sábado, 5 de abril de 2014

A Sombra

A Sombra é a parte animalesca da nossa personalidade, é tudo o que a gente considera como imoral, indigno ou inaceitável em nós mesmos.

A Sombra é o nosso ego mais sombrio, produto da insegurança e dos temores internos. Todo mundo tem esse ego obscuro.

Nossa Sombra é como um espelho, mas um espelho negro, que reflete o próprio caos interno que apenas nós mesmos conhecemos, como ninguém mais. É algo trancado no ínterim de nossos medos incompreendidos e de traumas não superados.

A nossa Sombra fica bem escondidinha lá no fundo da nossa consciência, apenas à espreita. E quando sai desse esconderijo mental, a Sombra nos faz ter comportamentos a princípio inaceitáveis, malucos e inexplicáveis, aquelas ações e desejos que normalmente são mal interpretados pela sociedade, e mais malvistos ainda por nós mesmos.



Relaxa, não precisa se assustar. Apesar do aspecto negro e feio da sua Sombra, você ainda vai notar que ela é mais iluminada do que imagina, e ainda irá perceber o seu real valor.

Essa parte primitiva da nossa natureza representada pela Sombra é quase sempre ignorada (pelos outros e principalmente por nós), talvez pelo fato de que um lado negro da nossa existência seja apenas e diretamente associado á coisas ruins, horríveis e cabulosas, algo inconcebível que bons samaritanos diriam ser apenas um produto da imaginação fértil de um amante de histórias de terror. Quem dera fosse apenas imaginação.

"O psicólogo suíço Carl Jung foi o primeiro a dizer que todos temos uma Sombra, independentemente de quem você seja, de seus talentos ou de sua aparência. A Sombra é, segundo seu termo famoso, um dos muitos "arquétipos" com os quais nascemos. Um arquétipo é uma maneira padronizada de perceber o mundo. Por exemplo, todo mundo nasce com um senso de como deve ser uma mãe: protetora, companheira, carinhosa, amável, etc. Jung chama isso de "mãe arquetípica". ("O Método", P. Stutz e B. Michels; p. 108).

Também existe uma Sombra arquetípica. Que nem eu disse, ela é associada à coisas ruins, horríveis, cabulosas, pálidas, negras. Você deve estar sentindo uma profunda aversão pela sua Sombra nesse momento. Isso é normal. Mas infelizmente, é esse tipo de pensamento que mantém a nossa Sombra mais viva do que nunca.


De antemão, já adianto que é impossível se livrar dessa Sombra, a não ser que percamos a sanidade ou a consciência.

Mas o que poderia existir de bom nessa tal Sombra??

Mesmo a Sombra sendo a janela negra da alma que reflete tudo o que evitamos, a gente necessita dela pra conseguirmos nos purificar, e nos libertar. Se não conhecêssemos nossa Sombra (o que não é possível), não reconheceríamos a parte que nos faz brilhar.

A Sombra é diferente de todos os outros arquétipos de Jung num sentido: arquétipos comuns afetam a maneira como você enxerga o mundo; ao passo que a Sombra determina como você enxerga a si próprio, e essa percepção é tão individual que chega a ser intrigante.

O ponto é: não devemos tentar negar essa Sombra, isso só trará angústia e mais desespero. O que nos resta é a aceitação dessa parte de nós que tememos, mas que podemos considerar como fundamental pra termos uma noção do que não queremos ser.

Sem a Sombra, não teríamos uma imagem repulsiva de nós mesmos, e então cairíamos na ilusão de achar que somos perfeitos ou melhores.

"A Sombra é um dos conflitos humanos mais básicos, pois todo mundo quer sentir que tem valor como pessoa. Ao olharmos para dentro de nós e depararmos de vez em quando com nossa Sombra, uma provável reação imediatista é desviar o olhar de dentro - e buscar no mundo externo a aprovação e legitimação dos outros. Caso duvide desta busca, basta reparar na maneira como as celebridades costumam ser idolatradas. Achamos que, por terem obtido o reconhecimento do mundo, elas devem ser felizes e seguras. Apesar dos repetidos casos de internações em clínicas de reabilitação, relacionamentos vazios e fracassados, humilhações públicas e escândalos políticos, continuamos acreditando que ser o centro das atenções dá a elas o senso de valor que tanto desejamos." ("O Método", P. Stutz e B. Michels; p. 109)

O problema é que essa aprovação dos outros, por maior que seja, não afeta em nada nossa autoestima, pois não pode eliminar nossa Sombra. Sempre que estivermos sozinhos e nos voltarmos pra dentro, lá estará ela, olhando para nós.

Jung bem disse: "Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, desperta".

Um conselho: reconheça sua Sombra, familiarize-se com ela, e aí você sofre menos, ou não??


Essa perspectiva de integração do nosso "eu" com a Sombra implica num processo de amor pessoal tão profundo que transcende qualquer manifestação de paixão que podemos sentir pelos outros. A aceitação da nossa Sombra, por mais estranho e paradoxal que possa parecer, é o que nos permite criar um autoreconhecimento do nosso "lado iluminado", "lado bom", ou "lado positivo".

O que parece ser uma Sombra fraca e inferior é, na verdade, o canal condutor para uma força superior. E essa força superior não é Deus, Alá, Tutâncamon ou Jah, e sim a força da autoexpressão, uma oportunidade de superação, autoconhecimento e autoaceitação, principalmente, de autoestima e bem-estar.

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