esperança de encontrar um incentivo lógico. O argumento central do Freaknomics é que quase sempre podemos realizar esse exercício, por mais estranho ou maravilhoso que seja o comportamento em questão.  

Veja uma entrevista do autor, em que ele relaciona sua obra com o Brasil: http://goo.gl/GubVFA

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